Aparecida - São Paulo (Terça-feira, 29-07-2014, Gaudium Press) - "Comunicação, desafios e possibilidades para evangelizar na era da cultura digital" foi o tema do 4º Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação (Pascom) e do 2º Seminário Nacional de Jovens Comunicadores realizados no Santuário Nacional de Aparecida, interior do Estado de São Paulo, entre os dias 24 e 27 deste mês.
O evento foi promovido pelas Comissões Episcopais para a Comunicação e Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e teve a participação de cerca de 900 comunicadores católicos de todo o Brasil.
A relevância e os frutos do encontro foram ressaltados pelo arcebispo de Campo Grande (MS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa.
Segundo Dom Dimas, o evento gerou uma grande esperança, pois o número de participantes ultrapassou as expectativas. Segundo ele, a grande adesão havida confirma o que o Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil se propõe: criar uma cultura da comunicação na Igreja no Brasil.
São Palavras do Arcebispo de Campo Grande: "Assumimos a consciência de que vivemos, como disse o papa emérito Bento XVI, num continente digital, passamos a entender que a Internet não é um mero instrumento, mas uma ambiência na qual as novas gerações são formadas. Mais uma vez precisamos adequar a linguagem do Evangelho anunciado para que ele seja interessante e inteligível às novas gerações, sobretudo dos nativos digitais. A Comissão para a Comunicação e Juventude, trabalhando de mãos dadas, só pode produzir bons frutos".
Dom lembrou também a mensagem enviada pelo Papa Francisco, onde ele afirma não ser suficiente a rede de computadores, quando se faz necessário fortalecer a rede de pessoas.
Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais
O presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Dom Claudio Maria Celli participou do Encontro por meio de uma videoconferência, falando diretamente de Roma, quando recordou que a Igreja cresce por meio da atração fraterna, do testemunho.
Segundo Dom Celli, este é o tema forte da teia comunicativa da Igreja. O bispo citou a mudança cultural que as tecnologias oferecem. As tecnologias não são mais instrumentos, mas ambientes de vida onde a Igreja precisa ser presença.
Outros palestrantes
Padre Antônio Spadaro, diretor da Revista Civvittà Cattolica e escritor da área de web, afirmou em sua conferência que "a Internet não existe, a rede não existe! O que existe são pessoas interagindo".
Para o jesuíta, a Igreja não é chamada a ser moderna, mas interpretar teologicamente a rede e compreender como essa realidade está presente no plano de Deus para a humanidade: "Esta é a tarefa para a qual fomos chamados", disse.
Spadaro lembrou que "Comunicação não é mais o envio de uma mensagem, mas a interação. Não há comunicador e receptor, e sim interações".
A Irmã Élide Maria Fogolari, assessora nacional da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação, preferiu fazer uma análise da evolução do encontro. Ele começou com 140 pessoas na primeira edição e viu o número de participantes ser aumentado a cada ano:
"Avalio a partir desse crescimento de participantes que a comunicação está se articulando de forma consciente, profunda e profissional na Igreja do Brasil. Podemos dizer que a comunicação está se concretizando e estamos conseguindo criar a cultura da comunicação que já começa a fazer parte dos valores e da vida e da dinâmica da Igreja", interpretou ela.
O assessor nacional da Comissão para a Comunicação, padre Clovis Andrade de Melo, apontou como o maior fruto do encontro o fato de se perceber que os participantes saem entusiasmados e conscientes da importância da missão de evangelização no ambiente digital:
"Diante das reflexões, desfez-se a ideia de estar em várias redes sociais e entendeu-se que é preciso ser presença de testemunho e coerência no ambiente digital, que isso sim faz a diferença. Não basta colocar conteúdo, é a presença do cristão que testemunha com exemplo e atitude que ganha força maior".
Para Padre Clovis, o encontro recém encerrou, porém tornou-se o início de uma nova etapa para a missão dos comunicadores. (JSG)
Da Redação, com informações CNBB, A12
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