França - Paris (Segunda-feira, 27-05-2019, Gaudium Press) Ainda sob os efeitos emocionais do incêndio em Notre-Dame em dias passados, é fácil compreender como são transcendentais esses ‘para-raios' do mundo contemporâneo chamados mosteiros de clausura, e neste marco uma fundação ocorrida há 400 anos adquire toda sua relevância, também na capital da França.
Apesar de que eram muitas as pessoas e as personalidades que desejavam a fundação da Monjas Visitandinas à Paris, quando as coisas são de Deus, não falta a oposição do demônio, e quase se diria que não deve faltar. Quase se diria que esta oposição é selo de virtude, de que a obra é de Deus. Efetivamente, um grupo de pessoas se deu a tarefa de convencer ao Cardeal de Retz, Arcebispo de Paris, que recusasse sua permissão para a instalação na capital francesa destas religiosas de hábito negro, então ‘novas'.
O Arcebispo, pressionado, quis alguns compromissos da Madre Joana Francisca de Chantal, que doce mas firme previu à Sua Eminência, que primeiro retornariam as religiosas "antes que violar nossas regras e ao nosso instituto"1. O que queria em concreto o Cardeal, e não apenas ele? Que as religiosas de clausura se fundissem com outra comunidade, as ‘haudriettes'. Mas não é a hierarquia a criadora artificial de carismas, e a fundadora se opôs.
Entretanto, estas dificuldades foram superadas, e felizmente se chegou no dia 1° de maio de 1619, quando uma multidão presente em uma casa do bairro de Saint-Marceau, propriedade oferecida por Madame de Gouffiers para a instalação das visitandinas na Cidade Luz, e com a augusta presença do Bispo de Genebra, hoje São Francisco de Sales, se erigiu a primeira visitação à Paris. Desde então, quatro séculos. O atual mosteiro, localizado na Avenidad Denfert Rocherau, existe desde 1840.
É claro, as dificuldades começaram, "os primeiros tempos são de uma grande dureza".2 Mas enfim, essa é a vida, e quem tem a Deus, isso basta.
Por ocasião dos quatrocentos anos da chegada das Monjas visitandinas a Paris, de 18 de maio passado até o dia 22 de dezembro, se realiza no Museu da Visitação em Moulins a exposição "A Paris das Visitandinas", uma mostra de objetos que revelam a vida destas monjas de clausura, e que são também ocasião para seguir a interessante e às vezes dura história parisiense que estas religiosas tem vivido em suas entranhas.
Na última quinta-feira, 23, se celebrou no mosteiro parisiense da Visitação a "Grande Jornada Jubilar", que foi iniciada com uma Santa Missa presidida por Dom Podvin, assistente da Ordem da Visitação para França, seguida de um almoço e uma exposição magistral na capela do mosteiro.
Visitandinas - Carisma
A Ordem da Visitação de Santa Maria é um instituto religioso de vida contemplativa fundado por São Francisco de Sales e Santa Joana Francisca de Chantal em 1610 em Annecy, França. Vivem as monjas os conselhos evangélicos de pobreza, obediência e castidade, buscando a renúncia interior às vaidades do mundo, honrando a Virgem no mistério de sua visitação. Estão em 31 países, e ainda que organizados em federações, cada mosteiro é autônomo. (EPC)
1 Marguin, D. Picaud, G. Foisselon, J. Je vous salue... Paris - Le Premier monastère parisien la Visitation 1619-2019. Musée de la Visitation. 2019. p. 25.
2 Idem.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 296, Agosto 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 295, Julho 2026
Quem são os Arautos do Evangelho?
Auxílio dos Cristãos
Músicas Natalinas