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São Martinho de Tours: Militar, monge e Bispo
 
AUTOR: IRMÃ LUCILIA LINS BRANDÃO VEAS, EP
 
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A bondade e a ousadia eram as tônicas de sua atividade pastoral. Sua vida cotidiana, uma conjugação de sacrifícios, oração e atividade missionária. De formação militar, a Providência chamara-o a ser monge e, mais tarde, Bispo.

São Martinho de Tours, soldado da Guarda Imperial

São Martinho de Tours nasceu na Panônia, região situada entre a Áustria e Hungria, em 316 ou 317. Entretanto, sua família pertencia à aristocracia galo-romana e era pagã. O nome, que significa “pequeno Marte”, foi-lhe dado pelo pai em homenagem ao deus da guerra. Assim, seu pai que era oficial do exército romano, queria proporcionar ao filho uma brilhante carreira militar.

Dessa forma, aos quinze anos, viu-se obrigado a entrar no exército, devido a um edito imperial. Contudo, divergem os historiadores sobre a duração do seu serviço militar. Alguns julgam ter permanecido no exército o tempo então exigido: 25 anos. De fato, como soldado da Guarda Imperial, passou em Amiens a maior parte de sua vida castrense.

“Martinho cobriu-Me com este manto”

Com efeito, aconteceu ali o célebre episódio que ficou imortalizado nas páginas hagiográficas de Martinho e em inúmeras obras de arte. Ou seja, durante o rigoroso inverno de 335, o santo passava por uma das portas da cidade quando avistou um mendigo tremendo de frio, o qual estendeu-lhe a mão, pedindo auxílio. Não tinha dinheiro para dar-lhe, mas, sem titubear, sacou a espada, dividiu ao meio sua capa de frio e entregou uma parte ao infeliz. Além disso, nessa noite o jovem soldado viu em sonhos Cristo Jesus vestido com a metade do agasalho por ele doado. E ouviu-O dizer com voz forte a uma multidão de anjos: “Martinho, que é apenas catecúmeno, cobriu-Me com este manto”.1 Embora ainda não batizado, sua alma estava já embebida da caridade cristã.

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“São Martinho de Tours”
– Colegiada de Candes-Saint
-Martin (França)

São Martinho de Tours e Santo Hilário

Quando teria sido lavado Martinho nas águas batismais? Não se sabe ao certo. Provavelmente, ainda em Amiens, pois quando deixou o exército, no ano 356, dirigiu-se para Tréveris, onde havia uma ativa comunidade católica.

Atraído pela fama de santidade do Bispo Hilário, viajou para Poitiers a fim de tomar o venerável prelado como mestre e guia. Aliás, este o recebeu de braços abertos, e quis ordená-lo diácono. Martinho, pelo contrário, sentindo-se indigno desse nobre encargo, aceitou somente a ordem menor do exorcistado.

Bispo de Tours, contra sua vontade

Todavia, em 371, quatro anos após a morte de Santo Hilário, faleceu Lidoro, Bispo de Tours. Martinho foi convidado a assumir essa sé episcopal, mas recusou de imediato.

Mas se, por um lado, estava ele resolvido a rejeitar o cargo, mais decididos estavam os cristãos de Tours a fazê-lo aceitar. Certo dia, um de seus habitantes foi a Ligugé e pediu-lhe, de joelhos, para ir com ele até a cidade e curar sua esposa enferma.

Sempre disposto a socorrer o próximo, por certo o santo eremita sentiu-se na obrigação de acompanhar aquele homem. Assim sendo, já nas proximidades de Tours, todas as pessoas que o rodeavam manifestavam o mesmo desejo: “Martinho é o mais digno do Episcopado. Feliz a Igreja que tiver um Bispo como ele!”. Somente, então, deu-se conta de ter caído numa armadilha…

Afinal, no exercício do múnus episcopal, mostrou infatigável zelo pelo rebanho confiado pelo Senhor aos seus cuidados. Não esperava portanto o povo vir ao seu encontro: ia aos mais recônditos lugares, e por vezes até extrapolava os limites de sua diocese, no empenho de propagar a verdade de Cristo.

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“Martinho é o mais digno do Episcopado”
– exclamava a multidão dos fiéis

“Sagração episcopal de São Martinho”
– Museu Episcopal de Vic (Espanha)

 

Seu rosto resplandecia como o de um anjo

Tinha já cerca de 80 anos de idade e sentia-se esgotado quando foi chamado a restabelecer a paz entre os sacerdotes do povoado de Candes, os quais se encontravam numa desoladora situação de discórdias. Partiu apressadamente para exortá-los à caridade fraterna, e obteve pleno êxito nessa última missão.

Sulpício Severo não acompanhou o seu mestre nessa viagem, mas certa manhã sonhou com ele, vestido de branco, sorridente e esplendoroso. “Seu rosto era como uma chama; seus olhos, brilhantes como estrelas, e sua cabeleira era luminosa”. Pouco depois entrou no quarto um criado que lhe disse: “Acabam de chegar dois monges de Tours, trazendo a notícia da morte de Dom Martinho”.

Morte e disputa pelas relíquias de São Martinho de Tours

O que se passara de fato? Depois de restaurar a concórdia entre os sacerdotes de Candes, o venerável ancião sentiu-se abandonado pelas próprias forças e comunicou seu estado aos religiosos do mosteiro onde se hospedara.

São Martinho, porém, não temia morrer, nem recusava o combate da vida. Deitado no chão sobre um leito de cinzas, abandonava-se nas mãos de Deus, pronto para fazer sua divina vontade. Seu rosto resplandecia como o de um anjo.

O falecimento do venerado Bispo provocou grande comoção. E depois da célebre discussão entre os habitantes de Poitiers e os de Tours a respeito de qual cidade tinha direito aos santos despojos, os habitantes de Tours conseguiram “roubar” à noite o inestimável tesouro. A população inteira saiu para recebê-lo.

(Revista Arautos do Evangelho, Nov/2011, n. 119, p. 34 à 37)

 

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