Sua tese doutoral no “Angelicum” versou sobre “A beleza que salva: a estética em Tomás de Aquino”. Por que analisar sob um prisma tomista um tema tão atual?
A beleza intramundana é a manifestação da Beleza Divina. Há uma só fonte de Beleza, a qual é Deus, que reflete em suas obras a sua própria beleza.
O homem – feito à sua imagem e semelhança –, quando cria, faz um ato análogo ao do Criador. Neste sentido, do tesouro do intelecto humano, o artista é chamado a recriar através da beleza a obra começada pelo Artista Divino.
Seu interesse pela arquitetura foi despertado pelo estudo da beleza em São Tomás, ou foi ao contrário?
É um interesse conjunto, já que a arquitetura é uma manifestação artística estupenda para conhecer o poder da alma humana quando esta aspira a transmitir a beleza. Considere-se, por exemplo, Gaudí.
Interessei-me pela arquitetura quando comecei a aprofundar o sentido artístico e teológico do Templo. Não é fácil fazer uma casa para Deus…
Combinar não só a funcionalidade litúrgica, mas também o conceito religioso junto com o cânon estético, não é nada fácil, mas, isto sim, fascinante. É nesse sentido que a arquitetura religiosa representa a parte mais elevada da alma humana.
De onde lhe vem o interesse pela arqueologia?
A arqueologia é uma grande síntese de minhas inclinações intelectuais: é a História “feita pedras”, é a beleza artística dos monumentos, basílicas e outras coisas que pude escavar, é a vida cotidiana dos cristãos que em muitos casos testemunharam sua fé pela efusão do próprio sangue.
Dos trabalhos até agora realizados, o que mais me agradou foi reconstruir uma civilização como a bizantina em Hatita. Graças ao privilégio de trabalhar nesse sítio arqueológico, pude entender que o Cristianismo foi, é e será uma verdadeira civilização.
Atualmente, o senhor está desenvolvendo um trabalho sobre a iconografia cristã no período pré-constantiniano em Roma. Quais as implicações desse estudo para os dias de hoje?
Temos muitas semelhanças socioculturais com o referido momento histórico.
Naquela época, a iconografia tinha um valor testemunhal; os cristãos manifestavam a fé também por esse modo.
Transmitiam aquilo que criam; neste caso, através da iconografia, pondo ante os olhos a fé vivida para poder assim aprender a reconhecer aquilo que é o essencial do mistério cristão.
Essa maneira de transmitir a fé – ou seja, a iconografia –, pode indubitavelmente servir de modelo para a nova evangelização.
A perseguição, declarada ou velada, que hoje sofre a Igreja nos convida a seguir o exemplo de nossos pais na Fé, fixando a atenção naquilo que sempre foi e será o essencial da vida cristã, ajudando-nos, ademais, a não cair no desalento nem na confusão.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 298, Outubro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 296, Agosto 2026
Quem são os Arautos do Evangelho?
Auxílio dos Cristãos
Músicas Natalinas