México - Cidade do México (Quinta-feira, 20-12-2018, Gaudium Press) O Centro Católico Multimídia (CCM) divulgou recentemente um relatório de 18 páginas no qual analisa a crescente violência contra sacerdotes no México entre os anos de 2012 a 2018.
O documento apresenta 26 casos de sacerdotes assassinados no país no último sexênio e de dois sacerdotes que continuam desaparecidos. Além de cinco tentativas de sequestros contra sacerdotes e a explosão que ocorreu em frente à sede da Conferência Episcopal Mexicana na Cidade do México, na madrugada do dia 25 de julho de 2017. A maior parte desses casos permanece sem esclarecimentos legais.
Em declarações ao Grupo ACI, o Padre Omar Sotelo, diretor do CCM, enfatizou que "o México há 10 anos é um dos países mais perigosos para exercer o sacerdócio". E prosseguiu, "este ano, na América Latina, foram assassinados, se não me engano, 14 sacerdotes. Sete desses, no México".
Ao longo dos 10 anos que o CCM prepara e publica seus relatórios, os casos de violência tem aumentado gradativamente. Inicialmente esse documento era simples, "mas começamos a ver que a situação de criminalidade, os ataques ou assédios contra os ministros da Igreja estavam aumentando, por isso queríamos fazer as investigações mais exaustivas", explicou.
Segundo o Padre Sotelo, apesar da situação de violência generalizada no país, com mais de 24 mil homicídios somente em 2018, "o ataque aos ministros religiosos é muito mais perigoso", pois, embora "não possamos falar de uma perseguição religiosa como tal, é um assédio direto porque o sacerdote é um estabilizador social".
"Quando nas comunidades atentam, atacam, assediam, sequestram, assassinam e difamam um ministro de culto, não só assassinam uma pessoa, atentam contra uma instituição, a qual estabiliza uma comunidade, que dá segurança, que presta serviços não só espirituais, mas de saúde, de direitos humanos, educativos, formativos, etc.", advertiu.
Quando um sacerdote é assassinado ou está desaparecido, a comunidade e a instituição são desestabilizadas, as populações ficam à mercê de "uma situação de terror, uma cultura de terror, de silêncio, de corrupção. É assim que funciona o crime organizado", ressaltou.
Os assassinatos dos sacerdotes no México "não são consequência da violência organizada. A violência organizada é precisamente a consequência do desaparecimento, da desestabilização da sociedade, onde autoridades morais, como sacerdotes ou líderes de opinião, como jornalistas, se deslocaram, deixando o caminho para que cresça o crime organizado", alertou.
Padre Sotelo também frisou a importância de se "divulgar que este fenômeno não é algo passageiro, consequência da simples violência doméstica", nem se trata de "crimes de pouco impacto". É necessário, "ver o que está acontecendo em sua verdadeira dimensão".
Concluindo, recordou que os fiéis também têm um papel fundamental para enfrentar a violência contra os sacerdotes, pois a vida da paróquia não é apenas aos domingos, mas "sempre e em todo momento. Devemos tornar estas situações visíveis. Divulgar, denunciar e também acompanhar a vida da paróquia". (EPC)
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