O homem recebe um nome ao nascer para o mundo pela natureza, ao nascer para a graça pelo Batismo, ao morrer para o mundo pelos votos religiosos, e ao morrer para si por força de uma vocação que o confisca por inteiro.

Abrão passou a chamar-se Abraão depois que Deus prometeu-lhe uma descendência inumerável (cf. Gn 17, 5). Jacó recebeu o título de Israel após lutar com o Anjo do Senhor (cf. Gn 32, 29).

Simão foi nomeado Pedro por Jesus Cristo, que lhe assignou a missão de ser a pedra da Igreja, investindo-o como chefe do Colégio Apostólico (cf. Mt 16, 18). Era o primeiro Papa, e o primeiro Papa que trocava de nome.

No entanto, somente cinco séculos depois haveria outro Pontífice que receberia um novo nome. A 2 de janeiro de 533, o presbítero Mercúrio foi eleito Papa.

 A carcaça do paganismo, morta pela Cruz, ainda não apodrecera por inteiro neste século VI, e era de extrema inconveniência, portanto, que o Vigário de Cristo fosse designado da mesma maneira que o antigo e falso vigário dos deuses latinos.

Mercúrio, então, subindo ao sólio pontifício, escolheu para si o nome de João.

Inaugurava-se assim, num golpe de rompimento e guerra com o mundo, o cortejo dos Papas que abandonariam seus nomes para se identificarem com uma missão que os deveria tomar por completo.