Há uma semana do Natal, a Igreja celebra neste dia 18 de dezembro a festa da expectação do parto de Nossa Senhora, que entre o povo de Deus é conhecida também como festa de Nossa Senhora do Ó.
“Maria guardava todas as coisas em seu Coração” (Lc 2,19), diz o Evangelho. E este mesmo Coração da Santa Mãe de Deus a cada dia guardava santas aspirações por ver seu Filho Divino, enfim, nascido.
Estamos, então, na festa da expectação do parto de Nossa Senhora, ou Nossa Senhora do Ó.
História de uma devoção
Esta devoção mariana surgiu em Toledo, na Espanha, ainda na época do X Concílio, presidido pelo Arcebispo Santo Eugênio, um concílio regional convocado pelo rei Recesvinto, no ano de 656, quando se estipulou que a festa da Anunciação fosse transferida para o dia 18 de dezembro.
O Arcebispo Santo Eugênio foi sucedido no cargo por seu sobrinho, Santo Ildefonso, que determinou que a festa da expectação do parto de Beatíssima Virgem Maria fosse celebrada neste mesmo dia.
Espera de Maria, espera da humanidade
Esta festa ressalta não apenas os anseios da Virgem Maria por ter o Menino Jesus em seus braços, mas também as expectativas de milhares de gerações que suspiram pela vinda do Salvador do mundo, desde Adão e Eva.
Todo esse ardoroso desejo da humanidade se recolhe e concentra no Coração de Maria.
Por que Nossa Senhora do Ó?
A invocação de Nossa Senhora do Ó surgiu em razão das antífonas cantadas na Liturgia entre os dias 17 e 23 de dezembro, antes e depois da recitação do Magnificat, na oração das Vésperas.
As antífonas deste período começam por uma invocação a Jesus, que, no entanto, nunca é chamado pelo Nome.
Todas essas invocações incluem o pedido “vinde”, e essas antífonas são ainda sempre começadas pela interjeição exclamativa “ó”, a qual surge como sinal evidente do fervor e de desejo da Igreja que suspira pela vinda de Jesus.
Foi esta a razão que levou o povo espanhol a dar à Virgem Maria este título.
Antífonas de textos do Antigo Testamento
As antífonas deste período que precede o Natal são todas elas inspiradas em textos do Antigo Testamento, anunciando a vinda do Messias, Salvador da humanidade.
Desde a primeira destas antífonas até à última, Jesus é invocado como Sabedoria, Senhor, Raiz, Chave, Estrela, Rei e Emanuel. Em latim, essas palavras são Sapientia, Adonai, Radix, Clavis, Oriens, Rex, Emmanuel.
Lendo apenas suas iniciais latinas, da última para a primeira antífona, forma-se o acróstico ero cras, que pode ser traduzido como “virei amanhã”. O que se interpreta como a proclamação do Senhor que vem.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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