Entrei, meio distraído, procurando o número de meu acento.A aeronave partiria em breve. Gosto muito de viajar nas poltronas laterais, aquelas que são apenas dois ocupantes. Quando cheguei ao meu lugar, deparei-me que viajaria com um sacerdote.
O avião decolou, logo em seguida eu cumprimentei meu companheiro de viagem, que estava com um livro nas mãos e rezava.
- Ah! O senhor é sacerdote?
- Sim, respondeu-me amavelmente.
- Posso fazer lhe uma pergunta?
- Claro que sim, disse o religioso.
- O senhor que é um homem de Deus teria uma mensagem, para levar para um amigo que está sofrendo muito e que acha que foi abandonado por Deus?
- Veja, meu filho! Aconteceu comigo, hoje, precisamente hoje. Antes de eu vir para o aeroporto, pela manhã fui chamado a uma casa, afim de levar os sacramentos para uma senhora doente. Eu já sabia que o caso era difícil. Ela tinha bastante idade, havia ficado cega e agora lhe tinham amputado a perna.
- Nossa, coitada! Afirmei eu.
- Sim! Continuou o padre. - Uma situação bastante difícil, sabe! Pensei que encontraria alguém que estivesse revoltada com a Providência. Rezei e lá fui. Era uma casa pobre, muito pobre, mas digna. A filha dessa senhora me recebeu no portão e me conduziu até a sala onde num sofá esperava-me a dona Maria. Cheguei bem perto dela e disse: - Dona Maria! Aqui está um padre! E esperei para ver a reação. Seria inconformidade, raiva, perda da fé diante dos sofrimentos que lhe acometiam?
- Da. Maria disse, então, com voz firme e clara. -Um padre? Oh! Como Deus é bom, como Deus é bom!
Realmente fiquei emocionado diante de tanta fé, dentro de sua dor um brado de amor. Ministrei os sacramentos e sai, de lá, edificado com aquela senhora que amava tanto a Deus.
- Pois, então, leve essa mensagem a seu amigo! Fale um pouco de Da. Maria que dentro de suas dores, exclamava: como Deus é bom, como Deus é bom!
- Realmente Deus é a bondade, dele vem todo o bem! Portanto quando a dor bater em nossas portas, quando o sofrimento, a incerteza, a doença, a depressão devemos gritar: Como Deus é bom! Como Deus é bom. Ele não nos abandona e nunca nos abandonará.
Agradeci ao ministro de Deus e deixei-o em paz, para que pudesse continuar suas orações.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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