O Curso sobre Foro Interno desperta interesse entre os jovens sacerdotes alunos das Universidades e Ateneus Pontifícios e constitui um encontro formativo de notável interesse, que traz à luz a necessidade de uma contínua atualização teológica, pastoral e espiritual dos presbíteros, aos quais é “confiado o ministério da Reconciliação” (Cf. II Cor 5, 18).
Ajudam a melhor compreender o valor desse singular ministério sacerdotal as páginas evangélicas propostas pela liturgia à nossa atenção, nesse tempo de Quaresma.
Elas mostram o Salvador enquanto converte a Samaritana e é para ela fonte de alegria; cura o cego de nascença e torna-se para ele fonte de luz; ressuscita Lázaro e se manifesta como vida e ressurreição que vence a morte, consequência do pecado.
O seu olhar penetrante, a sua palavra e o seu juízo de amor iluminam a consciência de quantos encontra, provocando neles conversão e renovação profundas.
A conversão pressupõe a confissão dos pecados
Vivemos numa sociedade que muitas vezes parece ter perdido o senso de Deus e do pecado. Neste contexto, portanto, faz-se mais urgente o convite de Cristo à conversão, a qual pressupõe a consciente confissão dos próprios pecados e o correspondente pedido de perdão e de salvação.
O sacerdote, no exercício do seu ministério, sabe que age “na pessoa de Cristo e sob a ação do Espírito Santo”, e para isso deve nutrir em si os mesmos sentimentos d’Ele, aumentar em si mesmo a caridade de Jesus mestre e pastor, médico das almas e dos corpos, guia espiritual, juiz justo e misericordioso.
Relação entre Confissão Sacramental e Eucaristia
Na tradição da Igreja a Confissão sacramental sempre foi considerada em estreita relação com o banquete sacrifical da Eucaristia, memorial da nossa Redenção.
Neste ano particularmente dedicado ao Mistério eucarístico, parece-me ainda mais útil realçar a vital relação existente entre esses dois Sacramentos.
Já nas primeiras comunidades cristãs se advertia sobre a necessidade de se preparar com uma conduta de vida digna a celebrar a fração do pão eucarístico.
Quanto é útil recordar a exortação de Paulo aos fiéis de Corinto, os quais recebiam com leviandade a celebração da “ceia eucarística”, desatentos ao sentido profundo do memorial da morte do Senhor e às suas exigências de comunhão fraterna!
Também a nós suas palavras de grande severidade advertem a nos aproximarmos da Eucaristia com autênticas atitudes de fé e de amor (Cf. I Cor. 11, 17-29).
Somente quem tem sincera consciência de não haver cometido um pecado mortal pode receber o Corpo de Cristo.
Assim o diz claramente o Concílio de Trento quando afirma que ”ninguém, consciente de estar em pecado mortal, por mais que possa se julgar arrependido, se aproxime da santa Eucaristia sem antes fazer a Confissão sacramental”.1
E este continua a ser o ensinamento da Igreja ainda hoje.2
Pregai a verdadeira doutrina
Caríssimos irmãos, sede solícitos no celebrar vós mesmos o Mistério eucarístico com pureza de coração e amor sincero. O Senhor nos adverte a não nos tornarmos ramos secos da videira.
Com clareza e simplicidade, pregai a verdadeira doutrina acerca da necessidade do Sacramento da Reconciliação para aproximar-se da Comunhão, quando se tem consciência de não estar na graça de Deus.
Ao mesmo tempo, encorajai os fiéis a receberem o Corpo e o Sangue de Cristo para serem purificados dos pecados veniais e das imperfeições, de modo que as Celebrações eucarísticas resultem agradáveis a Deus e nos associem à oferta da Vítima santa e imaculada, com o coração contrito e humilhado, confiante e reconciliado.
Sede para todos ministros constantes, disponíveis e competentes do Sacramento da Reconciliação, como verdadeiras imagens do Cristo santo e misericordioso.