Uma das glórias do mundo ocidental, o Mont Saint-Michel (Monte São Miguel), está situado bem no limite entre duas lindas regiões da França, a Normandia e a Bretanha.

Sua localização, numa ilha rochosa à qual se chega por uma estrada construída sobre um dique, é privilegiada.

Partindo da pequena vila de Pontorson, são apenas nove quilômetros, que podem ser percorridos facilmente de carro ou até mesmo de bicicleta.

No caminho, plácidos carneiros de cara preta, pastando felizes dos dois lados da estrada, parecem fazer as honras do lugar, e são belos motivos para fotos.

O momento em que avistamos pela primeira vez aquela que é considerada uma das mais imponentes construções religiosas de toda a França é de tirar o fôlego.

O enorme rochedo serve como pedestal para a grandiosa e venerável abadia, cujas origens remontam ao século VIII, quando não passava de um humilde oratório erigido em louvor a São Miguel Arcanjo.

Com sua posição majestosa, sua baía, a beleza de sua arquitetura e a riqueza de seu passado, o Mont Saint-Michel é um dos lugares mais visitados da França, atraindo multidões de peregrinos e turistas.

As marés na baía são um espetáculo à parte. Em certos dias, durante a maré alta, as águas do mar sobem para envolver o monte numa velocidade espantosa (cerca de 30km/h na primavera) e isso costuma ocorrer de 36 a 48 horas depois da lua cheia e da lua nova, respectivamente.

Nessa ocasião é bom estar no monte duas horas antes, ou a passagem torna-se impraticável.

À noite, todo iluminado, o Mont Saint-Michel nos oferece uma visão magnífica.

Um pouco de história

A construção da abadia teve início no século XI quando os monges beneditinos resolveram edificar uma igreja românica dedicada a São Miguel Arcanjo, no ponto mais alto da ilha, onde havia apenas um oratório.

Os soberbos edifícios góticos que constituem o mosteiro, conhecido como La Merveille – A Maravilha – só foram acrescentados bem mais tarde, no início do século XIII, na face norte da igreja. Desde os tempos medievais, o local era visitado por peregrinos que para lá viajavam a fim de prestar louvor ao Santo Arcanjo.

Durante a Guerra dos Cem Anos, torres de vigia e muralhas foram erguidas para proteger a abadia dos ataques dos ingleses. Na base do rochedo estabeleceu-se ao longo dos tempos uma cidade murada para abrigar os peregrinos.

Assim protegida pela natureza e pelas fortificações militares, a abadia encontra-se numa posição inexpugnável.

Sua construção em três níveis obedecia às regras hierárquicas daquela época.

O nível mais alto era ocupado pelos monges e dele faziam parte a igreja, o claustro, que parece suspenso entre o céu e o mar, com suas elegantes colunas e arcadas de mármore inglês, e o enorme refeitório, um salão mais comprido do que largo, onde a luz se infiltra pelas altas janelas, uma característica do estilo gótico.

Da igreja românica original só resta uma parte da nave. O coro, de estilo gótico-flamboyant, começou a ser construído na metade do século XV e foi terminado no início do século seguinte.

No nível intermediário, situa-se a sala dos cavaleiros, cujos arcos e colunas são tipicamente góticos; duas construções do século XI, a cripta de Saint-Martin – uma capela que preserva o estilo românico original – e a cripta das trinta velas; os aposentos do abade e a sala de hóspedes, destinada a receber os nobres visitantes.

Os soldados e peregrinos ocupavam o nível inferior, onde também eram atendidos os pobres, no aposento denominado esmolaria.

Após a Revolução Francesa, durante algumas dezenas de anos a abadia foi transformada em prisão para os inimigos políticos. Hoje em dia é um monumento nacional.

O antigo caminho dos peregrinos, dentro da cidade murada, passa por diversos pontos interessantes como a torre da abadia (onde ficava a sala de guarda) e pela Grande Rue (uma ruela estreita, de casas medievais, hoje totalmente ocupadas por lojas de souvenirs, confeitarias e restaurantes).

Passando-se pela Igreja de Saint-Pierre, chegamos até os portões da abadia.

Também é possível um passeio pelas muralhas, que nos oferece belas vistas da baía.

A admissão à abadia propriamente dita só pode ser feita através de visitas guiadas que saem a cada vinte minutos. No alto da flecha que encima a torre da igreja está uma imagem de São Miguel, cuja réplica pode ser vista dentro da abadia.

Eis um bom e atraente programa para qualquer peregrino ou turista de nossos dias, que esteja descobrindo as maravilhas da Civilização Cristã na França.