Não se entra na vida eterna sem carregar a Cruz
Encontramo-nos de novo neste lugar para louvar o Senhor.
Gostaria de vos agradecer, e também quantos nos acompanham através do rádio e da televisão, a vossa proximidade, o afeto e, sobretudo, a oração durante os dias da minha hospitalização na Policlínica Gemelli.
Sinto sempre a necessidade da vossa ajuda diante do Senhor, para cumprir a missão que Jesus me confiou.
Na quarta-feira passada, com o rito das Cinzas, demos início à Quaresma, tempo litúrgico que todos os anos nos recorda uma verdade fundamental: não se entra na vida eterna sem carregar a cruz, em união com Cristo.
Não se alcança a felicidade e a paz sem enfrentar com coragem o combate interior. Trata-se de um combate que se vence com as armas da penitência: a oração, o jejum e as obras de misericórdia.
Tudo isto deve realizar-se no segredo, sem hipocrisia, em espírito de amor sincero a Deus e aos irmãos.
Na tarde de hoje, como todos os anos, começarei os Exercícios Espirituais, juntamente com os meus colaboradores da Cúria. No silêncio e no recolhimento, rezarei ao Senhor por todas as necessidades da Igreja e do mundo.
Peço-vos que também vós, caríssimos Irmãos e Irmãs, nos acompanheis com a vossa oração.
Ângelus, 13/02/2005.
A Eucaristia e a unidade da Igreja
Os Exercícios Espirituais, em que participei juntamente com muitos colaboradores da Cúria Romana, terminaram ontem com uma solene Celebração Eucarística, seguida da Adoração.
A Eucaristia é a fonte de que haure vigor sempre novo a comunhão entre os membros do Corpo místico de Cristo.
É nesta perspectiva que adquire plena evidência a tarefa peculiar confiada a Pedro e aos seus sucessores: o ministério petrino é essencialmente um serviço à unidade da Igreja. “Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16, 18).
A esta promessa do Senhor fazem eco estas outras suas palavras confortadoras: “Eu roguei por ti [Simão], para que a tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos” (Lc 22, 32).
“Apascenta os meus cordeiros… apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21, 15-17). Quando contemplo o Mistério eucarístico, sinto particularmente vivo na minha alma o convite de Jesus. A Ele, bom Pastor, confio todo o Povo de Deus neste caminho quaresmal rumo à Páscoa.
Ângelus, 20/02/2005.
Amor ardente à Eucaristia e à Virgem
Neste ano dedicado especialmente ao mistério da Eucaristia, fazei que este maravilhoso Sacramento seja cada vez mais o centro de vossa existência pessoal e comunitária, seguindo docilmente a escola da Santa Virgem, “mulher eucarística”.
Se vossos corações arderem de amor pela Eucaristia e pela Virgem, conseguireis que os santuários nos quais, em diversas partes do mundo, exerceis vosso apreciado serviço sejam cada vez mais verdadeiros “cenáculos” de oração e acolhida.
Mensagem aos Padres Marianos, 10/03/2005.
A Igreja necessita de vocações santas
Numa época marcada pelo ódio, pelo egoísmo, pelos desejos de falsa felicidade, pela decadência dos costumes, pela ausência de figuras paternais e maternais, pela instabilidade em tantas novas famílias e por tantas necessidades das quais grande número de jovens são vítimas, voltamo-nos para Ti, ó Jesus Eucaristia, com uma esperança renovada.
Apesar de nossos pecados, temos confiança em tua divina misericórdia. Com os discípulos de Emaús, nós Te repetimos: “Mane nobiscum Domine! – Ficai conosco, Senhor!”
Ó Jesus, nós Te pedimos que cada jovem aqui presente tenha o desejo de se unir a Ti. Que ele Te receba, participando assiduamente da Missa dominical e, se possível, quotidiana.
Que dessa intensa frequentação nasça o compromisso de Te oferecer livremente sua vida. Nasçam santas vocações ao sacerdócio. Cresçam as vocações à vida religiosa.
Nasçam generosas vocações à santidade, que é o alto grau da vida cristã ordinária, em particular nas famílias: hoje mais do que nunca, é disto que necessitam a Igreja e a sociedade.