Maringá - Paraná (Quinta-Feira, 27/02/2014, Gaudium Press) "Não basta olhar! É preciso agir" é o título do artigo de dom Anuar Battisti, arcebispo de Maringá, no Paraná. No texto, ele lembra que em setembro de 2013 o Papa Francisco em visita à diocese de Caglari encontra com os pobres e presos e diz: "Sentimos aqui de maneira forte e concreta que todos somos irmãos. Aqui o único Pai é o nosso Pai celeste, e o único Mestre é Jesus Cristo. Então, a primeira coisa que desejo partilhar convosco é precisamente esta alegria de ter Jesus como Mestre, como modelo de vida. Olhemos para Ele. Aqui ninguém é melhor que o outro. Diante do Pai somos todos iguais, todos!"
De acordo com o arcebispo, neste mês de fevereiro ele e o padre Manoel Silva Filho, da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, foram visitar as famílias abrigadas provisoriamente na escola rural Delfim Moreira - uma escola abandonada, sem as mínimas condições para abrigar seres humanos. Para ele, neste caso - e em toda a problemática da falta de moradia popular - não se trata de buscar culpados e sim buscar a solução. "Se alguém está passando fome, precisamos dar de comer. Se alguém está doente, precisamos encaminhar ao médico. A dignidade humana passa pelo estômago para chegar a uma moradia digna, à educação, à saúde, ao direito de viver", completa.
O prelado recorda que naquela visita o Papa Francisco afirmou que, também em casos como este, o caminho é um só, o amor. "Eis o caminho do amor: não há outro. Por isso vemos que a caridade não é um simples assistencialismo, nem sequer um assistencialismo para tranquilizar as consciências. Não, isso não é amor, é comércio, é negócio. O amor é gratuito. A caridade, o amor é uma escolha de vida, é um modo de ser, de viver, é o caminho da humildade e da solidariedade."
Conforme Dom Anuar, o pontífice também salientou o seguinte: "Não há outro caminho para este amor: ser humildes e solidários. Esta palavra, solidariedade, nesta cultura do descarte - o que não serve deita-se fora - para permanecer apenas os que se sentem justos, que se sentem puros, que se sentem limpos. Coitados. A humildade de Cristo não é moralismo, um sentimento"
Ainda segundo as palavras do papa, a humildade de Cristo é real, é a escolha de ser pequeno, de estar com os pequeninos, com os excluídos, de estar entre nós, todos pecadores. Ele salienta que atenção, não é uma ideologia, é um modo de ser e de viver que nasce do amor, nasce do coração de Deus, mas não é suficiente olhar, é preciso seguir!
"Jesus não veio ao mundo para fazer um desfile, para se mostrar. Jesus é o caminho, e um caminho serve para caminhar por ele, para o percorrer. As obras de caridade com caridade, com ternura e sempre com humildade! Alguns apresentam-se bons, da sua boca só saem palavras sobre os pobres; outros instrumentalizam os pobres para interesses pessoais ou do próprio grupo. Eu sei, isto é humano, mas não está bem! Não é de Jesus. E digo mais: isto é pecado! É pecado grave, porque é usar os necessitados, os que estão em dificuldade, que são a carne de Jesus, para a minha vaidade. Uso Jesus para a minha vaidade, e isto é pecado grave! Seria melhor que estas pessoas ficassem em casa." (Papa Francisco).
Por fim, dom Anuar afirma que, diante do que viu e refletindo sobre as palavras do Papa, não podemos ficar de braços cruzados diante de situações graves como esta das famílias na escola rural Delfim Moreira. Para ele, a prioridade é dar dignidade às crianças, a começar pelo direito de frequentar a escola, de se alimentar com dignidade, de ter um lugar digno para dormir e brincar.
"É dever das autoridades constituídas trabalharem pelo bem comum de todos, principalmente dos mais vulneráveis. Volto repetir que não se trata de buscar culpados, e sim a solução. As crianças estão pagando um preço que nunca esquecerão. Eu repeti a eles as palavras de Francisco: 'Coragem! Não vos deixeis roubar a esperança e ide em frente'. Vamos olhar e agir. Que os inocentes não sejam moeda de pagamento pelos erros da nossa sociedade que exclui", conclui. (FB)
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