O sacerdócio levítico no contexto histórico-bíblico
Acesse sua conta Login
Faça parte Cadastrese!
Arautos do Evangelho
Arautos Podcast contato Contato Rezem por mim
  Acenda uma vela a Nossa Senhora

O sacerdócio levítico no contexto histórico-bíblico
Thiago de Oliveira Geraldo - 2011/07/19

O sacerdócio levítico no contexto histórico-bíblico

Thiago de Oliveira Geraldo 1

Resumo

O presente artigo visa estudar, num primeiro plano, as características do Livro do Levítico, fornecendo elementos que possibilitem a compreensão do conceito sacerdotal contido no mesmo e o contexto no qual se insere o sacerdócio da Antiga Lei. O estudo culmina com o enfoque do sacerdócio neo-testamentário na plenitude de Cristo.

Abstract

The present article seeks to study, in the first place, the characteristics of the Book of Leviticus, furnishing elements that enable a comprehension of the priestly concept contained within the same, and the context of the the priesthood within the Old Law. The study culminates by focusing on the neo-testamental priesthood in the plenitude of Christ. Key words: Priest, Levite, sacrifice, holiness, law, plenitude, Christ.

I - Aspectos circunstanciais acerca do Livro do Levítico

Um princípio metodológico para o estudo de textos refere-se às conjunturas em que um livro foi escrito. Antes propriamente de abri-lo e iniciar sua leitura, o pesquisador deve verificar a linha de pensamento do autor, procurar conhecer os traços gerais do livro, os objetivos com que escreve, quando foi escrito, etc. Desta forma, não se perde tempo em leituras desnecessárias e isso faz com que o grau de compreensão torne-se mais profundo. Este é o objetivo do primeiro ponto deste artigo: verificar as circunstâncias de um livro existente muito tempo antes do invento da imprensa.

O Livro do Levítico está inserido entre os cinco primeiros da Bíblia (Pentateuco). Esta coleção tem por essência apresentar os preceitos religiosos e legais involucrados em narrações históricas, sobretudo em relação com o início histórico do mundo, até alcançar a morte do profeta que via Deus face a face. É assim que Bover (1947, p. 39) descreve o papel dos preceitos legais - a Torá - no contexto bíblico:

A Torá ou Lei - É como o pórtico e, por sua vez, ao menos religiosamente, a medula de toda a Bíblia. Em essência está constituída por uma coleção de preceitos religiosos e disposições legais encadeadas em uma narração histórica que expõe os acontecimentos essenciais da pré-história do mundo, e mais particularmente de Israel, desde a criação até a morte de Moisés. 2

1. Origem do nome

O terceiro livro do Pentateuco havia recebido como nome a primeira palavra hebraica contida no mesmo (wayyiqr? = e chamou), aliás, como aconteceu com os outros quatro livros do Pentateuco. 3 Este livro, que trata de forma especial sobre o ritual do culto divino no santuário, carrega atualmente sobre si o nome de Levítico 4 devido à tribo de Levi. Nele estão descritos os deveres e direitos dessa mesma tribo. 5

2. Os elementos e a substância do livro

Pode-se dizer que o caráter geral do Levítico está na contemplação da ideia de santidade (de Deus), mas para isto é mister que seus ministros, por meio do culto, também apresentem essa santidade ritual e moral. 6

Entre as possíveis divisões do livro, apresentam-se as seguintes seções: (1-7) leis e instruções acerca dos sacrifícios; (8-10) consagração dos sacerdotes e primeiros sacrifícios; (11-15) prescrições a propósito da pureza; (16) ritual de purificação para o dia das expiações; (17-26) leis de santidade; (27) normas sobre as ofertas votivas e dízimos. 7

Quase se poderia dizer que todos os textos do Levítico versam acerca de legislação; excetua-se apenas um pequeno episódio (Lv 10, 1-5). 8 A santidade - como já se disse - é a ideia central deste livro; apresenta a santidade de Yahvé, cuja emanação deve atingir o povo eleito (Israel), sobretudo se tratando dos levitas (sacerdotes). Os sacerdotes, por sua consagração ao serviço direto a Yahvé, estavam obrigados de modo especial a um determinado caráter de vida. 9 Esse pensamento tem proeminência nos capítulos 17-26, sendo denominado de código de santidade.

A primeira parte do livro (1-7) diz respeito aos sacrifícios e às oferendas dos fiéis e de como os sacerdotes devem oferecê-las. Eis os tipos de sacrifícios desta primeira parte:

• o holocausto (‘olah), no qual se queima a vítima inteira sobre o altar (1, 3-17);
• as oblações (minjah), que são oferendas de flor de farinha, de incenso e de azeite - como complemento dos sacrifícios - (2, 1-16);
• os sacrifícios pacíficos (selem), em que são queimadas as gorduras no altar (3, 1-17);
• os sacrifícios expiatórios pelos pecados (jattah), (4, 1-5, 13) e pelos delitos (‘asam), (5, 14-6, 7).

Uma segunda parte tem caráter histórico-ritual (8-10) e trata sobre a consagração de Aarão e de seus filhos. Para os capítulos 11-16 é exigida a santidade aos israelitas como povo de Deus, portanto, versam sobre as impurezas. Essas leis foram compiladas depois de um momento de vivência por parte do povo, quer dizer, da tradição. 10

3. A composição redacional

Entre as hipóteses surgidas sobre a origem do Livro do Levítico, destaca-se neste trabalho a teoria da crítica independente, que nega toda a origem mosaica da legislação levítica, supondo sua origem estar na escola sacerdotal de influência do profeta Ezequiel nos tempos do cativeiro da Babilônia. Desta forma, esse livro é um documento sacerdotal, cuja compilação data de diferentes épocas. 11

Consideração de alguns dos elementos dessa possível redação. Lei de santidade: constitui um código à parte, como o código da aliança no Êxodo e o Deuteronômio, compreendendo os capítulos 17-26. Os três livros citados têm seu início pelas leis sobre os lugares de sacrifícios, ao mesmo tempo em que terminam com uma exortação e uma conclusão (Lv 26, 46). O código de santidade está composto também por outros elementos de diversas origens. 12 Acredita-se que sua composição foi pouco depois do Deuteronômio (séc. VI), devido a não se destacar a pessoa do sumo sacerdote como chefe supremo da hierarquia sacerdotal. Ademais, encontram-se muitas semelhanças com os textos de Ezequiel, o que faz supor que este mesmo autor seja o que escreveu a lei de santidade. 13 Entretanto, as discrepâncias encontradas entre ambos faz com que outros opinem ser a lei de santidade anterior a Ezequiel. Outro elemento essencial na redação do Levítico encontra-se na lei dos sacrifícios (1-7); supõe-se ser obra dos sacerdotes do Templo de Jerusalém. A lei da pureza ritual (11-15) aparece fora do contexto, fazendo uma interpolação indevida entre os capítulos 10 e 16. Sobre a lei do dia da expiação (16), não aparece nos tempos de Ezequiel, por isso, este ritual deveria acoplar-se aos elementos secundários do código sacerdotal: "Única seção histórica do livro". 14 O capítulo 27 - lei sobre os votos e dízimos - parece ser uma adição recente ao código sacerdotal, por ter manifesto caráter de apêndice. A consagração dos sacerdotes (8-10) é uma continuação de Ex 40, uma vez que Lv 8 também é cumprimento das ordens dadas em Ex 39; assim (8-10) forma parte fundamental do escrito do código sacerdotal.

Esses elementos do Levítico se tornam partes do documento sacerdotal do Pentateuco. Isto se supõe ter ocorrido no séc. V a.C., no tempo de Esdras, tornando-o livro religioso do Templo. A piedade judaica o remontava aos tempos de Moisés, por ser este livro um manual de ritual e piedade, verdadeiro guia tanto do povo como dos sacerdotes em sua inter-relação com a divindade. Ele foi elaborado no decurso de alguns séculos, sendo suas prescrições recolhidas, adaptadas e agrupadas. 15

Com base nos autores acatólicos, o Levítico não tem nenhuma relação com Moisés, uma vez que foi escrito pela época do exílio (pouco antes ou depois). Posto num plano evolutivo em consideração ao Êxodo (código da aliança: 20-23) e ao Deuteronômio, ele é tido por um término desse processo. Nesta concepção, o santuário, o sacerdócio, os sacrifícios, as festas 16, etc., fazem parte apenas de um processo histórico, cuja evolução se caracteriza, sobretudo, sob o ponto de vista legislativo. 17

Em contrapartida, os autores católicos defendem - embora de diferentes maneiras - a autenticidade mosaica da legislação levítica. Para alguns, essa autenticidade é integral, inclusive em sua redação; outros, porém, mais modernos, defendem que ela deve ser vista em seu aspecto substancial (qualitativo), em que elementos essenciais do Levítico remontam à época mosaica. Se Moisés foi mediador entre Yahvé e Israel, como transmissor de princípios fundamentais da religião, era necessário um núcleo de leis - contendo seu espírito - passíveis de desenvolvimento. 18 Entre os autores dessa corrente encontra-se Lagrange, que defende a ideia de uma originalidade mosaica da legislação, por onde o código sacerdotal é uma conclusão normal e posterior a ela, tanto em sua redação como em seu tema especial. 19 Essa lei bem pode ser a condensação da vida cultual de Israel, desde Moisés até a Babilônia, sendo recopilada pelos sacerdotes. No entanto, a tradição sacerdotal teve de tomar como base uma tradição sinaítica, não morta, mas parte integrante da vida nacional, possibilitando um desenvolvimento posterior. 20

O autor do Levítico recolheu textos antigos, com rituais de purificação também antigos, e redatou uma nova liturgia. Pode-se dizer que é de cunho mosaico em seu conteúdo religioso.

Encontra-se em algumas leis um paralelo com documentos pré-mosaicos, como os de Ugarit e Nuzi, o que mostra ser esta atividade literária plenamente conciliável com o código legislativo do Levítico. 21 Esses rituais fazem das festas agrícolas praticamente todo o seu ciclo litúrgico, do que se presume um processo de sedentarização, da qual não gozavam na época mosaica. Apesar dos numerosos pontos de contato dessa síntese com Ezequiel, também é pouco provável que toda ela seja posterior ao cativeiro. No entanto, a lei da santidade parece ter sido codificada no final do período da monarquia - em semelhança com o Deuteronômio. As outras leis são mais difíceis de serem precisadas, apesar de a crítica datá-las como posteriores à Torá de Ezequiel (40-48). Entre as sínteses particulares e a grande síntese do Levítico, não se tem certeza de sua redação; porém, o espírito do redator é conservador, preocupado em manter os costumes anteriores ao exílio, mais que tentar uma reforma. Estas noções de uma lei revelada, em verdade, provêm do espírito mosaico. 22

A interpretação crítica sobre a redação do Pentateuco atribuída a Moisés é assim descrita pela Pontifícia Comissão Bíblica, em 27 de junho de 1906 (DZ 3395-3397):

Pergunta 2: será que a autenticidade mosaica do Pentateuco exige necessariamente uma redação tal de toda a obra que se deve pensar sem restrição que Moisés o escreveu todo, com todos os seus pormenores, seja de próprio punho, seja ditando a seus amanuenses? Ou pode-se admitir a hipótese dos que pensam que Moisés encomendou a escritura da obra por ele concebida sob inspiração divina a outro ou outros, de tal modo, porém, que expressassem fielmente seus pensamentos, nada escrevessem contra sua vontade, nada omitissem e, finalmente, a obra assim composta, aprovada por Moisés, seu principal e inspirado autor, fosse divulgada sob o seu nome? Resp.: Não, quanto à primeira parte; sim, quanto à segunda [...].

Pergunta 4: Pode-se admitir, salva a autenticidade mosaica essencial e a integridade do Pentateuco, que talvez, em tão prolongado processo multissecular, tenham acontecido nele algumas modificações, como: adições feitas depois da morte de Moisés ou acrescentadas por um autor inspirado, ou glosas ou explicações inseridas no texto, vocábulos ou formas de língua antiga transpostas para linguagem mais moderna, enfim, lições erradas que se devem atribuir a defeito de amanuenses, as quais licitamente podem ser discutidas e julgadas de acordo com as normas da crítica?
Resp.: Sim, salvo o juízo da Igreja. 23

4. Contexto bíblico do Levítico

O Livro do Levítico encontra complemento em Ezequiel, em prescrições do já existente código de santidade, e direciona muitas normas da legislação sacerdotal: no que se refere aos aspectos sacrificais, do sacerdócio e da pureza. Além deste profeta, no Livro do Eclesiástico (50, 5-21) tem-se a memória das festas de expiação, 24 em sua liturgia; ademais de conter alguns ritos das ofertas dos sacrifícios. 25

No Novo Testamento, com o advento da Nova Aliança, os sacrifícios e leis do Levítico - o antigo ritual - cederiam lugar. Esta lei foi tão válida no Antigo Testamento que somente Jesus poderia aperfeiçoá-la. O fato de algumas tendências religiosas criarem casuísticas transformando a lei em arbitrária e pura letra, fez com que em algumas ocasiões Jesus se visse obrigado a ter reação contrária a ela. 26 No entanto, o próprio Jesus se sujeitou à lei, 27 com o intuito de dar-lhe pleno cumprimento. 28 A clave interpretativa da lei tornou-se o amor. 29

5. A teologia contida no livro

Para os críticos independentes, o conteúdo levítico está num estágio inferior à mensagem profética, por ser esta última a base ética da qual se serviram os fariseus dos tempos de Jesus. No entanto, esta posição não se sustenta quando se leva em conta que o Levítico contém aspectos dogmáticos e morais da religião mosaica. Os sacerdotes são os destinatários do Levítico, portanto, encarregados dos deveres cultuais; os profetas não se preocupavam com esses deveres, uma vez que já havia encarregados para isto. Assim, a concepção teocrática do Levítico expressa a vida de Israel em torno do culto, baseando-se nas verdades religiosas e éticas de outros livros (v. gr. Deuteronômio). 30

As leis são anunciadas por Moisés, o grande legislador, e entre elas algumas têm suas origens anteriores a ele mesmo, mas ganham realce por seu meio, uma vez que sua intenção era mostrar ao povo a santidade de Yahvé. Por meio desta, queria o legislador evitar a mescla da nação sacerdotal com as gentis, impedindo sua contaminação. Portanto, a ideia transmitida não podia ser outra que a de santidade, sendo o próprio Yahvé o padrão e paradigma dela. 31 Como nação consagrada ao Senhor, recebia o título de primogênita 32 e de reino sacerdotal; 33 o que lhes privava de tomar as mesmas atitudes de outras nações. 34 E a forma de obter isto era praticar os preceitos de Yahvé. 35 No entanto, dentro dessa nação primogênita, havia uma classe sacerdotal encarregada de praticar e divulgar a expressão da santidade.

Encontram-se no Levítico apreciações morais dignas de uma tradição profética ou deuteronômica das melhores; o que exclui a concepção de nomismo formalista da qual foi acusado o livro. Dentre essas apreciações podem-se contemplar os deveres para com o próximo, as proibições de furto, a mentira e o ardil (19, 11; 35-36); o respeito para com os pais e o sábado (19, 3) e com os desvalidos (19, 14); ficam vetados o rancor e a vingança (19, 17-18); inclusive se prega o amor ao estrangeiro como se ele fosse um membro do povo (19, 33-34).

Com relação aos sacrifícios, estes tinham uma finalidade religiosa e com eles se demonstrava a adoração e submissão a Deus. A ideia de sacrifício valia para o povos semitas e - inclusive - não-semitas. 36 Para os israelitas os sacrifícios estão permeados de sentido religioso: como a adoração, o reconhecimento pelos benefícios, o sentido de expiação, a súplica. São Tomás (S. Th. III, q. 22, a. 2, resp.) descreve três motivos para que haja o sacrifício:

O homem, portanto, tem necessidade do sacrifício por três motivos: 1. Para a remissão do pecado que o afasta de Deus. Por isso, diz o Apóstolo, na Carta aos Hebreus, que cabe ao sacerdote "oferecer dons e sacrifícios pelos pecados". - 2. Para que o homem possa conservar-se no estado de graça, sempre unido a Deus, no que consiste a sua paz e salvação. Por isso, na antiga lei se imolavam vítimas pacíficas pela salvação dos que as ofereciam, como prescrevia o livro do Levítico. - 3. Para que o espírito do homem seja perfeitamente unido a Deus, como acontecerá, sobretudo, na glória. Por isso, na antiga lei, era oferecido o holocausto em que tudo era queimado, como relata o Levítico. 37

Por meio dos sacrifícios o povo deveria viver nesta comunicação com o sobrenatural, onde ganhariam um sentido moral suas atitudes. Castanho (1990, p. 53-54) descreve o fenômeno religioso em Israel e sua superioridade sobre as demais religiões existentes:

O livro do Levítico revela a superioridade da religião mosaica, sobre todas as demais religiões da antiguidade. Os judeus sabiam que o seu Deus era santo e que o culto a Deus deveria ser tratado com o máximo de respeito. Como todos os demais povos, havia em Israel, e antes mesmo no deserto, sacerdotes, sacrifícios e outros ritos cultuais. O fenômeno religioso é universal no espaço e no tempo, é uma exigência da natureza, da inteligência e do coração humanos. 38

Tempos depois os profetas anunciam uma degeneração desse sentido sacrifical (Am 5, 22; Os 8, 13; Jr 5, 20); o povo fazia-o por pura formalidade, seu coração já não estava voltado ao sentido original, criando uma teatralidade do mesmo ato. 39

Apesar de uma tentativa da crítica de diminuir o valor religioso do Levítico, esta legislação contém um sentido religioso e ético integrantes ao povo e que em nada desmerece a tradição profética. As instituições e prescrições que fazem parte deste livro não se circunscrevem ao mero formalismo de um cerimonial, mas reavivam o sentido de adoração a Yahvé, o que faz dele, juntamente com as exortações do Deuteronômio e o discurso profético, parte da consciência do povo judeu. Isto salvaguarda a vida religiosa e monoteísta do povo, protegendo-o da influência gentílica. Se o papel dessa legislação foi preponderante no momento subsequente ao exílio, não foi menos em sua situação precedente. Com o decorrer da história judaica, as leis foram se tornando pesadas por uma casuística farisaica, por meio da qual as adições orais sobrecarregaram a lei desviando seu verdadeiro sentido. Mais tarde São Paulo mostrará o papel da lei como pedagogo até o advento de Cristo. Assim, ela foi a disciplina encarregada de conservar a verdadeira fé em Deus e à Sua vontade. 40

II - O sacerdócio levítico e o contexto bíblico

1. Definição

Sacerdote 41 - do termo hebraico (??h?n) - tem sua etimologia discutida. Não possui forma feminina, pelo fato de nunca ter havido sacerdotisas em Israel - como entre outros semitas. Para Israel o termo "levita" frequentemente era entendido no sentido sacerdotal, mas nem sempre. 42 Pode ser entendido como aquele que está diante de Deus como servidor; 43 o que se inclina ou aquele que procura a prosperidade. 44 Ainda pode ser designado, segundo SABBAG (2005, p. 366), como "pessoa especialmente destinada e preparada para servir de liame entre o que é divino e a humanidade; ou aquele que se devota de alma e coração a uma causa sagrada". 45

Na visualização tomista, o sacerdote é o mediador entre Deus e o povo. Para o povo entrega as coisas divinas e para Deus oferece as orações pelos pecados.

O ofício próprio do sacerdote é ser mediador entre Deus e o povo, enquanto entrega ao povo as coisas divinas [...] Além disso, o sacerdote é mediador enquanto oferece a Deus as orações do povo e de alguma forma satisfaz a Deus pelos seus pecados (S. Th. III, q. 22, a. 1, resp.).

2. A ordenação e santidade do sacerdócio levítico

No Levítico o sacerdote está intimamente ligado com o conceito de sacrifício. É aquele que oferece sacrifícios pelos pecados (Lv 6, 7). O discurso de Moisés (Lv 6, 1) deve dirigir-se para Aarão e seus filhos.

Os sacerdotes deveriam passar por uma solene ordenação à entrada da tenda da reunião (Lv 8, 3), cujo cerimonial inclui a investidura e unção (Lv 8, 7-13), três sacrifícios (Lv 8, 14-36), e a observância do dia oitavo (Lv 9), além de conter rituais adicionais (Lv 10). Esta era uma cerimônia tripartite, sendo constituída de uma purificação, ordenação e consagração. 46 O aspecto sacrifical da cerimônia, que fazia parte da ordenação, constava de um sacrifício pelo pecado (Lv 8, 14-17), um holocausto (Lv 8, 18-21) e outro para a ordenação (Lv 8, 22-36).

A estrutura do culto sacerdotal por meio do sacrifício oferece um movimento ternário, por onde o sacerdote torna-se o intermediário entre Deus e o povo. Esse movimento consta de uma fase ascendente, uma central e outra descendente, segundo Terra (1996, p. 62):

A fase ascendente compreende todo o sistema das separações rituais, das diversas regras de pureza, até as ofertas sacrificais, passando pelos ritos de purificação e de consagração.

A fase central ou de encontro é o elemento decisivo no culto e consiste no encontro do sacerdote com Deus; graças ao sacrifício aceito, o sacerdote é admitido na habitação de Deus.

A fase descendente resulta do bom relacionamento estabelecido entre o sacerdote e Deus. O sacerdote obtém o perdão divino e o fim dos castigos provocados pelos pecados; pode comunicar ao povo as instruções divinas que revelam o caminho certo a ser seguido para lograr a vitória na vida; pode abençoar o povo com o nome de Deus para propiciar-lhe fecundidade, paz e felicidade. 47

O v. 33 (permanência à entrada da tenda da reunião) apresenta-se como sendo o cume da cerimônia. 48 O término da ordenação dá-se com a bênção solene de Aarão (Lv 9, 22). A aceitação do sacerdócio - por parte de Deus - no rito de ordenação e os sacrifícios manifesta-se com a teofania no capítulo 9: "E a glória do Senhor apareceu a todo o povo. Saiu um fogo de diante do Senhor que devorou no altar o holocausto e as gorduras. Vendo isso, todo o povo soltou gritos de júbilo e prostrou-se com a face por terra" (Lv 9, 23b-24).

No entanto, aquele que oferece sacrifícios deve ser santo. E é esse o tema do capítulo 21 (a santidade do sacerdócio), envolvendo regras de como o sacerdote deve manter a pureza, 49 a fim de oferecer sacrifícios. Esta santidade descrita no capítulo 21 corresponde num primeiro plano a regras gerais para os sacerdotes (Lv 21, 1-9). O que poderia ser tolerável para uma pessoa qualquer do povo, não o era para o sacerdote, devido ao alto serviço que prestava a Deus.

Os versículos 10-15 não se referem ao sumo sacerdote, surgido no período pós-exílico, 50 mas denota uma concepção hierarquizante do sacerdócio, o que pressupõe algo da reforma de Josias (621 a.C.). O versículo 10 talvez não seja suficiente para significar esse título numa existência pré-exílica; de qualquer forma, o sacerdote destacado deve ser mais radical no tocante às normas de sepultamento - inclusive de seus parentes próximos - não podendo abandonar o santuário nem nesta ocasião (Lv 21, 10-13). Por outro lado, a escolha do cônjuge deve ser tomada com um significado especial. A LXX trás a expressão "do seu próprio povo" (ek tou genous autou), o que mantém a pureza da linhagem levítica. 51

A terceira parte deste capítulo expressa a integridade que o sacerdote deve possuir, não somente espiritual, mas, inclusive, física. Assim como os animais a serem oferecidos não podiam conter imperfeições, da mesma forma deveria ser o sacerdote. Caso um sacerdote possuísse alguma imperfeição, esta o privaria do oferecimento direto a Deus (v. 21b), mas lhe era permitido comer das ofertas (v. 22).

Nesta visualização o sacerdote é aquele escolhido por Deus para ser o mediador entre Ele e o povo. Tal mediação deve ser feita por meio do culto sacrifical e, para isto, o sacerdote deve estar em condições para realizá-lo, ou seja, em estado de santidade.

3. A história do sacerdócio no contexto bíblico

Antes mesmo da instituição do sacerdócio na Bíblia, outros povos exerciam esta função, formando uma hierarquia organizada e hereditária; assim descreve George (1972, p. 924) esse aspecto:

Entre os povos civilizados que cercam Israel, a função sacerdotal é muitas vezes exercida pelo rei, notadamente na Mesopotâmia e no Egito; o rei é então assistido por um clero hierarquizado, no mais das vezes hereditário, que constitui uma verdadeira casta. Não há nada disso entre os patriarcas. Não existe então nem templo, nem sacerdotes especializados do Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. 52

No Antigo Testamento as fontes sacerdotais são de dois tipos: de forma narrativa e de leis. 53 Numa primeira visualização acerca do sacerdócio no contexto bíblico, não se encontra o aspecto sacrifical - que depois veio a ser exercido -, mas o serviço da adivinhação 54 e a instrução sobre a Torá. 55 Segundo Monloubou (2003, p. 704): "Tanto quanto os profetas, os sacerdotes são moralistas que ensinam o povo a se dispor ao culto e a prolongar os efeitos por uma conduta digna". 56Ademais, os chefes de cada família tinham o poder de sacrificar; 57 aliás, como foi o caso do próprio Jetro - sogro de Moisés - que ofereceu holocausto e sacrifício no Sinai, depois comeu com Aarão e os anciãos de Israel. 58

A origem levítica provavelmente remonta a um ramo sacerdotal oriundo de Cades, com os quais Moisés mantinha relações firmes. 59 Eles alegavam possuir a origem sacerdotal exclusiva. 60 Juridicamente não possuíam terras, 61 por serem da tribo escolhida, mas zelavam pela tradição das leis sagradas dentro do povo. 62 A pessoa de Moisés era considerada levita. 63

Sobre a origem levítica de Aarão ocorrem controvérsias. Em Ex 4, 13-16 ele é considerado levita e irmão de Moisés; no entanto, ora se torna intercessor junto a Moisés (Nm 12, 11-12), ora assume a condição de sacerdote de um bezerro de ouro idolátrico (Ex 32, 1-5). Este fato ligado à contenda entre Roboão e Jeroboão faz com que Aarão seja uma espécie de precursor do sacerdócio em Betel, pois Jeroboão também construiu um bezerro de ouro em Betel e outro em Dã e estabeleceu sacerdotes do meio do povo que não eram levitas. 64

Num período pré-monárquico em que ainda não havia rei, cada qual fazia o que lhe parecia melhor; foi assim que Mica, da montanha de Efraim, convidou um levita para tornar-se seu sacerdote, após a fundição de um ídolo com 200 moedas de prata encomendado por sua mãe. 65 A imagem fundida com as 200 moedas e o sacerdote levita foram mais tarde sequestrados pela tribo de Dã, que queria estabelecer-se na cidade de Laís. O levita alegrou-se por se tornar como que pai e sacerdote de uma tribo em vez de uma família. Jônatas, filho de Gerson, filho de Manassés, constituiu-se, juntamente com seus filhos, sacerdote da tribo de Dã até o dia do cativeiro. O que tem como intento a legitimidade do sacerdócio, remontando-o até Moisés. Isto se passou enquanto a casa de Deus estava em Silo, 66 onde Eli desempenhava o ofício sacerdotal por meio de sacrifícios e holocaustos. 67 Após o declínio da família de Eli, tem-se notícia de uma cidade sacerdotal em Nobe. O chefe desta família, o sacerdote Aquimelec, dá alimento a Davi e seus companheiros. Por esse motivo, Saul determina que toda sua família seja exterminada, exceto Abiatar que se refugia com Davi. 68

Entrando no período monárquico, o sacerdócio ganha estruturação e a partir daí o culto no Templo torna-se vigoroso. 69 Salomão organiza a estrutura de seu reino e com isso o culto fica centralizado no Templo em Jerusalém. 70 No entanto, com o cisma samaritano os cultos locais ganham novamente realce. 71 Nessa época o sacerdócio e a monarquia tinham uma firme aliança, como mostra o massacre dos filhos de Acab, no qual Jeú extermina a todos, inclusive os sacerdotes que serviam o rei. 72 Isto não se passava somente em Israel, mas também em Judá, como o caso do refugiado Joás, que ficou seis anos escondido no Templo e depois, com a conspiração do sacerdote Jojada, torna-se rei. 73

As classes sacerdotais formadas em comunhão com a monarquia foram respectivamente deportadas pelos conquistadores de seus reinos. Israel caiu com a invasão assíria e colonos se estabeleceram na Samaria. 74 Algum tempo depois, sacerdotes são trazidos da deportação para ensinar a religião aos colonos, 75 Judá é conquistada por Nabucodonosor e Sedecias, deportado para a Babilônia. 76 Inclusive o sumo sacerdote Saraías e Sofonias, segundo sacerdote, são levados para o cativeiro. 77

Um passo importante para o sacerdócio de Judá, ocorrido antes da deportação para a Babilônia, deu-se com a descoberta do livro da aliança no Templo, pelo sumo sacerdote Helcias. Após as palavras da profetisa Holda, o rei Josias promoveu uma reforma geral no culto: renovando a aliança com Deus, ele ordenou a Helcias, aos sacerdotes de segunda ordem e aos porteiros que limpassem o Templo de todos os objetos idolátricos que lá havia; despediu os sacerdotes idólatras e os que adoravam os astros do céu e mandou profanar os lugares que tinham sido objeto de culto idolátrico, unificando, dessa forma, o culto ao Deus verdadeiro no templo de Jerusalém. 78

Na época exílica, com a condensação da lei sacerdotal levítica, ficou assegurado que a tribo sacerdotal por excelência seria a de Levi, 79 e mesmo assim nem todos os levitas seriam sacerdotes. 80 A Aarão e seus filhos ficou reservada a função de sumo sacerdote. 81 No entanto, Ezequiel, ao divisar o "novo Israel" (capítulos 40-48) recorda que os levitas abandonaram o culto verdadeiro para seguir a ídolos, por isso, apenas teriam funções menores dentro do Templo. 82 Os cargos mais importantes, inclusive o de sumo sacerdote, estão reservados aos levitas descendentes de Sadoc, que permaneceram fiéis ao santuário enquanto os israelitas se afastavam. 83 Sadoc foi sacerdote pré-davídico da linhagem de Eleazar, filho de Aarão. 84 Segundo Born (2004, p. 1352):

Sob Davi aparece uma nova família, a de Sadoc, de origem obscura, mas na tradição sacerdotal ligada com Eleazar, filho mais velho de Aarão. Essa família suplantou a de Eli (1 Sm 2, 27-36) e outras que eram consideradas como descendentes do terceiro e do quarto filhos de Aarão, Nadab e Abiu, e obteve afinal a hegemonia em Jerusalém.

A reconstrução pós-exílica levou em conta esta declaração de Ezequiel, o que tornou os sadoquitas sacerdotes principais, enquanto à descendência de Arão coube a parte do sacerdócio comum e os genitores levitas ficaram sendo os servos do Templo. 85 Além da restauração e centralização do culto no Templo, a leitura e explicação da lei passou a ter um realce cada vez maior. Agora não só o aspecto sacrifical era preponderante, mas a especialização legalista das Escrituras Sagradas se torna cada vez mais relevante. 86 Essa concepção legalista mais tarde ultrapassa a própria dignidade sacerdotal.

À época do Messias, os sacerdotes já estavam categorizados segundo normas anteriores. Para os sacerdotes comuns havia 24 divisões de serviços, 87 os quais poderiam exercer outras funções no tempo vago. 88 Geralmente faziam as leituras e explicações da Torá nas sinagogas e eram encarregados das questões de pureza ritual. 89 A hierarquia estabelecida funcionava de forma hereditária. Portanto, a separação entre os sacerdotes principais e os sacerdotes comuns era bem acentuada. Os levitas dessa época que deveriam viver em cidades levíticas, 90 tinham como funções a de cantores 91 e demais serviços do Templo. 92

4. O sacerdócio no Novo Testamento

No Novo Testamento o substantivo hiereus (sacerdote) é empregado 31 vezes, das quais 14 na carta aos Hebreus. Marcos a emprega duas vezes, Mateus três e Lucas oito vezes (cinco no Evangelho e três em Atos). No Evangelho de João encontra-se apenas uma vez (1, 19) e três no Apocalipse. Note-se que nas cartas do Novo Testamento a única que leva esse termo é em Hebreus, as demais não o utilizam. Quando se fala em sacerdote no Novo Testamento, pode-se estar referindo aos pagãos (At 14, 13) ou aos sacerdotes judeus. 93

Os contatos de Jesus com sacerdotes não eram frequentes; ocorriam quando mandava aqueles a quem havia curado mostrarem-se a eles, 94 devido aos conceitos de purificação ritual, os quais declaravam a pessoa isenta de impurezas e apta a frequentar novamente a sociedade. Ao mesmo tempo isto servia para a afirmação da autoridade de Jesus. 95

A parábola do bom samaritano (Lc 10, 25-37) apresenta uma crítica aos sacerdotes (v. 31) que promoviam simplesmente um culto externo. O evangelho de Mateus (12, 4), com seu paralelo em Marcos 2, 26 e Lucas 6, 4, mostra como o rei David comeu os pães da proposição - que lhes era proibido - e Mateus aproveita para afirmar o senhorio de Jesus sobre o sábado e o Templo, alegando que os sacerdotes também rompem o sábado para exercer suas funções. Para essa afirmação de Jesus é dado como argumento a própria Sagrada Escritura. 96 A relação positiva de Jesus com os sacerdotes e levitas em relação ao acontecimento da salvação somente se verifica em Lucas (1, 5; 8) e Atos (6, 7). 97

Nos Evangelhos sinóticos Jesus nunca atribui a Si mesmo o título de sacerdote, preferindo utilizar a expressão "Filho" ou "Filho do Homem"; desta forma, faz uma distinção clara entre Sua missão e a dos sacerdotes aarônico e levítico. No entanto, Sua missão está envolta de conceitos sacerdotais. 98

O fato mais esclarecedor da ação sacerdotal implícita e figurada de Jesus encontra-se na Sua morte. Segundo George (1972, p. 928-929):

Para seus inimigos, esta é o castigo dum blasfemo; para seus discípulos, um fracasso escandaloso. Para ele, ela é um sacrifício que ele descreve com as figuras do Antigo Testamento: compara-a ora com o sacrifício expiatório do Servo de Deus (Mc 10, 45; 14, 24; cf. Is 53), ora com o sacrifício de Aliança de Moisés ao pé do Sinai (Mc 14, 24; cf. Ex 24, 8); e o sangue que ele dá no tempo da Páscoa evoca o do cordeiro pascal (Mc 14, 24; cf. Ex 12, 7.13.22s). Essa morte que lhe infligem é por ele aceita; ele próprio a oferece como o sacerdote oferece a vítima; e é por isso que ele dela espera a expiação dos pecados, a instauração da nova Aliança, a salvação de seu povo. Numa palavra, ele é o sacerdote de seu próprio sacrifício.

Acerca da segunda função sacerdotal do Antigo Testamento, o serviço da Torá; Jesus não veio bani-la, mas aperfeiçoá-la (Mt 5, 17s). Ele supera a letra, mostrando no primeiro e segundo mandamentos seu valor mais profundo (Mt 22, 34-40). Com isso, manifesta o prolongamento do sacerdócio do Antigo Testamento ao mesmo tempo em que torna evidente sua superação pela definitiva revelação do Evangelho da salvação e realização da Lei. 99

Em João, no capítulo 17, destaca-se a chamada "oração sacerdotal", em que Jesus pede por Si (v. 1-5), pelos discípulos (v. 6-19) e pela unidade dos futuros cristãos (v. 20-26). Esse capítulo não traz o termo "sacerdote", mas pode ser comparado ao dia da Expiação (Lv 16, 17), pelo fato de Jesus estar se preparando para a morte.

Ao falar sobre a morte de Jesus, São Paulo evoca as figuras do cordeiro pascal (1 Cor 5, 7), da humilhação do Servo (Fl 2, 6-11), do dia da Expiação (Rm 3, 24ss). A morte de Cristo significa para o Apóstolo o sacrifício supremo, que Ele mesmo ofereceu; assim se encontram termos como a comunhão do sangue de Cristo (1 Cor 10, 16-22) e da redenção por meio dele (Rm 5, 9; Cl 1, 20; Ef 1, 7). Também em Romanos 3, 25, outra expressão do culto sacrifical é utilizada por São Paulo: "Deus o destinou para ser, pelo seu sangue, vítima de propiciação mediante a fé". Acerca da oblação sacrifical de Cristo, o Apóstolo a descreve em Ef 5, 2 e Gl 2, 20. Da mesma forma como o próprio Jesus não Se intitulou sacerdote, São Paulo também não o faz. 100 Somente na carta aos Hebreus é que isto ocorre.

Em Hebreus 4, 14, Cristo recebe o título de Sumo Sacerdote. O pontífice é escolhido não para si mesmo, mas em favor dos homens (5, 1). Sendo mediador, ele não o é por escolha própria, senão por meio de um chamado, como no caso de Aarão (5, 4). "Assim também Cristo não se atribuiu a si mesmo a glória de ser pontífice. Esta lhe foi dada por aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei (Sl 2, 7)" (Hb 5, 5). No entanto, Cristo não está na condição pontifical da linhagem aarônica, pois sendo o autor da salvação, "Deus o proclamou sacerdote segundo a ordem de Melquisedec" (Hb 5, 10). Melquisedec aparece na História sem uma origem definida, "sem pai, sem mãe, sem genealogia, a sua vida não tem começo nem fim; comparável sob todos os pontos ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre" (Hb 7, 3).

Abraão é posto como inferior a Melquisedec, pois "é o inferior que recebe a bênção do que é superior" (Hb 7, 7). Nessa perspectiva a mudança trazida pelo novo sacerdócio - da ordem de Aarão para Melquisedec - obriga o aperfeiçoamento da Lei (Hb 7, 11-12). De outra forma, a Lei já teria atingido sua plenitude na linhagem levítica.

Para São Tomás, o motivo pelo qual Cristo é da ordem de Melquisedec e não da linhagem levítica se dá por dois motivos, como explana (S. Th. III, q. 22, a. 6, resp.):

Já foi dito que o sacerdócio da lei era a prefiguração do sacerdócio de Cristo, não de maneira adequada à verdade, mas de maneira muito deficiente. Por duas razões: quer porque o sacerdócio da lei não purificava os pecados, quer porque não era eterno, como o sacerdócio de Cristo. Ora, a superioridade do sacerdócio de Cristo, com relação ao sacerdócio levítico, estava prefigurada no sacerdócio de Melquisedec que recebeu o dízimo de Abraão, de quem, de alguma forma, o sacerdócio levítico dependia. Por causa desta superioridade do verdadeiro sacerdócio com relação ao sacerdócio prefigurativo da lei, se diz que o sacerdócio de Cristo é segundo a ordem de Melquisedec.

A aliança feita por Cristo é mais excelente e perfeita que a antiga (Hb 8, 6). Ela tem como base o próprio sangue de Cristo (Hb 9, 14); "por isso ele é mediador do novo testamento" (Hb 9, 15). A Lei antiga era apenas sombra dos bens que viriam, pois os sacrifícios eram renovados indefinidamente (Hb 10, 1), mas agora uma só oblação - por meio de Cristo - realizou a perfeição definitiva (Hb 10, 14).

Cristo é ao mesmo tempo a pedra viva - rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus - desse edifício espiritual (1 Pd 2, 4-5). Assim, se encontrará na carta de São Pedro a relação do sacerdócio de Cristo como um novo povo adquirido por Deus e ao qual santificou, tirando das trevas para a luz, denominado "sacerdócio régio" (1 Pd 2, 9). Esta é a expressão do pensamento contido em Êxodo 19, 6. O sacerdócio é visto aqui como acesso ao conhecimento de Deus, e o seu papel profético consiste em proclamar essa visão íntima. Agora, o sacerdócio cristão toma o lugar do judaico; no entanto, expressões fundamentais do ritual levítico, passam para a igreja primitiva e são utilizados pelos cristãos, tais como: aspergido, lavado, primogênito, altar etc. 101 Em Apocalipse (1, 6; 5, 10; 20, 6) também está expressada a ideia do reino sacerdotal de Êxodo 19, 6. A comunidade se beneficia da dignidade sacerdotal como parte da dignidade real concedida por Deus, por meio de Seu Cristo. Esse sentido sacerdotal não se deve à relação com o Templo, pois este não existirá na Jerusalém Celeste (Ap 21,22), mas o próprio Deus e o Cordeiro irão assumir a função de Templo. 102

No Novo Testamento Jesus nunca denomina qualquer de seus seguidores com o título de sacerdote, mas da mesma forma que no Antigo Testamento, somente são Seus ministros aqueles a quem Deus chama. O chamamento dos doze, a transmissão de poderes (Mt 10, 8.40; 18, 18) e a entrega da Eucaristia (Lc 22, 19) já se torna uma participação específica do sacerdócio. 103

As explicações ulteriores da tradição tomam como base a compreensão dos apóstolos acerca do ministério sagrado, que ao mesmo tempo não prejudica o sacerdócio de Cristo nem o dos fiéis. 104 Assim descreve este pensamento George (1972, p. 931):

Os Apóstolos o compreendem. Eles estabelecem por sua vez responsáveis para prolongar sua própria ação. Alguns destes últimos trazem o título de Anciãos, que é a origem do nome atual dos sacerdotes (presbíteros: At 14, 23; 20, 17; Tt 1, 5). A reflexão de Paulo sobre o apostolado e os carismas já se orienta para o sacerdócio dos ministros da Igreja. Aos responsáveis pelas comunidades ele dá títulos sacerdotais: "administradores dos mistérios de Deus" (1 Cor 4, 1s), "ministros da nova Aliança" (2 Cor 3, 6); ele define a pregação apostólica como um serviço litúrgico (Rm 1, 9; 15, 15s). Aí está o ponto de partida das ulteriores explicações da tradição sobre o sacerdócio ministerial. Este não constitui, portanto, uma casta de privilegiados. Não significa prejuízo nem para o sacerdócio único de Cristo nem para o sacerdócio dos fiéis. Mas, a serviço dum e de outro, ele é uma das mediações que garantem o serviço do povo de Deus.

No Novo Testamento tem-se, portanto, uma inter-relação do sacerdócio instituído com o sacerdócio de Cristo (expressão da plenitude sacerdotal) e com o sacerdócio régio da comunidade. Essa relação constante e efetiva entre o divino e o humano é o resultado da mediação sacerdotal levada à perfeição.

Conclusão

A questão sacerdotal na Bíblia contém um aspecto misterioso, mas que deixa os homens estupefatos por perceber que Deus não segue esquemas humanos. Natural seria que a li nhagem sacerdotal neo-testamentária seguisse a estirpe levítica. Não obstante, o Messias é da família de Judá, cujo sacerdócio é atribuído a Melquisedec. Essa consideração não invalida o sacerdócio vetero-testamentário aarônico, mas o valoriza.

Certo artista que inicie um grande empreendimento pictórico, mas perceba haver um aperfeiçoamento em sua obra por parte de um terceiro, deve admirar o estágio final que ela venha a adquirir; isto se, realmente buscava a excelência da obra e não uma vanglória pessoal. Da mesma forma o sacerdócio iniciado no Antigo Testamento foi aperfeiçoado por Cristo, mas este respeitou a "pintura" do iniciador da obra; o sacerdócio cristão tomou como fundamento muitos dos conceitos utilizados pelo sacerdócio levítico. Do que era imperfeito, atingiu a plenitude. Essa visão deve permear o estudo sacerdotal para se compreender a unidade salvífica na história bíblica.

Notas:

1) O autor é dos Arautos do Evangelho, especialista em Teologia Tomista pelo Centro Universitário Ítalo-Brasileiro; mestrando em Exegese pela UPB (Medellín - Colômbia). Professor de Introdução às Sagradas Escrituras no ITTA. Desenvolve o Projeto Futuro & Vida nas escolas da rede pública e particular da grande São Paulo.
2) BOVER, José María e BURGOS, Francisco Cantera. Sagrada Bíblia: versão crítica. Tomo I. Madrid: BAC, 1947.
3) Cf. ASENSIO, Félix S. J. Levítico (La Sagrada Escritura: Texto y comentario por profesores de la Compañía de Jesús). Madrid: BAC, 1967. p. 529.
4) Do grego Leuitikón. Deve-se à tradução do grego por meio da Vg.
5) Cf. COLUNGA, Alberto O. P. e CORDERO, Maximiliano García O. P. Levítico (Biblia Comentada). Madrid: BAC, 1960. p. 619.
6) Cf. Idem, Ibidem.
7) Cf. SELLIN, E. e FOHRER, G. Introdução ao antigo testamento. Volumes 1 e 2. Trad. D. Mateus Rocha. São Paulo: Ed. Academia Cristã; Paulus, 2007. p. 150.
8) Cf. MONLOUBOU, Pe. Louis e BOUYSSOU, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia 1-Antigo Testamento. Rio de Janeiro: Lumen Christi, 1980. p. 26.
9) Cf. ASENSIO, op. cit., p. 531.
10) Cf. COLUNGA e CORDERO, op. cit., p. 619.
11) Cf. Ibidem, p. 620.
12) Compilados por um autor anterior ao período sacerdotal, propriamente dito.
13) Cf. CLAMER, A. Levitique (La Sainte Bible): Paris, 1946. p. 10. Apud COLUNGA e CORDERO.
14) ASENSIO, 1967, p. 529.
15) Cf. CLAMER, op. cit. p. 12.
16) Instituições cultuais.
17) Cf. COLUNGA e CORDERO, op. cit. p. 621.
18) Cf. ASENSIO, op. cit. p. 529.
19) Cf. LAGRANGE, M. J. Les sources du Pentateuque: RB, 1898, p. 21. Apud COLUNGA e CORDERO.
20) Cf. COPPENS, J. L'histoire critique de l'A.T. II; Id., Les orientations nouvelles: NRTh, 1938, p. 670-674. Apud COLUNGA e CORDERO.
21) Cf. VAUX, R. de. BJ. Paris: 1956, p. 6-7. Apud ASENSIO.
22) Cf. CAZELLES, H. Le Lévitique (Bible de Jérusalem). p. 15-18. Apud COLUNGA e CORDERO 23) DENZINGER-HÜNERMANN, Heinrich. Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral. Trad. José Marino e Johan Konings. São Paulo: Paulinas - Loyola, 2007.
24) Cf. Lv 16.
25) Cf. Lv 1-7.
26) Cf. Mt 9, 11-17; 12, 1-12; 15, 2-20; 23, 1-37; Jo 18, 28.
27) Cf. Lc 2; Jo 2; 5; 7.
28) Cf. Mt 5, 17.
29) Cf. Mt 5, 43-48; 19, 19-21.
30) Cf. COLUNGA e CORDERO, op. cit. p. 622-623.
31) Cf. Lv 19, 2.
32) Cf. Ex 4, 22.
33) Cf. Ex 19, 6.
34) Cf. Lv 20, 24-26.
35) Cf. Lv 20, 8; 21, 8; 22, 32.
36) Cf. ASENSIO, op. cit. p. 530.
37) AQUINO, Tomás de. Suma Teológica Vol. VIII - Parte III - Questões 1-59: O mistério da encarnação. São Paulo: Loyola, 2002.
38) CASTANHO, Dom Amaury. Iniciação à leitura da Bíblia. 5 ed. Aparecida: Editora Santuário, 1990.
39) Cf. COLUNGA e CORDERO, op. cit. p. 623.
40) Cf. CAZELLES, op. cit. p. 26.
41) Do grego hiereus. Empregado pela LXX para traduzir o hebraico, cognato com o Árabe kahin (vidente,adivinhador).
42) Cf. BORN, A. Van Der. Dicionário enciclopédico da Bíblia. 6 ed. Petrópolis: Vozes, 2004, p. 1351.
43) Cf. Dt 10,8.
44) Cf. SÁNCHEZ, Tomás Parra. Dicionário da Bíblia. Trad. Francisco Costa e João Boaventura Leite. Aparecida: Editora Santuário, 1997, p. 185.
45) SABBAG, David Conrado. Dicionário bíblico. São Paulo: DCL, 2005.
46) Cf. FALEY, Roland J. Levítico (Novo Comentário Bíblico São Jerônimo). Trad. Celso Eronides Fernandes. São Paulo: Ed. Academia Cristã; Paulus, 2007, p. 161.
47) TERRA, João Evangelista Marins. Revista de cultura bíblica: Bíblia e Sacerdócio. Vol. XX, n. 79/80. São Paulo: Edições Loyola, 1996.
48) Cf. FALEY, op. cit., p. 171.
49) Na concepção levítica a santidade está intimamente ligada à pureza; santo é aquilo que não é profano. O contaminar-se é perder o estado integral, portanto, tornar-se inapto para o sacrifício e o contato com Deus.
50) Cf. Hab 1,1; Zc 3,1.
51) Cf. FALEY, op. cit., p. 187.
52) DUFOUR, Xavier Leon S. J. Vocabulário de teologia bíblica. Tradução de Frei Simão Voigt O.F.M. Petrópolis: Vozes, 1972.
53) Cf. BORN, op. cit., p. 1351.
54) Cf. Jz 17,5; 18,5-6; 1 Sm 14,36-42.
55) Cf. Dt 27,9-10; 31,10-13.
56) MONLOUBOU, L.; DU BUIT, F. M. Dicionário Bíblico Universal.. Tradução de Gentil TITTON et al. 2. ed. Petrópolis: Santuário, 2003.
57) Cf. Gn 8, 20; 31,54.
58) Cf. Ex 18,12.
59) Cf. BROWN, op. cit., p. 287-288.
60) Cf. Ex 32, 25-28; Dt 33, 8-11.
61) Cf. Dt 10, 9.
62) Cf. Dt 27, 14-26; 31, 24-28.
63) Cf. Ex 2, 1-2.
64) Cf. 1 Rs 12, 28-33.
65) Cf. Jz 17.
66) Cf. Jz 18.
67) Cf. 1 Sm 1, 3.
68) Cf. 1 Sm 22, 6-23.
69) Cf. BROWN, op. cit., p. 288.
70) Cf. 1 Rs 4, 1-6.
71) Cf. 1 Rs 12, 25-33.
72) Cf. 2 Rs 10, 11.
73) Cf. 2 Rs 11.
74) Cf. 2 Rs 17, 23.
75) Cf. 2 Rs 17, 27-28.
76) Cf. 2 Rs 25, 7.
77) Cf. 2 Rs 25, 18
78) Cf. 2 Rs 22;23, 1-28.
79) Cf. Nm 18, 1-7.
80) Cf. 1Cr 23 ,2.
81) Cf. Ex 29, 29-30.
82) Cf. Ez 44, 10-14.
83) Cf. Ez 44, 15-16.
84) Cf. 1 Cr 24, 1-3.
85) Cf. BROWN, op. cit. p. 288.
86) Cf. Ne 8.
87) Cf. 1 Cr 24.
88) Segundo SÁNCHEZ (1997, p. 185): "Todos eles viviam do templo e constituíam o partido saduceu".
89) Cf. Lv 11-15.
90) Cf. Lv 21.
91) Cf. 1 Cr 6, 16-17.
92) Cf. 1 Cr 6, 33-34.
93) Cf. BALZ, Horst e SCHNEIDER, Gerhard. Diccionario Exegético del nuevo testamento. 3 ed. Vol. I. Salamanca: Ediciones Sígueme, 2002. p. 1953.
94) Cf. Mt 8,4 paralelo com Mc 1, 14; Lc 5, 14; 17, 14.
95) Cf. BROWN, op. cit. p. 291.
96) Cf. Os 6,6.
97) Cf. BALZ e SCHNEIDER, op. cit. p. 1954.
98) Cf. TERRA, op. cit. p. 64.
99) Cf. DUFOUR, op. cit. p. 929.
100) Cf. TERRA, op. cit. p. 65.
101) Cf. BROWN, op. cit. p. 292.
102) Cf. BALZ e SCHNEIDER, op. cit. p. 1955.
103) Cf. DUFOUR, op. cit. p. 931.
104) No sentido explicado acima (sacerdócio régio).

 

Bibliografia:

A INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA NA IGREJA (PCB - 15/04/1993). Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html; Acesso em 23/01/2009.
AQUINO, Tomás de. Suma Teológica. Vol. VIII. Parte III. Questões 1-59: O Mistério da Encarnação. São Paulo: Loyola, 2002.
ASENSIO, Félix S. J. Levítico (La Sagrada Escritura: Texto y comentario por profesores de la Compañía de Jesús). Madrid: BAC, 1967.
BALZ, Horst e SCHNEIDER, Gerhard. Trad, de Constantino Ruiz-Garrido. Diccionario Exegético del nuevo testamento. 3 ed. Vol. I. Salamanca: Ediciones Sígueme, 2002.
BORN, A. Van Der. Dicionário enciclopédico da Bíblia. 6 ed. Petrópolis: Vozes, 2004.
BOVER, Jose Maria e BURGOS, Francisco Cantera. Sagrada Bíblia: versão crítica. Tomo I. Madrid: BAC, 1947.
CASTANHO, Dom Amaury. Iniciação à leitura da Bíblia. 5 ed. Aparecida: Editora Santuário, 1990.
CHAPA, Juan. Historia de los hombres y acciones de Dios. 2 ed. Madrid: Rialp, S. A., 2006.
COLUNGA, Alberto O. P. e CORDERO, Maximiliano García O. P. Levítico (Biblia Comentada). Madrid: BAC, 1960.
CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA DEI VERBUM: Sobre a Revelação Divina (18/11/1965). Disponível em: . Acesso em: 24 jan. 2009.
DENZINGER-HÜNERMANN, Heinrich. Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral. Trad. José Marino e Johan Konings. São Paulo: Paulinas - Loyola, 2007.
DUFOUR, Xavier Leon S. J. Vocabulário de teologia Bíblica. Tradução de Frei Simão Voigt O.F.M. Petrópolis: Vozes, 1972.
FALEY, Roland J. Levítico (Novo Comentário Bíblico São Jerônimo). Trad. Celso Eronides Fernandes. São Paulo: Ed. Academia Cristã; Paulus, 2007.
GOTTWALD, Norman K. Introdução socioliterária à Bíblia hebraica. Tradução de Anacleto Alvares. São Paulo: Paulinas, 1988.
MONDIN, Battista. Dizionario enciclopedico del pensiero di san Tommaso d'Aquino. 2 ed. Bologna: Edizioni Studio Domenico, 2000.
MONLOUBOU, L.; DU BUIT, F. M. Dicionário Bíblico Universal. Tradução de Gentil TITTON et al. 2. ed. Petrópolis: Santuário, 2003.
MONLOUBOU, Pe. Louis e BOUYSSOU, Ir. Dominique. Encontro com a Bíblia 1-Antigo Testamento. Rio de Janeiro: Lúmen Christi, 1980.
NISSA, S. Gregório de. Sobre a vida de Moisés. Tradução segundo a Patrologia Grega de Migne com base na versão de D. Lucas F. Mateo. Disponível em: . Acesso em: 15 jul.
2007.
SABBAG, David Conrado. Dicionário bíblico. São Paulo: DCL, 2005.
SÁNCHEZ, Tomás Parra. Dicionário da Bíblia. Trad. Francisco Costa e João Boaventura Leite. Aparecida: Editora Santuário, 1997.
SELLIN, E. e FOHRER, G. Introdução ao antigo testamento. Volumes 1 e 2. Trad. D. Mateus Rocha. São Paulo: Ed. Academia Cristã; Paulus, 2007.
TERRA, João Evangelista Marins. Revista de cultura bíblica: Bíblia e Sacerdócio. Vol. XX, n. 79/80. São Paulo: Edições Loyola, 1996.

Votar Resultado 1  Votos

Gostou desta página? Então comente e participe da nossa família! Se ainda não é usuário, basta se cadastrar. É simples, rápido e gratuito! Se já é usuário, basta fazer seu login.
  ORAÇÕES