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São Policarpo de Esmirna: Mártir e paladino da fé - Data: 22 de Fevereiro 2022
 
 
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Vínculo entre os Apóstolos e os Padres da Igreja, seguidor do "discípulo amado", incansável combatente contra as heresias, mártir sereno e corajoso: eis alguns traços da rica personalidade daquele que foi um dos maiores bispos dos primeiros tempos

No ano de 69 nascia São Policarpo, num ambiente de efervescência evangelizadora das primeiras décadas da Igreja Católica. Diversos documentos dessa época - incluindo uma carta por ele enviada aos cristãos de Filipos - constituem preciosa fonte de informação sobre sua vida, bem ilustrativa do Cristianismo de então.

O próprio São João Evangelista o nomeou Bispo de Esmirna, cidade grega situada no litoral da Ásia Menor (hoje Izmir, na Turquia). Era amigo pessoal do grande Santo Inácio de Antioquia, o qual, por sua vez, fora discípulo de São Paulo Apóstolo.

Quando Santo Inácio foi capturado pela polícia imperial, Policarpo encontrou-o no caminho do martírio, para beijar-lhe pela última vez as mãos e as cadeias. Nessa ocasião, o venerável Bispo de Antioquia rogou-lhe que ajudasse a proteger os fiéis das jovens igrejas, escrevendo cartas de exortação àquelas às quais ele não pôde fazê-lo antes de ser preso.

Paladino da fé

Policarpo esteve no centro das pelejas teológicas dos séculos I e II. O vigor do santo em defender a verdade valeu-lhe o título de "campeão da ortodoxia".

Como seu mestre João Evangelista, sabia ser truculento contra os que ameaçavam a fé do povo simples. Entretanto, no trato com os verdadeiros filhos de Cristo ele se mostrava suave e diplomático.

Como até então as Igrejas da Ásia diferiam das outras quanto à data de celebração da Páscoa, São Policarpo viajou a Roma, no intuito de dirimir essa dúvida com o Papa Santo Aniceto.

Hoje nos parecem pouco importantes problemas como esse, mas naquele período não era difícil algum deles servir de estopim para a explosão de movimentos heréticos.

Nos debates a respeito da questão, nem o Papa conseguiu convencer o Bispo de Esmirna, nem este àquele. No entanto, a virtude que unia os dois homens de Deus transpôs as barreiras teológicas.

Concordaram em que cada Igreja conservaria seus próprios costumes no tocante à data da festa, e continuariam unidas na caridade. Para demonstrar seu apreço por São Policarpo, Santo Aniceto lhe pediu que celebrassem juntos a Eucaristia em Roma.

A perseguição

À figura do grande bispo iria se acrescentar, em breve, a última e talvez mais bela faceta: a do martírio.

Próximo ao ano 154, desatou-se uma feroz perseguição contra o Cristianismo na Ásia Menor. Não satisfeitos em tirar a vida aos cristãos de Esmirna, os verdugos empenhavam-se de modo especial nos esforços para prender o seu bispo.

Era a tarde de sexta-feira antes da Páscoa quando uma patrulha a cavalo chegou à casa de campo onde o venerável ancião estava abrigado. Vendo-a, os cristãos que ali se encontravam instaram-no com veemência a escapar. Ele poderia tê-lo feito com facilidade, mas se recusou, dizendo: "Seja feita a vontade de Deus".

Assim, quando seus captores penetraram na propriedade, ele lhes foi ao encontro com uma serenidade que os perturbou, pois esperavam uma fuga ou uma reação violenta. O impávido bispo declarou-lhes que, antes de partir, ficaria um certo tempo rezando, durante o qual pedia para não ser interrompido. Impressionados por sua sobrenatural segurança, eles não ousaram se opor a esse desejo.

Policarpo afastou-se um tanto e por duas horas permaneceu em oração. Finda sua prece, o venerável ancião mansamente se entregou a seus captores. Não sem remorsos, e bastante embaraçados, eles o conduziram num burrico ao estádio da cidade, onde seria julgado.

Diante do tribunal romano, Policarpo entrega sua vida

Ao se aproximarem do terrível local, de fora já se ouviam os brados e impropérios da feroz multidão de pagãos que lá se encontrava aguardando com impaciência o início de mais uma sessão de sangrentos espetáculos.

Levado à presença do procônsul, este o ameaçou com o terrível suplício da morte pelo fogo e o instou a abjurar a fé em Cristo, para salvar sua vida. Ao que ele respondeu:

- Tu me ameaças com o fogo que queima por um curto tempo e logo se extingue. Mas nada sabes sobre o fogo eterno e a punição sem fim que aguarda os maus...

Entre gritos, a multidão exaltada preparou com impressionante rapidez uma fogueira. Policarpo desatou seu cinto e retirou seu manto, com a nobreza e elevação que lhe eram próprias.

Voltando os olhos para o céu, o bispo mártir fez uma oração em alta voz. Logo após seu "amém", os verdugos atearam o fogo. Assim, com serenidade e impavidez, completou este santo paladino sua obra de fé na Terra e partiu para o Céu, seu lugar de direito.

(Trechos da Revista Arautos do Evangelho, Fev/2007, n. 62.)
 
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