História de Santa Cecília
Os Santos estudiosos comprovam que Santa Cecília, patrícia, vinda de família nobre da Antiga Roma, entregou à Santa Igreja uma casa e um terreno que possuía, para que neles se fizesse um lugar de encontro para a Liturgia cristã.
Mais tarde, tendo falecido a doadora, a casa foi consagrada como igreja – Igreja de Santa Cecília de Trastévere – onde, ainda hoje, os fiéis podem peregrinar ao transitar pelas vias latinas.
Já o terreno foi lugar de sepultamento de cristãos mártires, ficando conhecido como Cemitério de São Calisto ou Catacumbas de São Calisto. É lá que vemos uma sepultura ornada e dedicada, com capricho e beleza, à Santa Cecília.
Casamento da Santa mártir
Cecília, como qualquer moça de sua idade e origem, já era prometida a um varão de igual condição. O nome de seu pretendente era Valeriano.
Na noite de núpcias, após a cerimônia, Cecília declarou que havia feito um voto de virgindade e que Valeriano não poderia tocá-la porque era protegida por um Anjo.
O moço, de bom coração – algo raro na Roma pagã – primeiramente discutiu sobre a decisão de sua recente esposa, mas depois a respeitou, manifestando o desejo de ver o Anjo. Cecília, então, o levou até Santo Urbano I, Papa, que o preparou devidamente e o batizou.
O Batismo, de fato, abre os olhos do ser humano para as realidades da fé, tanto que, uma vez batizado, Valeriano enxergou o poderoso Anjo que guardava Santa Cecília e caiu de joelhos, admirado. O ser santíssimo, então, pousou uma coroa na fronte de Cecília e outra na de Valeriano. A coroa era o sagrado sinal do martírio…
Algum tempo depois, Valeriano, junto com seu irmão Tibúrcio, recém-convertido, foi morto pelo prefeito da cidade, Almáquio.
A coroa na fronte da virgem Cecília
O desgraçado infiel, porém, com medo do povo, ao convocar uma sentença agressiva para a nobre e delicada jovem, resolveu matá-la em segredo.
Ordenou que seus capatazes a levassem às termas e a trancassem lá, esperando que os vapores da piscina se encarregassem de matá-la asfixiada.
Depois de um dia e uma noite, certo de que ela teria sucumbido, encontraram-na milagrosamente viva, envolta numa nuvem que a refrigerava.
Cansado de esperar, Almáquio decretou logo a morte de Cecília.
Como era romana, ela tinha o direito mínimo de ser decapitada por espada. Porém, o carrasco não conseguiu cortar a cabeça, e deixou-a agonizando com o corte no pescoço por três dias.
Estudiosos consideram que era o ano de 230, e o Santo Papa instituiu sua festa para o dia 22 de novembro.
Padroeira da música
Alguns pesquisadores dizem que, como ficara com a cabeça pendurada, Santa Cecília ainda professava sua fé mostrando três dedos em uma mão e um dedo em outra, professando sua fé no Deus Uno e Trino, ou seja, evangelizando mesmo em agonia.
Algumas atas do martírio de Santa Cecília afirmam que esta, semidecapitada, não pronunciava palavra nenhuma, mas cantava uma melodia angélica, evangelizando a todos com seu cântico.
Daí nasceu a devoção a Santa Cecília como padroeira da música.
Seja isso real ou imaginação, o fato é que, hoje, Santa Cecília, virgem e mártir, canta melodias grandiosas no Céu, olhando para nós que vivemos nesta terra de exílio.
Rogai por nós, esposa de Cristo!