Londrina - Paraná (Segunda-Feira, 23/12/2013, Gaudium Press) Dom Orlando Brandes, arcebispo da arquidiocese de Londrina, no Estado do Paraná, escreveu um artigo em que ele afirma que o Natal é uma festa sagrada e de uma novidade inaudita. Para ele, é fascinante o humanismo de Deus, sua humildade, sua humanidade, pois é o Deus Menino, envolto em faixas, na estrebaria de Belém.
Segundo o prelado, o presépio não é enfeite, é mistério dos mistérios, e Jesus é divino e humano "sem confusão, sem mutação, sem divisão, sem separação" da natureza humana e a divina. Ele é a "gramática que nos faz compreender quem é Deus" (L. Bass). O arcebispo reforça que nós aprendermos a ser humanos, ser irmãos e ser filhos de Deus, com Jesus.
Ainda conforme dom Orlando, santo é o Natal porque Deus não temeu a matéria, o corpo, a encarnação. Ele destaca que Deus Onipotente se fez pobre, frágil, pequeno em Jesus, e o que nos enriquece é a pobreza de Jesus, pois nele vemos o invisível e o encontramos na nossa carne, por isso, "tocar num pobre é tocar em Jesus" (Papa Francisco). De acordo com o arcebispo, Jesus transforma nosso estábulo interior em santuário, e eis que surge a santidade do Natal: a humanização de Deus e divinização do homem.
"Olhemos bem no fundo dos olhos do Menino de Belém, para ver no seu rosto quem é o Pai e quem nós devemos ser. Deus não quis aparecer como poderoso. Preferiu o esvaziamento, a estrebaria, a periferia, a pobreza. A inocência do Menino veio para calar a voz da corrupção. A fragilidade da criança veio para vencer a violência e potencializar a ternura. Natal é confraternização, é festa da comunicação, é a confirmação da dignidade humana, é encontro, é experiência de amor incomensurável e inefável", completa.
Dom Orlando também explica que a estrela de Belém ilumina o caminho do bem, dissipa as trevas, traz a luz sem acaso. Para ele, não pode haver indiferença nem comércio diante da santidade do Natal. No presépio está a carícia divina. Segundo o arcebispo, o menino choraminga entre o asno e o boi, ele trocou o céu pela estrebaria. "Deus tossiu, Deus sugou o leite materno, precisou de fraldas. Que mistério insondável e inefável", avalia.
"O presépio nos enche de assombro, fascínio, atração. Pobres e ricos, judeus e pagãos, todos os povos sentem-se seduzidos pelo mistério do Natal, pelo Menino de Belém. Um Deu que é frágil, pequeno, próximo, intimo a todos nós só pode nos fascinar. Natal é a festa da proximidade de Deus. Ele está no meio de nós como um amigo, um companheiro, um de nós. Ele está mais ocupado conosco do que nós mesmos. Nosso interior é presépio, é altar, é trono, é santuário, é morada de Deus."
Já com relação a manjedoura, o prelado afirma que ela abalou o trono, o Menino perturbou o rei Herodes, mas os que o receberam tornaram-se filhos de Deus. O arcebispo ressalta que Maria, José, os pastores, os magos e todos que tem fé são benditos, junto com Simeão e Ana porque têm fé em Jesus, que é uma atração irresistível, é o homem perfeito e a imagem do Pai. Dom Orlando nos pede para termos os olhos fixos nele e nos deixarmos cativar pelo seu olhar. Conforme ele, o Papa Francisco nos pede proximidade. Então aproximemo-nos de nossos irmãos, assim como Deus aproximou-se de nós.
Por fim, o arcebispo nos lembra que nossas feridas são o presépio preferido por Jesus, pois ele é remédio, cura, libertação. O prelado salienta que encontramos Deus dentro de nossas feridas, e que devemos pedir para que Ele as transforme em experiência de amor, de conversão e de alegria. Ele afirma que nossas fraquezas são santuários de encontro com Deus, conosco mesmos e com os irmãos, pois são elas que nos tornam humildes, compreensivos com os outros, e adoradores de Deus.
"Neste Natal deixemos Jesus cristificar todas as áreas de nossa personalidade e fazer de nós novas criaturas, dar-nos um novo ser, novos pensamentos, novos sentimentos, nova vontade, nova personalidade. A todos um Santo Natal", conclui. (FB)
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