Precisamos recuperar a imagem viva do sacerdote católico enamorado de Cristo a ponto de viver com entusiasmo seu celibato, numa entrega constante a Deus e aos irmãos.

O sacerdote que considera seu sacerdócio como um dom de Deus e o recebe com júbilo e gratidão. O sacerdote que não é eleito pela comunidade, mas é chamado por Deus para servir a Deus e aos homens.

O sacerdote que é consagrado pelo Sacramento da Ordem e configurado com Cristo com um caráter indelével, como sacerdote para sempre.

Um sacerdote assim suscita em torno de si a vontade de ser como ele, suscita novas vocações sacerdotais. (…) Hoje, fazem falta sacerdotes que suscitem nos jovens a vontade de ser como eles.

Tudo isso acarreta um estilo de vida.

Um sacerdote assim é um sacerdote austero, não tem necessidade de grandes recursos materiais, não sonha com o melhor carro do mundo, não gasta horas em ver TV ou internet, nem tem tempo para isso.

Um sacerdote assim destila por todos os poros amor à Igreja, ao Papa, a seu Bispo.

Um sacerdote assim não busca sua própria vontade ou seu capricho para instalar-se na vida, mas sim a vontade de Deus manifestada por seus superiores ou reclamada pelos paroquianos.

Um sacerdote assim é orante e trabalhador, falta-lhe tempo para fazer tudo quanto lhe ocorre, para rezar como deve, para atender aos fiéis que o procuram.

Um sacerdote assim não adota formas mundanas de diversão, não é vaidoso nem preguiçoso, veste-se como sacerdote, de modo simples.

Sacerdotes assim, enamorados de Cristo e de seu sacerdócio, suscitam em torno de si a vontade de ser como eles.

Os jovens de hoje, como os de sempre, apesar de suas fragilidades ou talvez precisamente por isso, têm discernimento para descobrir o sacerdote dedicado.

Além de outras causas já assinaladas, a crise de vocações que nos atinge tem muito a ver com a imagem de sacerdote que nós mesmos, sacerdotes, lhes oferecemos.

 

Trechos da Carta Pastoral de fevereiro 2006. Bispo de Tarazona – Espanha.