Frederico Westphalen - Rio Grande do Sul (Segunda-Feira, 23/06/2014, Gaudium Press) "Confiança inabalável em Deus" é o título do mais recente artigo de Dom Antônio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul. Em sua reflexão, o Prelado recorda que na primeira leitura da liturgia do último domingo, tirada do Livro de Jeremias, o profeta encontra-se dramaticamente só, por causa da sua fidelidade ao Senhor.
Segundo o Bispo, Jeremias tentou alertar o povo contra o perigo de uma aliança com o Egito, perante a eminência da invasão de Nabucodonosor. Uma aliança que serivrá apenas para inflamar a ira do grande conquistador, precipitando a destruição de Jerusalém e o cativeiro da Babilônia; e colocará o Povo de Deus em grave risco de se deixar corromper pelo Egito, em virtude da intensificação das relações comerciais, militares e políticas, levando-o a trair a Aliança feita com Deus.
Dom Keller ainda explica que os interesseiros da nova política - sempre atentos a tirar dividendos das situações - o perseguem sem tréguas, tentam matá-lo, e repetem-lhe, em tom de escárnio, as palavras proféticas: Haverá terror por toda a parte. Conforme o Prelado, o profeta é lançado em um canal, com lama até ao pescoço, e foi salvo da morte certa pelo rei, que vivia também atemorizado com os conspiradores.
"Aprendemos neste texto sagrado que a nossa confiança está em Deus. No meio de qualquer solidão humana, é preciso recorrer ao Senhor com toda a confiança. A nossa fé concretiza-se na fidelidade ao Senhor, mesmo quando isso nos faz correr perigo, ou exige de nós a perda de prestígio, ou perigos materiais", avalia.
Além disso, o Bispo acredita que a atitude de Jeremias é também reprovação daqueles que se deixam arrastar pelo respeito humano; que escondem ou disfarçam a verdade, para não passarem um mau momento. Ele ressalta que Deus nunca abandona os seus e Jeremias espera ver ainda o Senhor fazer brilhar a sua inocência aos olhos dos inimigos. "De fato, em breve os acontecimentos lhe darão razão", completa.
No entanto, Dom Keller salienta que nós conhecemos a história de muitos santos que partiram para a eternidade sem verem a sua fama restituída. Para ele, não é triunfo pessoal em que estamos interessados, mas o da verdade, o de Deus. O Prelado questiona: Que nos importam os louvores humanos, se nos aguarda uma eternidade feliz?
Ainda de acordo com o Bispo aqui também podem ter aplicação as palavras de São Paulo na segunda Leitura de ontem: "Onde abundou o pecado, superabundou a graça". Não temais! Foram estas as primeiras palavras de São João Paulo II, de saudosa memória, quando fez a primeira aparição na sacada da Basílica de São Pedro.
"A missão dos discípulos do Senhor de todos os tempos é proclamar abertamente a mensagem da salvação recebida. Uma a uma, Jesus vai eliminando a razão da nossa timidez que nos leva a hesitar no caminho. Os que atuam nas trevas têm muito medo à luz do dia. Também nós podemos ser vítimas desta tentação, tomando atitudes de covardia diante dos homens, para não passarmos por dificuldades."
Por fim, Dom Keller enfatiza que não vale a pena fazê-lo, porque tudo será posto à luz do dia, pelo menos no juízo final. Para ele, nem ao menos as ameaças de morte devem nos assustar, pois não podem nos roubar uma eternidade feliz. O Bispo reforça que, de resto, tanto faz partir mais cedo ou mais tarde para o Céu. "Não tenhais medo aos que matam o corpo, mas não podem matar a alma", como nos ensina Jesus no Evangelho do Domingo passado.
Concluindo, o Prelado afirma que a única coisa que nos deve meter medo é o pecado, a infidelidade à nossa aliança com Deus no Batismo. (FB)
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