AE: O que significa para a Associação dos Franciscanos de Maria a recente aprovação pontifícia de seus estatutos?
Para toda Associação, a aprovação pontifícia representa o respaldo público daquele que é o vigário de Cristo na Terra, o Santo Padre.
Portanto, esta aprovação significa que a Santa Sé, depois de ter estudado detidamente nossa família espiritual, reconheceu que o Espírito Santo depositou nela o carisma do agradecimento, que é um caminho de santidade e de apostolado. Assim consta, explicitamente, no decreto de aprovação.
AE: Como surgiu em sua alma a ideia de fundar os Franciscanos de Maria?
Na Igreja, todos os movimentos, instituições, grupos etc. surgem sempre de uma moção do Espírito Santo posta no coração do fundador, ante a existência de um problema.
Os problemas existem e o Espírito Santo suscita os remédios para solucioná-los. Nossa Associação é um desses remédios. O problema é o secularismo, a praga que tenta tirar Deus do coração do homem.
O como e o quando senti a necessidade de fundar essa obra estão relacionados com a consciência crescente de que para enfrentar o secularismo já não bastava oferecer aos homens uma espiritualidade que estivesse baseada, sobretudo, no medo ou no interesse.
O inferno existe e também existe o Céu; o Senhor ajuda os que Lhe pedem e nos impele reiteradamente a recorrer a Ele pedindo sua ajuda.
Mas ter uma relação com Deus baseada principal ou exclusivamente nisso, como têm muitíssimos católicos, ainda que seja legítima, é uma relação pobre e um tanto egoísta, além de não ser nada atrativa para os homens de hoje.
Por isso, pensei que a espiritualidade do agradecimento pudesse ser mais interessante, contribuir para evitar que algumas pessoas abandonassem a Igreja e, inclusive, conseguir que outros voltassem a ela.
Para viver essa espiritualidade, precisamos começar a ser conscientes do amor de Deus por nós, que é justamente o que o Papa disse em sua encíclica. Logo, devemos passar para a seguinte etapa: apresentar o amor a Deus como um dever nosso para com Aquele que nos amou tanto.
AE: Atualmente, os Franciscanos de Maria estão espalhados em 78 dioceses e 23 países. Como foi realizada e a que o senhor atribui essa expansão tão ampla?
Em boa medida foi por minha presença nos meios de comunicação, sobretudo na EWTN. Mas em realidade, deve-se à força que tem a mensagem do agradecimento e a proteção especial que nos dá a Virgem Maria.
AE: Que oferece o carisma dos Franciscanos de Maria à Igreja e aos homens do Terceiro Milênio?
Como disse, oferece o agradecimento a Deus como um direito de Deus e um dever do homem. Não basta dizer que Deus é amor. É preciso dizer que Deus tem direito de ser amado por aquele a quem tanto amou: o homem. Nós levantamos, na Igreja e no mundo, a bandeira dos direitos de Deus.
AE: A expressão “Deus te ama, mas também tem o direito de ser amado” é sua. O senhor poderia desenvolver com mais profundidade este tema?
É o que eu disse antes.
Essa expressão significa que, mesmo sendo certo que “Deus é amor”, quando não falamos do “amor a Deus”, corremos o risco de que a mensagem apresentada se entenda de maneira equivocada e a imagem que as pessoas tenham de Deus seja de um Deus que não é bondoso, mas bonachão, um pouco “avozinho”, ingênuo e tonto.
Isso se passou nestes anos de pós-concílio. Falou-se muito do amor de Deus, mas não do amor a Deus, dos direitos de Deus e, por isso, a mensagem ficou incompleta, ocasionando graves consequências. É necessário apresentar a mensagem íntegra para restaurar o equilíbrio.
AE: Como o senhor vê o momento atual da Igreja na Europa? E na América?
Na Europa o secularismo é tremendo, mas há sinais de esperança, de afiançamento de algumas minorias cada vez mais convencidas de sua missão, mais firmes em sua Fé e na defesa da mesma.
Na América, a situação é diferente: ainda há muita fé no povo, mas temo que ele não esteja recebendo formação suficiente para enfrentar o secularismo que já está chegando, sobretudo nas grandes cidades.
Vivem como se este não lhes fosse afetar e creio que não estejam aproveitando o bastante as lições amargas que estamos aprendendo com a Europa.
AE: Qual é o aspecto da personalidade de Sua Santidade Bento XVI que mais o atrai e impacta?
Sua humildade e sabedoria. Estou convencido de que é um santo e de que é uma pessoa providencial para este momento da Igreja. Sinto por ele não só admiração, mas um grande carinho.
