Eu vos saúdo, ó Bem-aventurados amigos de Deus, Santos de todos os séculos e de todos os lugares do mundo!

Regozijamo-nos, e muito, de tão inumerável multidão de Santos.

Regozijamo-nos da benevolência de Deus, que vos tem no Purgatório, misericordioso, e, na glória, os que tem no Céu: unimo-nos a vós para louvá-Lo e bendizê-Lo por todo o sempre.

Uni-vos vós a nós também: assim podereis obter-nos da misericórdia de Deus a graça de vos imitar.

Sabeis, pela experiência, o que somos nós: os homens fracos, miseráveis, levados ao mal, cercados de perigos por todos os lados.

E qual é nosso maior inimigo? Ah, nosso maior inimigo somos nós mesmos!

Rezai, pois, pedi por nós, bons e santos irmãos, a fim de que, logo, sejamos como sois. A fim de que, como vós, sejamos dóceis e humildes de coração; a fim de que, como vós, nos conheçamos a nós mesmos.

Aclamação aos primeiros Santos

Considerai, ó almas, a grande, imensa profusão de Santos que avança através dos séculos, da Terra ao Céu, que iremos engrossar, se Deus quiser.

O primeiro, aquele que rompe à frente, é o primeiro homem que foi morto sobre a Terra: Abel.

Este que Nosso Senhor mesmo canonizou, dando-lhe o nome de justo, no Evangelho, foi, a um só tempo, pastor, sacerdote e mártir.

Depois de Abel, o primeiro justo, vêm-lhe no encalço pai e mãe, nossos primeiros pais, porque, logo que compreenderam a voz de Deus, Adão e Eva deixaram de ter duro o coração.

Logo após, já nos diz o Livro de Gênesis: “Henoc caminhou com Deus”.

Pelo mérito da fé, Henoc foi elevado, para que não visse a morte; não mais foi visto, porque Deus o transportou para algum lugar.

Presume-se que para o Paraíso, para um lugar de delícias, cheio dos frutos da árvore da vida, dos quais se alimenta.

Outro Santo, do qual todos descendemos, aparece na procissão, na grande procissão: Noé, profeta e pregador do mundo antigo, pai e pontífice do mundo novo, que nos salvou do dilúvio por meio da arca, símbolo da Igreja Católica.

Atrás de Noé e dos Santos do primeiro mundo, vemos, na grande procissão, Abraão, Isaac, Jacó, Melquisedec, Jó, José e os demais patriarcas: Moisés, Aarão, Josué, Eleazar, Gedeão, Samuel, Davi, Isaías, Daniel, os outros profetas, os Macabeus e todos os anciãos justos.

Todos esses louvados por Deus, com o testemunho prestado em sua fé, não receberam imediatamente o objeto da promessa, mas aguardaram nas palavras divinas um tesouro inesgotavelmente maior: “Eu mesmo serei sua recompensa demasiadamente grande”.

Nós também queremos participar dessa procissão

Por isso, nós também, cercados por tão grande nuvem de testemunhas, deixando todo o peso que nos detém e o pecado que nos envolve, corramos com paciência na carreira que nos é proposta, pondo os olhos no autor e consumador da fé, Jesus.

Não nos esqueçamos de saudar, na imensa procissão, os Santos do país, de nosso tempo, de nossa família.

E que, saídos da terra, entremos no Céu, na glória de Deus. Assim seja.


PADRE ROHRBACHER. Vida dos Santos. v. XIX. São Paulo: Editora das Américas, 1959.