Há algum tempo, tornou-se notícia um desafio lançado por uma empresa de renome internacional: ofereciam uma grande soma de dinheiro a quem conseguisse permanecer por mais de uma hora numa sala isolada de qualquer ­ruído exterior.

Apesar do prêmio, aparentemente tão simples de alcançar, as pessoas eram incapazes de ficar ali quietas, escutando apenas sua respiração e batimentos cardíacos.

Depois de algum tempo, sentiam-se aflitas por estar entregues somente a seus próprios pensamentos. O mundo de hoje nos desacostumou ao silêncio…

O Evangelho deste domingo, entretanto, quer nos mostrar a importância do silêncio interior.

Contemplamos na narração de São Mateus (cf. Mt 1, 18-24) dois silêncios: o da humildade e o do coração.

Primeiramente vemos Maria Santíssima que, após receber a visita do Arcanjo São Gabriel anunciando-Lhe a mais alta dignidade concedida a uma criatura, a de ser Mãe de Deus, guarda ­silêncio.

Não sai pelas ruas chamando a atenção dos demais para o divino mistério que se realizava em suas entranhas virginais, nem procura enaltecer-Se pela grandeza de sua condição.

Não se julga no direito de transmitir nem mesmo a seu castíssimo esposo o milagre indizível que portava em Si, talvez pensando: “Se o que há em Mim é obra de Deus, Ele mesmo o revelará a quem considere necessário”.

Silêncio da humildade, que guarda em Si os dons divinos e não Se envaidece daquilo que recebeu do Criador.

De outro lado vemos São José, homem justo, que A recebera como Esposa por meio de sinais do Céu e ratificara com Ela o voto de ambos guardarem a virgindade por amor a Deus. Contudo, ele percebe em Nossa Senhora os sinais característicos da gestação…

Testemunha da santidade de Maria, ardente devoto d’Ela como não houve outro na História, em nenhum momento o Glorioso Patriarca sequer suspeitou de sua integridade.

Ao contrário, de imediato deu-se conta do sublime mistério que envolvia sua virginal Esposa.

Mistério tão elevado, que ele era indigno de conhecê-lo… E, se essa era a vontade de Deus, a atitude mais perfeita consistia em aceitá-la e retirar-se no silêncio de seu coração.

Ambos os silêncios são fruto da serenidade característica daqueles que desejam servir a Deus e estão sempre dispostos a renunciar à própria vontade, a fim de cumprir a d’Ele.

O mundo, porém, acostuma os homens à agitação, roubando-lhes a paz de alma e a capacidade de, recolhendo-se em seu interior, aceitar a vontade da Providência. É este o ruído constante que desequilibra as almas.

Aprendamos com Maria o silêncio da humildade, nunca envaidecendo-nos dos dons que devemos ao Criador.

E saibamos, como São José, silenciar nossas angústias ou aflições, aceitando sempre a vontade de Deus, pois isso trará a aurora de sua manifestação.

“O sonho de São José”, por Miguel Cabrera -
Museu da América, Madri