Livia: Santo Padre, devo confessar-me todas as vezes que vou comungar? Mesmo quando cometo os mesmos pecados?
Vou dizer duas coisas. Não é preciso confessar-se antes de cada Comunhão eucarística. É necessário somente no caso de ter cometido um pecado realmente grave, quando ofendeu profundamente a Jesus, de modo que a amizade com Ele tenha sido desfeita.
Só neste caso, quando é um pecado mortal, quer dizer, grave, é necessário confessar-se antes da Comunhão. Este é o primeiro ponto.
Segundo: mesmo não sendo preciso confessar-se antes de cada Comunhão, é muito útil confessar-se com certa regularidade.
É verdade que, habitualmente, nossos pecados são sempre os mesmos, mas nós fazemos limpeza de nossa casa, de nosso quarto, pelo menos uma vez por semana, embora a sujeira seja sempre a mesma. Isto fazemos para viver na limpeza, pois talvez não vejamos a sujeira, mas ela vai se acumulando.
O mesmo vale para a alma, para mim mesmo: se nunca me confesso, minha alma fica descuidada e acabo estando sempre contente comigo, sem entender que devo trabalhar para ser melhor, que devo progredir.
Essa limpeza da alma, que Jesus nos dá no Sacramento da Confissão, ajuda-nos a ter uma consciência mais leve, mais aberta, e a amadurecer espiritualmente e como pessoa humana.
Portanto, duas coisas: é necessário confessar-se somente no caso de um pecado grave, mas é muito útil confessar-se regularmente para cultivar a limpeza, a beleza da alma, e amadurecer pouco a pouco na vida.
Andrea: Minha catequista disse-me que Jesus está presente na Eucaristia. Mas está como? Eu não o vejo!
Sim, nós não vemos, mas há muitas outras coisas que não vemos e que existem, e são essenciais!
Por exemplo, não vemos nossa razão e, no entanto, somos dotados de razão. Não vemos nossa inteligência, e a temos. Não vemos nossa alma e, todavia, ela existe e vemos os seus efeitos, porque podemos falar, pensar, decidir, etc.
Da mesma forma, não vemos, por exemplo, a corrente elétrica; entretanto, vemos que ela existe: vemos que este microfone funciona, vemos a luz.
Assim também, não vemos com nossos olhos o Senhor Ressuscitado, mas vemos que, onde está Jesus, os homens mudam, ficam melhores, tornam-se mais capazes de manter a paz, de reconciliação, etc.
Portanto, não vemos o Senhor na Hóstia, mas vemos os seus efeitos e podemos assim compreender que Jesus está presente. As coisas invisíveis são justamente as mais profundas e importantes.
Alessandro: Para que serve, na vida de todos os dias, ir à Santa Missa e receber a Comunhão?
Serve para encontrar o centro da vida. As pessoas que não vão à igreja não sabem que lhes falta propriamente Jesus. Sentem, porém, que alguma coisa lhes falta na vida.
Se Deus está ausente de minha vida, se Jesus está ausente de minha vida, falta-me um guia, falta-me uma amizade essencial, falta-me ainda uma alegria que é importante para a vida.
Falta também a força de crescer como homem, de vencer meus vícios e amadurecer humanamente.
Adriano: Santo Padre, disseram que hoje faremos Adoração Eucarística. Do que se trata? Como a fazemos?
Adoração é reconhecer que Jesus é meu Senhor, que Jesus me mostra o caminho a seguir, me faz entender que vivo bem somente se sigo o caminho indicado por Ele.
Portanto, adorar é dizer: “Jesus, eu sou vosso e Vos sigo na minha vida, não quero perder jamais esta amizade, esta comunhão convosco”.
Eu poderia dizer ainda que, em sua essência, a adoração é um abraço dado em Jesus, no qual eu Lhe digo: “Sou todo vosso e Vos suplico que estejais sempre comigo”.