Celebramos hoje a Epifania, isto é, a “manifestação” do Senhor. Esta solenidade liga-se ao relato bíblico da vinda dos Reis Magos do Oriente a Belém para prestar homenagem ao Rei dos judeus: um episódio que o Papa Bento comentou de modo magnífico no seu livro sobre a infância de Jesus.
Foi essa precisamente a primeira “manifestação” de Cristo aos gentios. Por isso a Epifania salienta a abertura universal da salvação trazida por Jesus.
A Liturgia deste dia proclama: “Os povos de toda a terra hão de adorar-Vos, ó Senhor”, porque Jesus veio para todos nós, para todos os povos, todos!
O amor de Deus sempre antecede o nosso
Esta festa, com efeito, mostra-nos um duplo movimento: de um lado, o movimento de Deus para o mundo, para a humanidade – toda a história da salvação, que culmina em Jesus.
De outro, o movimento dos homens para Deus – pensemos nas religiões, na procura da verdade, no caminho dos povos rumo à paz, à paz interior, à justiça, à liberdade.
E este duplo movimento é impulsionado por uma atração recíproca. Da parte de Deus, o que O atrai? É o amor a nós: somos seus filhos, ama-nos e quer libertar-nos do mal, das doenças, da morte, e conduzir-nos à sua casa, no seu Reino. “Por pura graça, Deus atrai-nos para nos unir a Si”.[1]
Também de nossa parte há um amor, um desejo: o bem sempre nos atrai, a verdade nos atrai, a vida, a felicidade, a beleza nos atrai…Jesus é o ponto de encontro dessa atração recíproca, desse duplo movimento. Ele é Deus e homem: Jesus. Deus e homem.
Mas quem toma a iniciativa? Sempre Deus! O amor de Deus sempre antecede o nosso! Ele sempre toma a iniciativa. Ele nos espera, nos convida, a iniciativa é sempre d’Ele. Jesus é Deus que Se fez homem, encarnou-Se, nasceu por nós.
A nova estrela aparecida aos Magos era o sinal do nascimento de Cristo. Se não tivessem visto a estrela, aqueles homens não teriam partido.
A luz nos precede, a verdade nos precede, a beleza nos precede. Deus nos precede. Dizia o profeta Isaías que Deus é como a flor da amendoeira. Por quê? Porque naquela terra a amendoeira é a primeira a florescer.
E Deus sempre nos procura primeiro, dá o primeiro passo. Deus nos antecede sempre. Sua graça nos precede e esta graça apareceu em Jesus. Ele é a Epifania. Ele, Jesus Cristo, é a manifestação do amor de Deus. Está conosco.
A alegria de evangelizar
A Igreja está por inteiro nesse movimento de Deus para com o mundo: sua alegria é o Evangelho, é refletir a luz de Cristo. A Igreja é o povo daqueles que experimentaram essa atração e a trazem em seu interior, no coração, na vida.
Sinceramente, eu gostaria de dizer àqueles que se sentem longe de Deus e da Igreja, dizer respeitosamente aos que têm medo ou aos indiferentes: o Senhor também te chama para seres parte do seu povo, e fá-lo com grande respeito e amor![2]
O Senhor te chama. O Senhor te procura. O Senhor te espera. O Senhor não faz proselitismo, dá amor, e este amor te procura, te espera, a ti que neste momento não crês ou estás afastado. Este é o amor de Deus.
Peçamos a Deus, para toda a Igreja, a alegria de evangelizar, porque “foi enviada por Cristo a manifestar e a comunicar a todos os homens e povos a caridade de Deus”.[3]
A Virgem Maria nos ajude a sermos todos discípulos-missionários, pequenas estrelas que reflitam a sua luz. E roguemos que os corações se abram para acolher o anúncio, e todos os homens consigam ser “participantes da promessa por meio do Evangelho” (Ef 3, 6).