Em torno de quatro figuras enigmáticas, frequentemente esculpidas ou pintadas nas igrejas, costumam surgir algumas interrogações: O que significam esses seres misteriosos?

Qual é a sua relação com os autores dos Santos Evangelhos, ao lado dos quais aparecem?

Essas representações alegóricas estão presentes na iconografia católica desde o século II, e se fundamentam neste trecho do Apocalipse:

Em redor do trono, estavam quatro seres vivos […]. O primeiro ser vivo parecia um leão; o segundo parecia um touro; o terceiro tinha rosto de homem; o quarto parecia uma águia em pleno voo (4, 6-7).

Os cristãos viram nessas figuras um símbolo dos Santos Evangelistas.

O ser com aspecto humano representa São Mateus, o qual realça especialmente a humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo em sua narração.

Atribui-se o leão, que faz ouvir seu majestoso rugido em locais ermos, a São Marcos, pois esse animal evoca a figura de João Batista, personagem que abre o segundo Evangelho clamando no deserto para anunciar a chegada do Messias.

Representado pelo boi ou touro, São Lucas inicia seu relato com o sacrifício de Zacarias no Templo, numa alusão ao sacrifício do próprio Redentor.

Por fim, a águia expressa a suma elevação do pensamento teológico de São João, que proclama em particular a divindade de Jesus.