Foi dada a conhecer em 7 de julho último, na Sala de Imprensa da Santa Sé, a esperada Encíclica do Papa Bento XVI intitulada Caritas in Veritate – A Caridade na Verdade.
A apresentação esteve a cargo do Cardeal Renato Raffaele Martino, Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz; do Cardeal Paul Josef Cordes, Presidente do Pontifício Conselho Cor Unum.
Também do secretário emérito do Conselho Justiça e Paz, Dom Giampaolo Crepaldi; e do Prof. Stefano Zamagni, catedrático de Economia Política na Universidade de Bolonha.
Resposta às transformações sociais das últimas décadas
Dom Martino começou por expor a necessidade de uma nova encíclica social, em vista das transformações ocorridas desde que, em 1991, fora publicada a Centesimus Annus, de João Paulo II.
Entre esses câmbios menciona: as ideologias políticas perderam virulência e foram substituídas pela nova ideologia da técnica; a acentuação dos fenômenos da globalização, determinados pelo final dos blocos contrapostos e pela rede informática mundial.
Também, a volta das religiões ao cenário público mundial; a saída de alguns países de uma situação de atraso, mudando os equilíbrios geopolíticos mundiais; e o problema do governo universal.
Dom Martino lembrou também que a Caritas in Veritate comemora os 40 anos da Populorum Progressio, de Paulo VI, se bem que o tema da nova encíclica não seja “o desenvolvimento dos povos e sim o desenvolvimento humano integral”.
Evangelização, desenvolvimento e doutrina social
Da sua parte, Dom Crepaldi salientou que “os dois direitos fundamentais, à vida e à liberdade religiosa, encontram pela primeira vez um lugar explícito e denso numa encíclica social” e “estão ligados organicamente com o tema do desenvolvimento”.
Em Caritas in Veritate, observou, a famosa “questão antropológica” torna-se plenamente uma “questão social”.
Já o Cardeal Cordes frisou que “a doutrina social da Igreja é um elemento de evangelização” e, portanto, não pode ser estudada “fora do contexto do Evangelho e de seu anúncio”, pois ela “nasce e se interpreta à luz da Revelação”.
Apresentação de Bento XVI
No dia seguinte à apresentação, durante a Audiência Geral, o próprio Papa fez referência à encíclica afirmando que ela
inspira-se, em sua visão fundamental, em uma passagem da carta de São Paulo aos Efésios, na qual o Apóstolo fala sobre agir segundo a verdade na caridade: “Vivendo segundo a verdade, no amor, cresceremos sob todos os aspectos em relação a Cristo, que é a cabeça” (4, 15).
Acrescenta o Papa:
A caridade na verdade é, portanto, a principal força propulsora para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e de toda a humanidade. Por isso, toda a doutrina social da Igreja gira em torno do princípio “caritas in veritate”.
Somente com a caridade, iluminada pela razão e pela fé, é possível alcançar objetivos de desenvolvimento com um valor humano e humanizador.