Redação - (Segunda-feira, 05-05-2014, Gaudium Press) - Em um artigo intitulado "O mundo e a Igreja", Dom Alberto Taveira, arcebispo de Belém do Pará, referindo-se ao dia da canonização de João XXIII e João Paulo II, no dia da Divina Misericórdia, comenta as relações da Igreja com o mundo, a importância de não se omitir e a necessidade de ser o que ele define como santo. Aqui transcrevemos trechos dos comentários do prelado:
"A Igreja de Jesus Cristo saiu literalmente à Praça Pública, no dia da canonização de São João XXIII e São João Paulo II, dois papas de nossa geração, testemunhas das muitas vicissitudes e alegrias do tempo desafiador e maravilhoso em que nos encontramos", disse o arcebispo em suas primeiras palavras.
Parra ele, o "Papa Francisco salientou em sua homilia da Missa da Festa da Divina Misericórdia que João XXIII e João Paulo II não tiveram medo de se defrontar com as chagas do mundo e de sua geração. João XXIII quis abrir as janelas da Igreja para que o sopro do Espírito se espalhasse, a fim de alcançar todos os homens e mulheres. João Paulo II, além de todo o empenho pela Evangelização, o missionário mais ardoroso de que temos conhecimento nos últimos tempos, foi ao encontro das pessoas, conversou com todos, não fugiu das situações mais dolorosas da Igreja e do Mundo".
Sobre a fragilidade humana e força de Deus, esperança e felicidade, ele salientou: "A chave que abre as portas da esperança e da felicidade é justamente o reconhecimento simultâneo das fragilidades humanas e da força de Deus. Aquele que pode abrir o livro da vida das pessoas e da história humana é Jesus Cristo, o Cordeiro Imolado, o Santo de Deus. Só Ele tira o pecado do mundo (Cf. Ap 5, 1-8). Como Deus não nos fez para amassar barro na maldade e no egoísmo, o desejo de ser puros e santos atrai a todos". (...)"Por isso, apresentar a Boa Nova de Jesus Cristo, malgrado todos os pecados do mundo, é a estrada mestra para todos, sem exceção".
Testemunho: oferecer ao mundo uma presença qualificada
"As imagens do dia da Divina Misericórdia eram suficientemente eloquentes para nos convencermos de que a Igreja tem uma palavra e um testemunho a oferecer ao mundo. Trata-se de sua missão, na qual não pode se omitir. Ela deve ser anunciadora da verdade e lutar pela dignidade das pessoas, assim como há de mostrar que o melhor para todos é o amor ao próximo e o amor a Deus. Ao mostrar este caminho, que tem o nome de santidade, a Igreja e os cristãos aprenderão a se confrontar com as realidades humanas, inclusive quando as diferenças vêm à tona". Sublinhou Dom Taveira, acrescentando em seguida:
(...) A luz do Evangelho é o que existe de melhor para o mundo. Nada de omissão. Sejam, pois, superados os eventuais complexos de inferioridade com os quais muitos cristãos se apresentam diante das estruturas do mundo. Cresça a presença qualificada dos cristãos nos diversos campos profissionais. Amadureça sua capacidade de dar razão da esperança, segundo o caminho proposto pelo Apóstolo São Pedro: "Se tiverdes que sofrer por causa da justiça, felizes de vós! Não tenhais medo de suas intimidações, nem vos deixeis perturbar. Antes, declarai santo, em vossos corações, o Senhor Jesus Cristo e estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir. Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência" (1 Pd 3,14-16)".
Quem é santo
O Arcebispo definiu o que seja um santo: "Mas o que fazer para ser santo? Santo é quem olha ao seu redor e não se cansa de colher as flores e os frutos da árvore da vida, plantada pelo próprio Deus. Santo é quem não receia olhar nos olhos dos outros e ver o brilho que neles se acende. Santo é quem não se rende diante da maldade, mas persevera na busca do bem e dá nome ao bem que encontra. Santo é quem se convence de que Deus só sabe amar e olha para as pessoas com amor infinito. Santo é quem gosta do bem, da beleza, da verdade."
Santidade inigualável: São José e Nossa Senhora
Dentro dessa ideia, o prelado Belém continuou com seu pensamento: "Nestes primeiros dias do mês de maio, venha em relevo um campo específico, no qual a santidade pode e deve crescer, o do trabalho. Ninguém separe sua vida de fé das suas atividades profissionais, sejam quais forem. E vale oferecer, justamente para o trabalho, dois outros sinais esplêndidos. Trata-se de Maria, Mãe do Redentor, uma simples Mãe de Família, no mês que lhe é dedicado. Outro é São José, o operário! As duas figuras, indispensáveis na vida cristã, foram mundo e Igreja, mãos que trabalharam e santidade inigualável."
Com a afirmação de que "Os dois santos, apenas canonizados, souberam oferecer tais exemplos e deles foram devotos. É a hora da Igreja, é a hora do mundo, a quem o Senhor Jesus oferece a salvação, pelos méritos de sua paixão, morte e ressurreição. Ninguém desperdice o tempo de Deus, que se chama hoje!", concluiu Dom Taveira seu artigo. (JSG)
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