No início do ano, Nicolás Frias Ossandón – 19 anos, aluno da Universidade Católica de Santiago do Chile – viajou para Colônia a fim de prestar serviços como voluntário na organização da Jornada Mundial da Juventude.
Ali, durante seis meses, travou amizade com centenas de outros jovens idealistas como ele. E teve, num dia rotineiro de trabalho, a maior surpresa de sua vida: recebeu um convite para, junto com outros onze jovens, almoçar com o Papa Bento XVI!
Nicolás dá aos nossos leitores um precioso depoimento a respeito dessa experiência verdadeiramente empolgante.
Arautos do Evangelho: Pouquíssimos homens, mesmo dos mais importantes, recebem um convite para almoçar com o Papa… Como você foi escolhido?
Nicolás: Como fui escolhido, eu também não sei. Um dia, no início de julho, cheguei muito tranquilo ao meu local de trabalho no Callcenter e um amigo paraguaio entregou-me um envelope.
Abri e li a seguinte carta: “Prezado Nicolás, o Papa deseja almoçar em companhia de doze jovens, um par de cada continente. Eu gostaria que você fosse um deles. Por favor, avise-me se você aceita”. Essa carta era assinada por um dos sacerdotes organizadores da Jornada.
AE: E qual foi sua reação?
Nicolás: Bem, lendo isso, fiquei nervoso, parecia-me não ter entendido bem, não acreditava, perguntava-me: “Será uma brincadeira?” Como pode um jovem estudante reagir diante de algo como um convite para participar de um almoço com o Papa?!
AE: Mas, naturalmente, você aceitou…
Nicolás: É claro! Dia 19, na hora marcada estava lá!
AE: Como você e seus companheiros se sentiam antes de começar o almoço?
Nicolás: Quando se anunciou que o Papa estava chegando, fomos todos os doze para o refeitório. O ambiente entre nós era de muita tranquilidade, nos sentíamos muito confiantes. Pouco depois entrou Sua Santidade, alegre e sorridente.
Vendo sobre um carrinho uma torta com o logotipo da Jornada Mundial da Juventude, fez um comentário simpático a respeito dela. Em seguida, cumprimentou-nos um por um, começando por mim, que estava mais perto.
Perguntou-me de onde eu vinha. Respondi-lhe que sou chileno, e logo ele passou a falar em espanhol: “Ah, que bom! Conheço o Chile. Já estive em Santiago, em Antofagasta também, no norte”. E assim foi com os demais, dizendo a cada um coisas parecidas.
AE: E o almoço, como transcorreu?
Nicolás: Olhe, foi muito pouco protocolar. Era como se tivéssemos o costume de almoçar juntos todos os domingos. O Papa escutava o que cada um dizia, e dava respostas de incentivo: “Que bom! Isso me alegra!” Muito tranquilo, fitava os olhos do interlocutor, falando também pelos olhares.
AE: Conte sua impressão pessoal a respeito dele.
Nicolás: Minha impressão é de que ele é um homem muito respeitoso, que não impõe nada, e também muito humilde. Muito amável no trato com as pessoas.
Escuta com interesse o que cada um lhe fala. Impressionou-me também como ele se coloca ao alcance de cada pessoa, de forma muito natural.
Estávamos sentados assim, os doze, conversando… Inclusive, para muitas perguntas que lhe fazíamos, ele começava a responder: “Ah, esta pergunta é muito difícil, mas creio que…” E dava a resposta. Pareceu-me um teólogo muito inteligente.
AE: Que pergunta você lhe fez?
Nicolás: Explicando que ia falar em inglês, porque não falo bem o alemão, perguntei-lhe o que o Papa quer dos jovens em nível mundial, e qual o papel dos jovens na Igreja.
Ele me fitou e começou a responder em alemão. Depois me perguntou: “Prefere que eu fale em inglês?” Respondi-lhe que sim, e ele disse: “Bem, acontece que meu inglês não é bom, mas vou tratar de fazer o melhor que posso”. E passou a falar em inglês.
AE: E que respondeu ele?
Nicolás: O que ele espera dos jovens, como de todos os cristãos em geral, é que não se contentem com o mero conhecimento formal da doutrina, dos Mandamentos e da História da Igreja.
O mais importante é cultivar no dia a dia uma relação pessoal com Cristo. Isto é o que ele queria dizer aos jovens católicos: “Cultivem a relação íntima com Cristo!” Disse também que temos uma responsabilidade muito grande na construção da sociedade do futuro.
AE: Qual foi, na sua opinião, o proveito que os jovens tiraram dessa Jornada Mundial?
Nicolás: Para mim, o grande proveito nessa Jornada foi a experiência de encontrar-me com jovens de todo o mundo que “estão na mesma” comigo, ou seja, pensam como eu, têm a respeito dos problemas da juventude mais ou menos as mesmas ideias que eu tenho.
Porque, como você sabe, a nós jovens de repente nos bombardeiam com muitas coisas que não quereríamos; dizem que todos os jovens são o que, de fato, não queremos ser; e esse bombardeio acaba sendo uma pressão para os jovens serem o que não querem ser.
Agora, eu vou à Jornada Mundial e lá me dou conta de que há muitos milhares de jovens que pensam como eu, querem aventurar-se pelo sublime, no fundo, querem aventurar-se por Cristo.
E daí a alegria de sentir que não estou só, de ver que todos aqueles jovens “estão na mesma” comigo.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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