Lisboa - Portugal (31-01-2018, Gaudium Press) - O arcebispo de Lahore, no Paquistão, Dom Sebastian Shaw está em Lisboa e prestou declarações à Agência ECCLESIA.
O Arcebispo paquistanês tratou, sobretudo, da violência contra os cristãos no Paquistão, que, nas últimas semanas, voltou a crescer.
Cultura de morte
D. Sebastian Shaw lamenta que no seu país, de maioria muçulmana, subsista uma cultura de "morte" contra quem é "diferente".
Uma situação que se patenteou muito no período natalino, ocasião em que um atentado contra uma igreja, em Quetta, causou a morte de 9 pessoas e ainda mais de 50 feridos.
Um ataque terrorista perpetrado em fevereiro de 2017, já havia provocado mais de 130 mortos e 40 feridos graves.
Contexto de insegurança
O contexto de permanente insegurança e que chega à perseguição religiosa levou a que, em várias Igrejas, as missas fossem celebradas só com a construção de "muros de proteção" e a instalação de cercas de "arame farpado" e equipamentos de vigilância como "câmaras de vigilância" e alarmes.
O Arcebispo de Lahore afirmou à agência portuguesa: "Temos de estar em alerta permanente, porque estes grupos vão e vêm, como num jogo do gato e do rato. Viver neste ambiente é muito difícil".
Fé e Missão a desempenhar
Apesar de tudo isso e pode ser que, justamente por causa disso, os cristãos no Paquistão continuam empenhados na defesa e vivência de sua Fé e convictos na esperança de que um dia o ódio, as armas, as bombas, vão dar lugar à paz.
"não ao medo, e não à violência"
"Eu digo sempre às minhas comunidades ‘vocês são a luz', Jesus disse que os cristãos são a luz do mundo. E quando somos luz temos uma missão a desempenhar", narra o bispo Dom Sebastian, que destaca ainda duas máximas que procura transmitir sempre às pessoas: "não ao medo, e não à violência".
"As pessoas perguntam-me depois o que devem fazer. E eu lembro-lhes que Jesus deixou-nos o que fazer. Ele disse abençoados sejam os que constroem a paz. E só quando estamos em paz é que podemos partilhar a paz", sustentou D. Sebastian Shaw.
Lei da blasfêmia
Em suas declarações o Arcebispo contou que um dos principais focos de violência contra os cristãos no Paquistão tem sido a chamada "lei da blasfémia".
Por causa dessa lei, muitos fiéis foram presos e condenados à morte tendo como acusação o fato de supostamente terem atentarem contra o nome de Maomé.
A esse respeito o cao mais conhecido é o de Asia Bibi, uma mulher que está encarcerada há vários anos e que tem visto o seu julgamento sucessivamente ser adiado.
"Muitas pessoas estão conscientes do uso incorreto desta lei. Nós dizemos ao Governo, e também aos nossos estudiosos, que não estamos contra a "lei da blasfêmia". É uma lei e isso é bom. Mas o mau uso da lei tem de parar", diz o arcebispo de Lahore. (JSG)
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