Na primeira comunidade de fiéis em Jerusalém, a Liturgia provavelmente se celebrava em aramaico, enquanto o hebraico estava reservado à leitura da Sagrada Escritura.
Após a queda da Cidade Santa no ano 70 e a expansão da Igreja pelo Império Romano, o grego koiné tornou-se língua franca entre os cristãos.
Nos séculos III e IV, a língua grega perdeu prestígio, devido ao enfraquecimento da influência do Oriente na Igreja.
De outro lado, documentos eclesiásticos oficiais começaram a ser redigidos em língua latina, como as cartas do Papa São Cornélio a São Cipriano de Cartago por volta do ano 250.
O emprego do latim na Liturgia foi lento e progressivo. Sua preponderância cresceu com a Bíblia Vulgata, versão encomendada pelo Papa São Dâmaso I a São Jerônimo.
Com a queda do Império Romano do Ocidente em 476, o latim clássico perdeu relevância, permanecendo, porém, na Liturgia e em documentos oficiais.
O chamado latim eclesiástico continuou língua franca no Ocidente durante toda a Idade Média não só em escritos eclesiásticos, mas também seculares, coexistindo com as línguas neolatinas.
Apesar do declínio do ensino e do uso da língua latina no século XX, ela segue sendo “a língua viva da Igreja”1 e língua oficial do rito latino, conforme prescreve o Concílio Vaticano II, embora, por razões pastorais, pode-se conceder à língua vernácula lugar mais amplo.2
O novo Regulamento Geral da Cúria Romana, promulgado por Leão XIV em novembro de 2025, continua a preceituar que, via de regra, seus documentos sejam redigidos “na língua latina ou em outra língua”.3
Por fim, porque o latim não pertence a nenhuma nacionalidade, exprime melhor a universalidade da Igreja.
E por não ser língua materna de ninguém, é incólume às mutações naturais dos idiomas em uso. Paradoxalmente, por ser “morta”, tornou-se imortal.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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