O Arcebispo de Vancouver, Canadá, Dom Michael Miller, ex-secretário da Congregação para a Educação Católica, explicou em entrevista à The Cardinal Newman Society a relação que existe entre a educação católica e a educação da família, esta última um requisito indispensável para a primeira.

“Famílias mais fortes fazem uma melhor educação católica”, expôs o Prelado. “Famílias mais débeis debilitam o tecido”.

“Seria insensato para nós esperar uma grande educação católica se nosso sistema familiar é débil”, afirmou.

A família e a educação católica “trabalham em proporcionalidade direta. Então, quanto mais forte é a família, mais forte é a escola. Quanto mais débil é a família, quase inevitavelmente será débil a escola”.

A escola não pode substituir os pais

O Prelado insistiu que não é possível substituir o dever fundamental dos pais de educar os seus filhos e ensinar-lhes a fé.

Esta realidade tem sua base na grande importância psicológica, moral e espiritual da missão dos pais.

Imaginar que uma escola possa recuperar e substituir o tempo que os pais devem dedicar aos filhos parece simplesmente insensato. Os pais são os primeiros e fundamentais educadores de seus filhos, isto não é algo que eles possam negociar ou outorgar a alguém mais.

Desta maneira, as famílias não só devem ver-se a si mesmas como igrejas domésticas, mas também como um tipo de escola.

É uma escola da virtude onde você primeiro aprende sua humanidade, o que significa ser amado por Deus ao sentir-se amado por seus pais. Se você não aprende a perdoar, se não é amável, se guarda rancores na família, esta é a maneira como você será com os demais.

A missão das escolas católicas, portanto, é secundária diante da missão das famílias e, em palavras de Dom Miller, as instituições educativas católicas são “reforçadas pela família”.

O Arcebispo, além de advogar pela missão da família na educação dos filhos, recordou a importância de que as escolas católicas fomentem o aspecto espiritual que é frequentemente ignorado em outras instituições educativas.

“Nós temos fome e sede de Deus. Nossa vida está feita para encontrar seu sentido e sua plenitude n’Ele e, se isto não está presente dentro da escola, você retira uma grande parte de quem a pessoa humana é e pretende que isso não existe”, explicou o Prelado.

Nós esperamos mais de nossas escolas precisamente porque são extensões da família e operam para a família.

As escolas católicas deveriam ter algo dessa atmosfera e significado, e, portanto, elas têm que encarregar-se da criança em plenitude.

De outra maneira, há um vazio enorme, algo terrivelmente importante que é omitido.