Um inocente menino, de seus cinco ou seis anos de idade, se interrogava: “Quem é Deus?” E à resposta desta pergunta ele dedicou sua existência.

Entretanto, após escrever mais de oito milhões e setecentas mil palavras, já no fim da vida São Tomás de Aquino teve uma visão sobrenatural e concluiu que tudo quanto havia escrito era insuficiente para responder à indagação de sua infância.

Passam-se os séculos e o demônio, em sua eterna infelicidade invejosa, promove a ideia de que Deus é um ser “sem graça”: insípido, vaporoso, distante e… exigente.

Assim, falar sobre a Santíssima Trindade faz despertar em certas mentes a imagem de um Deus Pai do gênero “ancião benemérito” e bonachão, já sem forças para governar os acontecimentos; de um Deus Filho líder filantrópico que tentou ajudar os homens e fracassou; e de um Deus Espírito Santo com jeito de pomba muito bem-intencionada, mas incapaz de realizar grandes feitos.

Em sentido contrário, o pecado, o gozo da vida, o prazer oferecido pelo demônio – quem sabe até o próprio Satanás… –figuram como interessantes, atraentes, fabulosos!

Não muito longe de nossos dias, um outro menino, ao descer de trem as encostas da Serra do Mar que ­separam São Paulo do litoral, pensava na variedade das altaneiras montanhas e nuvens diáfanas, no sol que banhava a natureza, nos manacás em flor, nas cascatas que como um véu pareciam sorrir ou no mar que, como precioso tapete, já despontava no horizonte antes de se iniciar a descida. Sua pergunta não era mais “Quem é Deus?”, mas “Como é Deus?”

O pequeno Plinio admirou a grandiosa obra da criação e se encantou com seus contrastes harmônicos e maravilhosa diversidade.

Concluiu ele que o Deus Uno e Trino tinha de Se fazer representar numa multidão de seres diferentes e hierarquicamente ordenados, para compor um conjunto que O espelhasse de maneira adequada.

O Eterno Pai, conhecendo-Se com perfeição, quis doar-Se de modo pleno gerando em sua onipotência um Filho igual a Si. Este retribui tudo ao Pai com tal integridade, que do amor entre ambos procede o Espírito Santo. Encerrado o processo entre as Três Pessoas Divinas, querem Elas refletir-Se numa obra que extrinsecamente As glorifique de maneira pulcra e santa.

Insuperável Artista, o Pai concebe um belíssimo plano e o confia ao Filho, que o realiza de forma extraordinária ao encarnar-Se e pela humanidade Se entregar, fazendo-Se obediente até a morte.

Por sua vez, o Espírito Paráclito vai ao longo dos séculos distribuindo os mais variados benefícios, com o objetivo de completar esse fabuloso quadro com milhões e milhões de reflexos de suas infinitas perfeições.

Mas, perguntará alguém, e aqueles que se insurgem contra o plano de Deus? Até estes O glorificarão, fazendo brilhar sua justiça num fogo por Ele criado e mantido, por toda a eternidade, para castigar os revoltosos…

Como todas as obras da criação, o fogo, com sua chama, seu calor e sua luz, a seu modo espelha a Trindade Santíssima e louva sua perfeita unidade.

Em Deus vivemos, nos movemos. Não existe o fora de Deus e, quer nas mãos carinhosas de sua infinita bondade, quer nas mãos justiceiras de sua sagrada cólera, continuamente O glorificamos.