É preciso admoestar de modo diferente os impacientes e os pacientes.
É preciso dizer aos impacientes que, negando-se a frear a própria impetuosidade, ver-se-ão arrastados a muitos abismos de iniquidade que eles não teriam procurado, porque o furor empurra a alma para onde ela não desejaria, e esta, perturbada, age sem saber o que está fazendo, lamentando-se somente depois de dar-se conta do que fez.
É preciso também dizer aos impacientes que, precipitando-se sob o impulso de suas paixões, agem como se estivessem fora de si mesmos, e então, com dificuldade, se dão conta do mal feito.
Quando não opõem resistência alguma àquilo que os perturba, desfiguram até mesmo o bem que eles haviam realizado com ânimo tranquilo, e por um impulso repentino destroem tudo o que haviam construído com grande esforço, durante muito tempo. […]
Por outro lado, é preciso exortar os pacientes a não queixar-se interiormente pelo que suportam exteriormente. Eles oferecem externamente um sacrifício perfeito, de grande valor; que, interiormente, não deixem que o veneno do mal o corrompa.
Os homens não se dariam conta, mas o olhar divino descobre o pecado, e a queixa seria uma falta tanto mais grave porque, diante dos homens, assume as aparências da virtude.
É preciso, portanto, dizer aos homens pacientes que procurem amar aqueles que devem suportar; não aconteça que o amor não acompanhe a paciência, e assim a virtude manifestada se transforme num pecado pior, de ódio.