Num mundo dessacralizado e numa época marcada por uma preocupante cultura do vazio e do “sem sentido”, vós sois chamados a anunciar sem comprometimentos a primazia de Deus e fazer propostas de eventuais novos percursos de evangelização.
O compromisso de santificação, pessoal e comunitária, que perseguis e a oração litúrgica que cultivais habituam-vos a um testemunho de eficácia particular.
Os vossos mosteiros: lugares aos quais os homens acorrem para procurar Deus
Nos vossos mosteiros, sois os primeiros a renovar e aprofundar cotidianamente o encontro com a pessoa de Cristo, que tendes sempre convosco como hóspede, amigo e companheiro.
Por isso os vossos conventos são lugares aos quais homens e mulheres, também na nossa época, acorrem para procurar Deus e aprender a reconhecer os sinais da presença de Cristo, da sua caridade, da sua misericórdia.
Com humilde confiança não vos canseis de partilhar, com quantos se dirigem às vossas solicitudes espirituais, a riqueza da mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo cada pessoa.
Continuareis assim a oferecer a vossa preciosa contribuição para a vitalidade e santificação do Povo de Deus, segundo o carisma peculiar de Bento de Núrsia.
Ação pastoral e formativa, sobretudo com os jovens
Queridos Abades e Abadessas, vós sois guardas do patrimônio de uma espiritualidade radicalmente ancorada no Evangelho. Precisamente isto vos compromete a comunicar e a doar aos outros os frutos da vossa experiência interior.
Conheço e aprecio muito a generosa e competente obra cultural e formativa que desempenham muitos dos vossos mosteiros, sobretudo a favor das jovens gerações, criando um clima de acolhimento fraterno que favorece uma singular experiência de Igreja.
De fato, é de primordial importância preparar os jovens para enfrentar o futuro e para se medirem com as numerosas exigências da sociedade, mantendo uma referência constante com a mensagem evangélica, que é sempre atual, inexaurível e vivificante.
Portanto, dedicai-vos com renovado fervor apostólico aos jovens, que são o futuro da Igreja e da humanidade.
Para construir uma Europa “nova” é necessário de fato começar pelas novas gerações, oferecendo-lhes a possibilidade de se aproximarem intimamente das riquezas espirituais da liturgia, da meditação, da lectio divina.
Sede presenças significativas onde quer que a Providência vos chame
Esta ação pastoral e formativa, na realidade, é necessária como nunca para toda a família humana.
Em muitas partes do mundo, sobretudo na Ásia e na África, há grande necessidade de espaços vitais de encontro com o Senhor, nos quais através da oração e da contemplação recuperam-se a serenidade e a paz consigo mesmo e com os outros.
Portanto, não deixeis de ir ao encontro, com o coração aberto, das expectativas de quantos, também fora da Europa, exprimem o desejo profundo da vossa presença e do vosso apostolado para poder haurir das riquezas da espiritualidade beneditina.
Deixai-vos guiar pelo desejo íntimo de servir com caridade cada homem, sem distinções de raça nem de religião.
Com profética liberdade e sábio discernimento, sede presenças significativas onde quer que a Providência vos chame a estabelecer-vos, distinguindo-vos sempre pelo harmonioso equilíbrio de oração e de trabalho que caracteriza o vosso estilo de vida.
Comunidades de coração aberto, fervorosas na oração e no trabalho
E que dizer da célebre hospitalidade beneditina? Ela é vossa vocação peculiar, uma experiência plenamente espiritual, humana e cultural.
Também nisto haja equilíbrio: o coração da comunidade seja aberto, mas os tempos e os modos do acolhimento sejam bem proporcionados.
Assim podereis oferecer aos homens e às mulheres do nosso tempo a possibilidade de aprofundar o sentido da existência no horizonte infinito da esperança cristã, cultivando o silêncio interior na comunhão da Palavra de salvação.
Uma comunidade capaz de autêntica vida fraterna, fervorosa na oração litúrgica, no estudo, no trabalho, na disponibilidade cordial para o próximo sedento de Deus, constitui o melhor estímulo para fazer surgir nos corações, especialmente dos jovens, a vocação monástica e, em geral, um fecundo caminho de fé.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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