Aveiro - Portugal (Sexta-feira, 11-05-2018, Gaudium Press) - Em uma Nota Pastoral intitulada ‘Quem mais precisa, mais atenção merece', que trata do tema da eutanásia, o bispo de Aveiro faz considerações sobre uma eventual legalização desta forma de matar.

Para o Bispo Dom Antônio Moiteiro, a legalização da eutanásia e sua prática constituem um sinal contraditório e um "retrocesso civilizacional".
O Bispo recorda que, em várias civilizações antigas, como na Grécia e em Roma, a eutanásia era praticada e só com o cristianismo a valorização e a defesa da vida humana se foi afirmando nas sociedades desenvolvidas.
"Todo este patrimônio corre o risco de se perder nos tempos atuais", afirma Dom Antônio Moiteiro, que lamenta que a atenção do Parlamento se centre na discussão sobre a legalização da eutanásia:
"O que deveria estar sendo discutido seriam os modos de atuar para minorar o sofrimento e a dor de quem está perante o limite e a fragilidade", afirma.
O bispo de Aveiro entende que a eutanásia, enquanto antecipação da morte, "não poderá, de modo algum, considerar-se uma resposta humanamente adequada".
"Ela significa abandono, desistência e incapacidade de responder com o cuidado humanizado em favor de quem se encontra em situação de debilidade".
A nota pastoral considera a experiência dos países que legalizaram a eutanásia, alertando para seu "efeito de rampa deslizante":
"Depois de legalizada, a eutanásia torna-se um horizonte que atinge todos aqueles que, um dia, venham a necessitar dos cuidados de saúde. Não apenas como uma possibilidade, mas como uma tentação: a de eliminar quem passasse a sentir-se como um peso para si próprio e para os demais", sublinha Dom Moiteiro que considera um "erro" colocar ao abrigo da lei uma prática que "não acrescenta humanidade as serviços de saúde": "A vida humana é inviolável", insiste.
Proposta do Bispo
O bispo de Aveiro propõe, como alternativa, uma maior aposta nos cuidados paliativos e continuados, com políticas que "favoreçam a criação do estatuto do cuidador".
"A eutanásia é a escolha de uma ideia de sociedade em que cada um não se pensa como alguém em relação com os demais, mas fechado sobre si mesmo. A cultura do cuidado não pode desistir, perante tal visão", diz a Nota Pastoral.
A conclusão do Bispo de Aveiro é muito clara:
"Uma sociedade será tanto mais moderna e avançada quanto melhor cuidar dos seus elementos mais vulneráveis, criando leis e normas que impeçam o mais forte de exercer o seu poder sobre o mais fraco". (JSG)
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