Rio de Janeiro (Quinta-feira, 07-02-2019, Gaudium Press) Na última segunda-feira, 04 de fevereiro, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) ajuizou uma Ação Civil Pública "para que o município do Rio retire da Praça Milton Campos, no Leblon, um oratório religioso construído irregularmente no local e para impedir a construção, em caráter permanente, de novos oratórios religiosos no interior das praças públicas da cidade".
De acordo com o MPRJ a construção desse oratório de Nossa Senhora Aparecida havia sido autorizada em caráter temporário no ano de 2017, por ocasião dos 300 anos da aparição da imagem da Padroeira do Brasil. E "a Prefeitura manteve a estrutura no local, com a consequente realização de cultos em local público".
A Paróquia Santos Anjos, do bairro Leblon, se manifestou através das redes sociais destacando que o terço rezado todas as quartas-feiras na parte da manhã faz parte de uma tradição de mais de 12 anos.
O pároco, Padre Thiago Azevedo, acredita que esse é um típico caso de intolerância religiosa, pois o Ministério Público se mobilizou após a denúncia de uma única pessoa. O sacerdote explicou que a iniciativa de erguer na praça um pequeno oratório em honra a Nossa Senhora Aparecida surgiu do grupo de oração, que através de um abaixo assinado com mais de mil assinaturas, conseguiu autorização legal para a instalação do oratório com a imagem. A permissão foi inclusive publicada no Diário Oficial do Município.
Já o Padre Augusto Bezerra, que também pertence à Arquidiocese do Rio de Janeiro, ressaltou que a ação movida pelo Ministério Público pode ser interpretada como um "atentado à liberdade religiosa".
O sacerdote esclarece que "os símbolos religiosos não são mera manifestação de Fé. Tais símbolos fazem parte da história de um povo, de valores de seus cidadãos, são bens materiais e imateriais para uma gente que sofre, que chora, que reza, principalmente quando as mãos assassinas de políticos corruptos esmagam suas vidas contra o chão dessa Terra de Santa Cruz".
"E, às vezes, é uma prece diante de um símbolo religioso, ou uma mera contemplação de seu significado que lhe dá a força para não desesperar e lutar por mais um dia. Entende que aí é muito mais do que a Fé? A sociedade sobrevive diariamente dessa esperança que um pequeno ato de Fé gera!", destacou.
Padre Bezerra fez ainda a seguinte reflexão: "quantos bens para uma sociedade vem dessa gente que crê. Já não bastam seus sofrimentos extenuantes numa nação depredada e quer lhes tirar até o que lhes consola, conforta, reanima e encoraja?".
"Imagine se quando o Cristo Redentor estivesse sendo instalado aparecesse um promotor para proibir de ser instalada aquela que um dia se tornaria uma das 7 Maravilhas do Mundo e que aporta ao nosso município não só o símbolo da esperança e da Fé do povo brasileiro, mas riquezas que vem pelo turismo e gente de toda parte do mundo para admirar", questionou.
Concluindo sua mensagem, o sacerdote garantiu que todos se reunirão "para contestar publicamente a falsa tese de estado antirreligioso que se esconde por detrás do jargão 'estado laico', provando assim a nossa tolerância e convívio pacífico que estão na base de nossa unidade nacional como estado de direito, garantidor da liberdade religiosa".
Nas redes sociais, os fiéis lançaram uma campanha com a hashtag #ASANTAFICA, manifestando o desejo de que o oratório de Nossa Senhora Aparecida permaneça no local. (EPC)
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