O Divino Mestre questionou os Apóstolos sobre sua identidade, ao que Pedro prontamente respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16, 16). Jesus, então, o abençoou: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no Céu” (Mt 16, 17).

Em seguida Nosso Senhor revela, por primeira vez, sua Paixão, Morte e Ressurreição. Continua o Evangelho: “Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-Lo, dizendo: ‘Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca Te aconteça!’ Jesus, porém, voltou-Se para Pedro, e disse: ‘Vai para longe, satanás! Tu és para Mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!’” (Mt 16, 22-23).

Severa repreensão ao primeiro Vigário de Cristo… Por quê? Embora Pedro – ainda não santo – tivesse reconhecido a divindade do Mestre por inspiração divina, ele falava como um homem preso aos conceitos do mundo. Não admitia a dor no caminho do Messias esperado, que restauraria – numa visualização terrena – os poderes de Israel. Jesus, porém, revela o lado sobrenatural de sua vinda: o resgate da humanidade e a abertura das portas do Céu.

Assim, o Divino Redentor nos ensina algo crucial: é preciso cautela com as elucubrações pessoais ou conselhos que nos desviem de nossos deveres espirituais, ainda que venham de um amigo, pois será ele mau conselheiro, ou seja, satanás!

Jesus então exorta: “Se alguém quer Me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e Me siga” (Mt 16, 24). “Renunciar a si mesmo” é dizer “não” a tudo aquilo que eu quero, mas Deus não quer, aceitando com gratidão o que a Providência nos reserva. Tal tarefa revela-se árdua. E Nosso Senhor também o sabe… pois convida a segui-Lo no caminho do Calvário. Como levar esse propósito a bom termo? Dois pontos são fundamentais.

Primeiro, ter presente que “o amor é a ­capacidade de uma pessoa sofrer pela outra, com alegria”, conforme define Dr. Plinio Corrêa de Oliveira. Sem um amor profundo pelo Salvador – que se prova no cumprimento dos Mandamentos e na prática das virtudes –, não teremos a coragem necessária para sofrer por Ele.

Segundo, é essencial manter o olhar fixo na promessa da eternidade, onde Nosso Senhor “recompensará a cada um segundo suas obras” (Mt 16, 27). Nisso está a chave para a aceitação, com ânimo e fé, das provações que Ele permite em nossas vidas. Os sofrimentos, quando bem acolhidos, nos purificam e nos preparam para o gozo da felicidade sem fim.

Nas tribulações do mundo, é preciso percorrer a via crucis já completada por tantos Santos, hoje habitantes do Reino dos Céus. Peçamos, pois, à Mãe de Misericórdia graças especiais para confiarmos plenamente n’Ela, que acompanhou seu Divino ­Filho nas dores da Paixão e na glória da Ressurreição. Esse é o segredo para o verdadeiro amor nesta terra e a semente da felicidade eterna.