Itália - Roma (Segunda-feira, 14-01-2019, Gaudium Press) A Fontana di Trevi, monumento romano no qual turistas de todo mundo seguem a tradição de lançar moedas quando visitam a cidade eterna, se tornou objeto de uma polêmica decisão por parte da atual prefeitura romana.
Isso porque, desde o ano de 2001, esse dinheiro era doado à Caritas, que destinava o valor a fins sociais, sobretudo ao atendimento dos pobres da capital italiana. Entretanto, a atual prefeita, Virginia Raggi, decidiu que a partir do dia 1º de abril deste ano de 2019, essas moedas terão um novo destino. Através de um edital, elas serão encaminhadas a projetos sociais e a manutenção do patrimônio cultural.
Até o momento, a empresa Acea, encarregada do cuidado e conservação das fontes de Roma, esvaziava periodicamente a água da Fontana di Trevi, recuperava todas as moedas lançadas pelos turistas e as cedia a Cáritas com a supervisão da polícia municipal.
Em seguida, voluntários da Cáritas se encarregavam de limpar, classificar e contabilizar todo o dinheiro antes de levá-lo ao banco, para proceder o seu destino aos diferentes projetos sociais da Cáritas em Roma, que por sua vez tinha a obrigação de enviar um relatório trimestral à prefeitura detalhando o destino do dinheiro e o resultado dos projetos financiados. O montante arrecadado em 2018 chegou ao valor de um milhão e meio de euros.
Com a decisão, a Cáritas de Roma corre um sério risco de não conseguir atender as demandas da cidade que possui cerca de dez mil desabrigados. De acordo com o 'Avvenire', periódico da Conferência Episcopal Italiana, esta decisão "obrigará a reduzir ou fechar muitos serviços para os mais pobres, com previsíveis repercussões sobre o clima social da cidade".
Isso porque, em colaboração com as paróquias, a Caritas administra com esse dinheiro os dormitórios da cidade e oferece uma série de serviços, dentre os quais se destaca a Cittadella della Solidarietà, na Via Casilina, onde há um empório com gêneros de primeira necessidade e uma clínica dentária.
"A pobreza extrema é, na verdade, um problema que diz respeito a todos os cidadãos, não somente às pessoas afetadas: tem impacto na segurança percebida e real, na qualidade de vida, na cidade e em seus espaços, nas relações de proximidade, no sentido de solidariedade. Também afeta a economia e o bem-estar local, porque nos últimos anos cada vez mais jovens são encontrados na rua, ou mesmo pessoas em idade para trabalhar, não privadas de competência, capacidade e educação", diz a Cáritas em nota. (EPC)
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