Camaçari - Bahia (Segunda-feira, 09-12-2013, Gaudium Press) Em entrevista exclusiva para a Gaudium Press, o Bispo da Diocese de Camaçari, na Bahia, e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, Dom João Carlos Petrini, afirma que o Advento é "o tempo da espera, de que Deus, na sua infinita misericórdia, realiza o que prometeu através dos profetas".
Dom Petrini explica que a coleta do primeiro domingo de Advento nos impulsiona a pedir a Deus "o ardente desejo de possuir o reino celeste", pois o tempo litúrgico "valoriza os desejos mais profundos do coração humano", os mesmos "que deixavam inquieto o coração de Santo Agostinho, até encontrar o descanso no Senhor".
"É o próprio Deus que coloca esses desejos infinitos de paz, de felicidade, de amar e de sermos amados. Trata-se de desejos para os quais o mercado não tem nada a oferecer, nem a ciência e nem mesmo o melhor governo pode providenciar as respostas a esses desejos, pois eles são de tal modo infinitos que somente algo ou Alguém infinito pode responder adequadamente a eles", disse.
O Bispo de Camaçari lembra que, durante o Advento, a Igreja convida seus fiéis a se preparar, com o coração, para acolher o Nosso Senhor Jesus Cristo, pois "Ele chega como uma água que jorra para a vida eterna", tomando consciência da escuridão que paira sobre nossas almas e neste mundo.
Sintetizando ainda mais seu pensameto, Dom Petrini usa o exemplo de São Bernardo de Claraval, que descreve as três chegadas do Senhor: "a primeira, quando nasceu ‘do ventre de uma mulher' (contida na Carta de São Paulo aos Gálatas), como um pobre na gruta de Belém. A segunda vinda do Senhor acontece no final de tudo, quando virá como Juiz. E a terceira vinda, acontece a cada momento, dentro de cada circunstância, na raiz de cada encontro, de cada acontecimento, como Ele mesmo tinha prometido que estaria conosco todos os dias até o fim dos tempos".
Esta vinda, comenta o prelado, exige de nós atenção e vigilância, para que possamos aprender a reconhecer os sinais da presença do Nosso Senhor.
O Advento e a Festa da Imaculada Conceição
Não é por acaso que nós comemoramos o tempo do Advento no mesmo período da Festa da Imaculada Conceição. Para Dom Petrini, "se, de um lado, é o Pai que domina o tempo do Advento pela promessa de paz e de felicidade",enviando seu Filho para nossa salvação, "do outro, o grande acontecimento da Encarnação do Verbo só se realiza pela disponibilidade da Virgem Maria".
"O ‘sim' de Maria inaugura a nova humanidade, que tem amor e estima pela vontade de Deus: ‘Faça-se em mim segundo a vossa palavra'".
E como os fiéis devem se preparar para viver da melhor forma este tempo Litúrgico? O prelado garante que a melhor maneira para refletirmos este período "é darmos tempo a oração e ao silêncio, entrando na escola de Maria para aprendermos nela a abertura do coração e da inteligência do Senhor".
"Para isso, é muito importante pedir perdão dos próprios pecados no sacramento da penitência, de modo a oferecer um coração limpo para acolher Jesus", aconselha.
A família no sentido do Advento
Sobre a família, um dos temas que o Bispo de Camaçari possui propriedade para discernir, também foi tratado durante a entrevista.
De acordo com Dom Petrini, "quando Deus chegou em nossa realidade humana, decidindo entrar em nosso horizonte de percepção, podendo ser ‘visto, ouvido e tocado', escolheu uma família humana".
O prelado acredita que "Jesus quer renovar a alegria na nossa vida, suprindo as nossas deficiências e corrigindo nossas limitações, para que também a nossa vida tenha alegria".
A sugestão do Bispo para as famílias, durante a vivencia deste período de Advento, é dedicar mais tempo aos nossos entes, "partilhando nossa vida, e de maneira especial, a graça que Ele nos dá quando reavivamos a Fé e compreendemos a maternidade, a paternidade e o amor entre os esposos como realidades humanas que Jesus Cristo abraça e valoriza, fazendo delas sinais de sua presença entre nós".
"É fundamental reservarmos a cada dia alguns momentos para a oração, agradecendo e pedindo a Deus, de acordo com as circunstâncias que cada família vive", completa.
Finalizando a entrevista, Dom Petrini recomenda os fiéis a valorizar os símbolos cristãos do Natal.
"Fazer um presépio, ainda que simples e modesto, e reunir a família para momentos de oração e para recordar as circunstâncias e os personagens do acontecimento mais importante da história, a partir do qual contamos os anos, ajuda a não descaracterizar o Natal, antes, a vivê-lo em sua beleza e verdade", concluiu.
Por Leandro Massoni Ilhéu
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