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Catecismo


O Matrimônio: Uma instituição duplamente santa
 
AUTOR: PE. AUMIR ANTÔNIO SCOMPARIN, EP
 
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No matrimônio, a graça santifica e torna fiel o vínculo entre os nubentes, permanecendo sobre eles até o fim da vida. Duas vezes honrado por Deus, na criação e na Redenção, ele se impõe aos homens como a dizer: “Não o toqueis, é uma coisa santa”.

Ao criar o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, Deus lhes deu um objetivo bem definido: “Frutificai, disse Ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei- -a” (Gn 1, 28). Tornava-os, assim, seus colaboradores na tarefa de transmitir a vida e propagar a espécie humana, e confiava-lhes a missão de reger e governar tudo o que havia feito.

Este encargo de crescer e multiplicar-se tinha muitos desdobramentos, entre os quais o dever de educar e formar os filhos segundo a Lei de Deus. No pensamento divino, porém, havia uma intenção ainda mais elevada: a instituição do Sacramento do Matrimônio, como símbolo da união de Jesus Cristo com a Igreja, sua Esposa “toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5, 27).

Tal é o sublime parâmetro estabelecido pelo Altíssimo para a união conjugal em todos os tempos, uma instituição duplamente santa.

O pecado do primeiro casal

Pelo pecado original, entretanto, nossos primeiros pais insurgiram-se contra tão elevado desígnio, pois, seduzida pelo demônio, Eva, que deveria completar o esposo em santa união, pecou e serviu de instrumento para arrastar Adão na queda.

Como foi possível acontecer isto no Paraíso? Mons. João Scognamiglio Clá Dias1 o esclarece em seu mais recente livro sobre São José, esposo santo arquetípico. Explica ele que o pecado original foi precedido pela ação exercida por muitos demônios sobre Adão e Eva, visando desequilibrar o reto relacionamento existente entre ambos.

A mulher era chamada a representar a grandeza encantadora de Deus, enquanto o varão devia manifestar a soberania e majestade do Altíssimo, atributos próprios a causar mais temor do que atrativo. Ora, cedendo às insinuações diabólicas, Adão tendia, no convívio diário, a deslumbrar-se com Eva mais pelo afeto humano que esta lhe tributava do que pelos aspectos que a assemelhavam ao Criador. E algo análogo deu-se no coração dela, ou seja, Deus deixou de ser o centro em torno do qual giravam suas aspirações.

“Ao seduzir Eva, a serpente causou-lhe confusão na mente e, por fim, orgulho na alma. Quando ela comeu o fruto proibido, sentiu em si os deletérios efeitos do pecado e, ao apresentá-lo a Adão, este percebeu a terrível mudança ocorrida em sua esposa. Eva, por inveja do estado inocente em que ele estava e para não ficar sozinha em sua falta, convenceu-o a comer o fruto. Adão compreendeu o que perderia se consentisse, mas vacilou entre obedecer a Deus ou agradar sua esposa, acabando por ceder às instâncias desta, pela pouca experiência que tinha da severidade de Deus”.2

Maria e José, exemplo do matrimônio perfeito

“Em sentido diametralmente oposto, São José e Nossa Senhora, por sua virtude e fidelidade, viveram na mais completa harmonia, mostrando a ordem perfeita do matrimônio quando marcado pela santidade. Apesar de terem sido tentados pelos mesmos demônios que assaltaram Adão e Eva, eles resistiram com total integridade, não permitindo sequer a menor concessão. Assim, de certa forma São José tornou-se um novo Adão pelo fato de haver convivido com Maria, a nova Eva, num equilíbrio feito de pureza e retidão. Em consequência, ao Santo Casal foram concedidos dons e graças ainda maiores que os primeiros pais obteriam se passassem bem pela prova.

“Por sua submissão a São José, Nossa Senhora, apesar de ser superior a ele, reparou o orgulho de Eva. E São José, elevado ao encargo de chefe da Sagrada Família, embora admirasse a grandeza de Nossa Senhora teve de governá-La, reparando a fraqueza de Adão.

“Desse modo, na união esponsal entre Maria e José, toda ela virginal e castíssima, é reparada com superabundância a defecção de Adão e Eva, pois no extremo oposto àquela desobediência está a docilidade plena à vontade de Deus dos imaculados cônjuges. Em seu afeto cheio de pureza e de mútua entrega, isento, portanto, de qualquer sombra de egoísmo, eles prepararam de forma excelente o advento de Nosso Senhor, que em sua infinita afeição pela Igreja daria por ela todo o seu Sangue no alto da Cruz, selando com sua Esposa Mística uma aliança eterna de fidelidade (cf. Ap 19, 7-9)”.3

Natureza e fins do matrimônio

Ao contemplar a mulher que Deus lhe dera por companheira, Adão compreendeu que haviam sido chamados a configurar-se numa unidade exclusiva e duradoura: “O homem deixará seu pai e sua mãe, e unir-se- á à sua mulher, e serão dois numa só carne” (Gn 2, 24).

Desde o início dos tempos, pois, quando deu ao primeiro casal humano a ordem de se unirem, Deus fez desta união uma instituição natural dotada de vínculo permanente e exclusivo, de forma que já não sendo dois, mas uma só carne, ninguém na terra poderia separar o que Ele mesmo unira (cf. Mt 19, 6).

Além disso, ao incumbir Adão e Eva do encargo de se multiplicarem e encherem a terra, Deus dispunha que o matrimônio estivesse na raiz do crescimento da sociedade. Não é de se estranhar, portanto, que a palavra matrimônio proceda etimologicamente, em um de seus sentidos, de matris munium, que quer dizer ofício de mãe, uma vez que tem relação com a tarefa de conceber e educar os filhos, o que, por natureza, compete à mulher.4

Um casal de terciários reza ao entardecer nos
arredores da Basílica de Nossa Senhora do
Rosário. Acima, Sagrada Família
Igreja de Nossa Senhora da Glória, Juiz de Fora (MG)

Instituição desejada e estabelecida por Deus

Desta maneira, sendo o casamento o meio por Deus desejado para a propagação da espécie humana, enquanto Criador da ordem natural nela imprimiu a inclinação natural do homem e da mulher a ter filhos.

Esta lei natural foi promulgada de modo positivo quando, no Paraíso, Deus a