Ler envolve “o prazer de se desligar do mundo”, declara à agência Deutsche Welle Thomas Anz, professor de Psicologia na Universidade de Marburg, Alemanha, e autor de um livro sobre a leitura. 

Mais ainda, podemos acrescentar que o hábito de ler enobrece nosso espírito e nos eleva a panoramas culturais mais universais. 

A leitura é também a descoberta de afinidades intelectuais. “É como o prazer de jogar, mas neste caso se expressa através da relação que o leitor estabelece com o autor”, diz o Prof. Anz. 

No entanto, se ela é tão prazerosa, por que as pessoas leem tão pouco? Responde o psicólogo: “Como os jogos, a leitura precisa ser treinada. Muitos desistem na fase de treinamento e não adquirem o verdadeiro prazer que ela proporciona”.

Aqui vai, então, um conselho para quem está na “fase do treinamento”: comece por temas que lhe interessem bastante, e não se preocupe em ler página por página. Se um trecho estiver muito árido, passe adiante.

Faça como o beija-flor: de cada planta ele retira apenas o que lhe apetece. O importante é lançar-se na água… Logo, logo, virá o gosto dos grandes panoramas intelectuais, mais atraentes do que muitas viagens turísticas. 

A leitura de um livro é um turismo feito, não com as pernas, mas com o espírito. 

O hábito da leitura implica também um afastamento temporário dos problemas cotidianos.

Um conhecido meu, grande intelectual e homem de ação, fazia questão de ler algum livro de História antes de se deitar, para “descansar a mente da vulgaridade do dia a dia”.

Passeava, assim, um pouco por outros povos, outros costumes, outras concepções de vida.

Leitura e conversa

Dizia-se, em épocas passadas, que uma dia sem leitura equivalia a dois dias sem tema de conversa. 

Eis outro assunto bem atual: sobre o que se conversa hoje? Há conversa em família? Quem lê, habitualmente tem algo interessante a contar.

Sua mente vive povoada de fatos dignos de nota, gestos que deram celebridade a grandes homens ou ditos cheios de espírito que nunca perdem a atualidade. 

Outra grande vantagem aufere quem tem o hábito da leitura: saber ortografia. A dificuldade de tantos jovens – e alguns já não tão jovens assim… – nessa matéria é consequência da absorção produzida pela TV hoje.

Muitas vezes sabem o significado correto da palavra e a empregam adequadamente, mas desconhecem sua grafia por a terem ouvido centenas de vezes, e lido apenas em poucas oportunidades.

Por fim, vale ressaltar quanto a leitura auxilia no enriquecimento do vocabulário. Como este está hoje reduzido à sua mínima expressão, muitas pessoas encontram dificuldade em transmitir seus pensamentos ou sentimentos.

Isto, por sua vez, gera insegurança e mal-estar interior.

Assim como a abundância de tintas proporciona ao pintor a possibilidade de dar à sua obra a tonalidade desejada, a variedade de palavras com sentidos semelhantes, porém cada qual com o seu matiz próprio, fornece ao orador o instrumento adequado para exprimir o que deseja.

Quão salutar seria se nossas escolas estimulassem, como outrora, os exercícios de descrição, de narração e de redação que se praticavam desde os primeiros anos do ensino fundamental!

Teríamos crianças mais desenvolvidas intelectualmente, mais seguras de si e, portanto, mais alegres e joviais.