Na ordem natural, os Anjos são as criaturas mais elevadas devido à excelência de sua natureza.
O Catecismo da Igreja Católica (n. 329) os define como “servidores e mensageiros de Deus […] e poderosos executores de sua palavra”.
Sendo puros espíritos, os Anjos não têm corpo, mas possuem inteligência, vontade e livre-arbítrio.
Seu número é muito maior do que o dos seres materiais, conforme explica São Tomás de Aquino.[1]
Criados no Céu Empíreo
“No princípio Deus criou o Céu e a Terra” (Gn 1,1). A palavra “Céu” não se refere ao firmamento visível, mas ao empíreo, assim chamado não por seu ardor, mas por seu resplendor.
Os Anjos foram criados juntamente com o Céu Empíreo.[2]
Que é o Céu Empíreo?
Seguindo a opinião do grande teólogo Flamengo Cornélio a Lápide – o qual se baseia em muitos Santos e doutores em Teologia –, Plinio Corrêa de Oliveira afirma que, além do Céu dos Céus, onde veremos a Deus face a face, há um Céu material, de magnificência indizível, no qual os corpos dos justos, após a ressurreição dos mortos, poderão desfrutar uma eternidade feliz.[3]
Embora sejam seres espirituais, os Anjos podem se tornar visíveis. Eis alguns exemplos:
• Três Anjos apareceram a Abraão e lhe disseram que Sara, sua esposa, apesar de idosa, teria um filho (Gn 18, 1-15);
• Um Anjo animou Josué a ser “forte e corajoso” para conduzir o povo hebreu e conquistar a Terra Prometida (Js 1, 1-9);
• Um espírito celeste apareceu a Gedeão, incentivando-o a lutar contra os madianitas, que escravizavam o povo hebreu (Jz 6, 11-24 ).
Os únicos Anjos cujos nomes se conhecem são: Miguel, Gabriel e Rafael.
Hierarquia dos Anjos
Todos os Anjos são desiguais entre si.
Cada um constitui uma espécie, e foram criados numa esplendorosa hierarquia, disposta em nove coros: Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Virtudes, Potestades, Principados, Arcanjos e Anjos.
Com base em São Tomás de Aquino,[4] podemos assim sintetizar as principais características de cada coro angélico:
• Os Serafins “têm em si mesmos uma luz inextinguível, com a qual iluminam perfeitamente os outros”.
• Os Querubins “contemplam no próprio Deus a beleza das coisas derivadas de Deus”.
• Os Tronos têm esse nome por semelhança aos tronos materiais existentes na terra. Eles “recebem Deus em si mesmos e O levam de alguma forma às ordens inferiores”.
• As Dominações participam “do verdadeiro domínio que está em Deus”.
• As Virtudes caracterizam-se pela força, pois “o nome ‘virtude’ significa certa força viril e inquebrantável”.
• Pelas Potestades “são afastados os maus espíritos, assim como os poderes terrestres afastam os malfeitores”.
• Os Principados “conduzem os outros com ordem sagrada”; cuidam dos povos, ou seja, têm o governo da História.
• Os Arcanjos “estão à frente somente dos Anjos, pois anunciam coisas importantes”.
• Os Anjos “são aqueles que anunciam coisas menos importantes”. O Criador os incumbiu de ajudar as pessoas a cumprirem sua vocação; são chamados Anjos da Guarda.
Uma grande batalha no Céu
Em sua infinita sabedoria, o Altíssimo quis submeter os Anjos a uma prova, o que, aliás, fez também com nossos primeiros pais.
Muitos teólogos afirmam ter Deus Pai revelado aos Anjos que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade Se encarnaria, e todos eles deveriam adorar o Homem-Deus. E, consequentemente, precisariam venerar a Mãe de Jesus, Virgem concebida sem pecado.
Sendo Ela mera criatura, isso significava para os Anjos a necessidade de fazer um profundo ato de humildade, pois a natureza humana é muito inferior à angélica.
Lúcifer, que era o primeiro Anjo da hierarquia celeste, revoltou-se gritando: “Não servirei”. Em contraofensiva, São Miguel lançou o brado da fidelidade: “Quem como Deus?”
Narra o Apocalipse (12, 7-9) que houve, então, no Céu, uma grande batalha.
Os anjos revoltados se tornaram demônios. E Deus criou o inferno, para onde foram precipitados Lúcifer, também chamado Satanás, e seus principais seguidores.
Outros demônios vagueiam pela terra e pelos ares fazendo o mal; no fim do mundo, todos serão lançados no inferno.
Nosso Senhor referiu-Se a essa fragorosa derrota de Lúcifer, quando afirmou: “Vi Satanás cair do Céu como um raio” (Lc 10, 18).
A luta de Lúcifer e seus asseclas contra São Miguel e seus fiéis servidores foi a origem de todas as outras que se travaram, desde o início da humanidade, entre bons e maus; essas batalhas somente terminarão, nesta terra, no fim do mundo.
Devemos ter muita devoção aos Santos Anjos, invocando-os sempre para que protejam a cada um de nós, nossas famílias, nossa pátria e, sobretudo, a Santa Igreja.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 296, Agosto 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 295, Julho 2026
Quem são os Arautos do Evangelho?
Auxílio dos Cristãos
Músicas Natalinas