Uruguaiana - Rio Grande do Sul (Quarta-Feira, 05/02/2014, Gaudium Press) "Laicidade ou Laicismo?", este é o título do artigo de dom Aloísio A. Dilli, bispo da diocese de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Em sua reflexão, o prelado afirma que nos últimos tempos assistimos a manifestações, muitas vezes de grupos minoritários, em que é usada, indistintamente, uma linguagem que confunde laicidade e laicismo para justificar qualquer forma ou atitude de vida, criando confusões e perplexidade em muitas pessoas, sobretudo para quem segue por caminhos de inspiração religiosa.
Segundo o bispo, a Congregação para a Doutrina da fé nos ajuda a esclarecer a questão: "A laicidade entendida como autonomia da esfera civil e política em relação à esfera religiosa e eclesiástica, nunca na esfera moral, é um valor adquirido e reconhecido pela Igreja" (As Razões da Fé na Ação Evangelizadora - CNBB - Subsídios Doutrinais 7, p. 80).
Portanto, avalia dom Aloísio, a Igreja reconhece a laicidade com sua autonomia de expressão, porém não se anulam com isso as responsabilidades morais, e é provado que a ética, sendo acompanhada por valores como a fé e a caridade, possui bem mais condições de responder aos problemas da vida humana. Para o prelado, neste contexto da chamada laicidade, surgem afirmações e comportamentos que, a pretexto de laicidade, podem ser identificados como laicismo, entendido este, como atitude hostil à religião, a qualquer manifestação religiosa, como a presença de símbolos religiosos em espaços públicos.
"O que nos faz lembrar a recente movimentação contra a presença da cruz em repartições públicas. Estas pessoas ou grupos desejarão tirar o Cristo do Corcovado ou mudar o nome dos Estados de São Paulo, Santa Catarina e do Espírito Santo? O laicismo não somente demonstra antipatia pela religião, mas quer erradicá-la da vida pública, por vezes com atitudes radicais e agressivas que até contradizem as bandeiras minoritárias que defendem", completa.
Ainda de acordo com o bispo, da parte da Igreja há o reconhecimento da autonomia do Estado em relação a todas as religiões, mas o Estado democrático, mesmo sendo multicultural, eleito legitimamente, não pode ser considerado ateu, pois os cidadãos que representa, professam credos religiosos e merecem respeito e não podem ser influenciados ou manipulados por minorias, pois referir-se a Deus não significa priorizar alguma religião, mas se trata de defender o direito das religiões professarem sua crença e celebrarem seus ritos.
"Não basta, portanto, a simples liberdade religiosa para garantir a plena liberdade de todos os cidadãos, que está baseada em valores universais comuns a todo gênero humano. Dessa forma a religião deixa de ser tratada exclusivamente no mundo do privado e do subjetivo, como tantas vezes se pretende difundir e generalizar, sobretudo, através da grande mídia", salienta o prelado.
Dom Aloísio também explica que a laicidade deve ser compreendida hoje como busca de uma interação equilibrada entre pensamento religioso e secular. Conforme ele, pelo fato de ser democrático, o Estado não pode excluir a religião das grandes questões que envolvem a vida da sociedade como, por exemplo, a bioética, a natureza humana, a família, a educação, a secularização, inclusive a finalidade da própria política, como serviço ao bem comum.
Por fim, o bispo recorda uma afirmação de Bento XVI: "Não impomos a fé a ninguém. Um semelhante gênero de proselitismo é contrário ao cristianismo. A fé pode desenvolver-se unicamente na liberdade. Mas é à liberdade dos homens que apelamos para que se abram a Deus, o procurem, o ouçam" (Idem, p. 80).
"A Igreja recebeu a graça e o dever de tornar a fé em Jesus Cristo acessível a todos os que estão à procura de Deus, ou estão abertos para o diálogo a respeito da fé. E lembremo-nos sempre que o cristianismo se difunde, não por proselitismo, mas pelo testemunho de vida no amor", conclui. (FB)
Outubro de 2026, nº 298
Setembro de 2026, nº 297
Agosto de 2026, nº 296
Quem são os Arautos do Evangelho?
Auxílio dos Cristãos
Músicas Natalinas