Cidade do Vaticano (Quinta-feira, 27-12-2018, Gaudium Press) O padre Giovanni Scalese, religioso Barnabita, titular da "Missio sui iuris" do Afeganistão declarou à Agência Fides:
"Vivendo imersos em um ambiente como o do Afeganistão, se sente a necessidade, às vezes, de estar juntos, rezar, compartilhar pensamentos, alimentar relações fraternas: o período de festas exacerba essa necessidade e favorece a sua concretização.
É por isso que, nos dias que se seguem ao Natal, os religiosos deste país se encontram, não somente para rezar juntos, mas também para passar algumas horas de paz e de partilha".
O Padre Scalese disse que a presença de religiosos cristãos em território afegão está ligada exclusivamente às realidades caritativa ou militar.
Ele afirma também que, por questões de segurança, as cerimônias natalinas como o anúncio do nascimento de Jesus com o canto da Kalenda e a Missa do Galo são celebrados no entardecer.
A única paróquia do país
Para destacar que a presença de religiosos e missionários cristãos no Afeganistão está ligada exclusivamente às realidades caritativas ou militares, o sacerdote barnabita diz que os missionários estão comprometidos com iniciativas humanitárias em que é proibido desenvolver atividades de evangelização, ou de capelães militares, "sempre insuficientes em relação às necessidades".
Padre Scalese informa que a única paróquia católica no Afeganistão está localizada dentro da embaixada italiana em Cabul e é frequentada por cerca de cem pessoas, quase que exclusivamente membros da comunidade diplomática internacional.
A preparação para o Natal
"Como essa pequena comunidade se prepara para o Natal?", pergunta o sacerdote e ele mesmo responde: "na simplicidade".
"Começamos a nossa preparação já no final de novembro, com a celebração da novena na Imaculada, em 2 de dezembro. Abençoamos a coroa do Advento e acendemos sua primeira vela, para dar início ao tempo especial de preparação para a vinda de Cristo. No domingo, 16 de dezembro, acendemos a árvore de Natal em frente à igreja e iniciamos a tradicional novena, aguardando o nascimento de Jesus ", relata o padre Scalese.
Celebrações Católicas
A realização das liturgias católicas é sempre afetada pelas fortes tensões que se vive estado em um país em guerra há já 40 anos.
O Sacerdote Barnabita explica que "no dia 24 de dezembro é anunciada a Natividade com o canto da Kalenda e, durante a Missa da Véspera, é abençoado o Presépio. Mas tudo isso acontece no final da tarde, pois não é possível, por razões de segurança, celebrar à noite".
No dia de Natal, a Santa Missa e Bênção Apostólica são celebradas na base da OTAN e na Igreja da Missão.
O Barnabita concluiu prevendo que haveria uma participação de fiéis mais numerosos do que o normal: "as festividades, de fato, representam uma oportunidade de oração também para aqueles que dificilmente participam da vida da igreja durante o resto do ano".
A Igreja no Afeganistão
No Afeganistão, a Constituição de 2004 define o país uma "República Islâmica", enquanto o Artigo 2 da Carta garante aos não-muçulmanos o direito de exercer livremente a sua religião, nos limites legais existentes.
Até 2016, viviam na capital afegã as Pequenas Irmãs de Charles de Foucauld que trambalhavam em obras sociais e educativas iniciadas no país e nas quais estão comprometidos também os jesuítas indianos do Serviço Jesuíta para os Refugiados. (JSG)
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