Quero agradecer-lhes pelo convite a presidir esta solene Celebração Eucarística, na comemoração de Nossa Senhora de Fátima.
Neste dia a Virgem Maria manifestou-Se a três pastorinhos, pedindo-lhes para orar pela conversão dos pecadores e fazer penitência, sobretudo pelas ofensas feitas a Deus.
A Virgem Santíssima Se apresenta com o Rosário nas mãos, convidando a rezá-lo para favorecer a conversão de nossos corações ao Senhor.
Poderosa arma contra o demônio
A recitação do Rosário deve ser considerada a oração por excelência, preferida pela Virgem Maria, com a qual podemos nos dirigir a Deus e nos abandonarmos em suas mãos.
O Santo Rosário é verdadeiramente uma suave cadeia que nos vincula ao Senhor. Através dele, nosso coração, pela intercessão da Virgem Maria, entra em profunda relação com Deus e com a vida de Jesus e os mistérios da salvação.
Na recitação do Rosário, a Virgem de Fátima nos indica a poderosa arma para combater as insídias do demônio, que de todos os modos procura nos afastar do amor de Deus. O Rosário reacende a chama de nossa fé e de nosso amor a Deus.
Deseja o maligno manter-nos longe do bem e por isto se alegra quando induz o homem a ofender a Deus. Tenta-nos a cair em pecado e a permanecer nessa miserável condição, afastados do Senhor. O pecado torna nosso coração duro como a pedra e, sobretudo, incapaz de orientar-se rumo ao bem.
O diabo esforça-se por nos apresentar o mal como algo atraente, tentando convencer-nos de que não temos vantagem alguma em viver com amor a própria existência.
Podemos facilmente cair nas ciladas do demônio, mas bem sabemos, no íntimo de nosso coração, que assim nos lançamos desgraçadamente na cova profunda, nas trevas e na sombra da morte.
Só o Senhor nos conduz à verdadeira felicidade
Na realidade, o pecado torna infeliz nosso coração, pois o esvazia do amor a Deus. Devemos recordar-nos sempre também que, com o pecado em nosso coração, causamos graves desgostos e ofensas aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria.
Infelizmente, quando nos deixamos vencer pelo mal, não temos consciência de que estamos rejeitando a presença do Senhor, o único capaz de conduzir-nos à verdadeira felicidade e ao autêntico bem.
Não por acaso, a sociedade hodierna, governada pela globalização, apresenta uma face impregnada de tristeza, consequência lógica de organizar a própria vida como se Deus não existisse.
O homem voltado exclusivamente para os bens materiais e fascinado pelos progressos da ciência julga poder prescindir de Deus; pensa que a vida depende apenas do próprio esforço e dos recursos a seu dispor.
Na verdade, sem Deus nada somos e nada podemos fazer, como nos adverte Jesus: “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5).
Se nos separarmos da Videira, nossa vida será estéril, incapaz de produzir frutos. Só se permanecermos ligados a Deus nossa vida poderá ser rica de alegria, de amor, de esperança e de todo bem de que nosso coração sente necessidade.
Pelo contrário, excluindo do viver humano o Senhor, exclui-se antes de tudo uma existência verdadeiramente digna e plenamente humana. Olvidamos com muita frequência que nosso fim último não é enriquecerdiante dos homens, mas sim diante de Deus.
A escuta da Palavra nasce de uma postura orante
Portanto, caros amigos, se desejamos prosperar e enriquecer na presença de Deus, abençoados por Ele, somos chamados a aceitar o convite que nos faz Jesus no Evangelho de hoje: “Bem-aventurados aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a observam!” (Lc 11, 28).
Somos chamados antes de tudo a nos colocarmos naquela atitude de escuta da Palavra que nos faculta ter plena disponibilidade para viver de acordo com a santa vontade de Deus.
E ouvir a Palavra significa não apenas dedicar um pouco de tempo para ler e estudar a Palavra de Deus, mas, sobretudo, viver segundo a Palavra divina, como diz um teólogo protestante, Albrecht Bengel: “Te totum applica ad textum, rem totam applica ad te – Aplica-te ao estudo do texto e põe em prática todo o seu conteúdo”.
Mas não é possível pôr em prática a Palavra sem lê-la na oração e à luz do Espírito Santo.
Devemos, pois, nos lembrarmos de que não se pode entender bem a Escritura sem ser iluminado pela oração. A autêntica escuta da Palavra nasce de uma postura orante.
Quem ora, entra em relação com o Senhor e predispõe de modo especial seu coração a ficar atento à voz de Deus.
Mediante a oração, a escuta da Palavra se torna mais frutuosa e, sobretudo, o coração se abre a um maior desejo de colocar em prática aquela Palavra, a fim de deixar o Senhor viver em nós, como afirmou o Apóstolo Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gal 2, 20).
As ações do cristão devem ser tais que possam ser reconhecidas como ações próprias de Deus; isto, porém, só é possível quando a vida do cristão se baseia no Evangelho, fonte inexaurível de graças.
O exemplo da Virgem Maria
Deixemo-nos, pois, plasmar pela Palavra do Senhor, como fez a Virgem Maria, que trouxe em seu seio o Filho de Deus, a Palavra Encarnada, para podermos ser, também nós, imagem do amor misericordioso do Pai.
Roguemos com confiança à Virgem Maria a graça de, como Ela, sermos ouvintes atentos da Palavra, a fim de, com seu auxílio, vencer as investidas do maligno e fazer triunfar a presença de Cristo Salvador.
Muito obrigado pela sua paciente atenção, e que a Virgem Maria abençoe cada um de nós e nos ajude a obter a plena conversão do coração, a fim de sermos inteiramente filhos do único Pai que está nos Céus.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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