Seu vulto se ergue nas cabeceiras de nossa História, presidindo à formação da nacionalidade com seu vigor de herói e com sua virtude de santo.
As figuras congêneres, que vemos na nascente de um grande número de nações famosas, brilham, em geral, num ardor agressivo de heróis selvagens e implacáveis, conquistando a celebridade ora em guerras justas, ora em inqualificáveis rapinas.
Sua existência é discutida, e suas grandezas são fantasias tecidas pelo orgulho nacionalista, que se dissipam inteiramente pelo estudo imparcial da História. E isto desde Rômulo até Guilherme Tell.
Anchieta, pelo contrário, entrou para a História em um carro de triunfo que não era puxado por prisioneiros e vencidos, nem a dor figurou no seu cortejo, nem os hinos de guerra celebraram seu triunfo, nem as armaduras foram seu paramento.
Serviu-lhe de traje a túnica branca de sua inocência imaculada. Constituía-lhe o cortejo pacífico uma raça que arrancara da vida selvagem e defendera contra o cativeiro, e uma nação inteira, que ajudara a construir para a maior glória de Deus, abrandando o rancor dos homens e das feras, na realização da promessa evangélica: bem-aventurados os mansos, que possuirão a terra (cf. Mt 5, 5).
Mas eu disse mal [...] quando afirmei que a dor não figurara no seu cortejo triunfal: era ela o nimbo que o aureolava. Era a dor cristã do pelicano, que enche de amargura o mártir e o Santo, mas banha em suavidade quantos dele se acercam.
Ele passara sua vida a distribuir rosas... e os espinhos, guardara-os para si, nas labutas do apostolado.
Em Anchieta, vas electionis1, brotara uma flor de virtude, e esta flor, ele a semeou por todo o Brasil: é a mansidão suave ligada à energia serena, mas inexorável, que é o eixo de nossa alma.