Esta Assembleia Pública das Pontifícias Academias aborda um tema muito significativo: a Via pulchritudinis como itinerário privilegiado para o encontro entre a Fé cristã e as culturas do nosso tempo, e como instrumento precioso para a formação das jovens gerações. 

Em dois mil anos de História, a Igreja percorreu de muitos modos o caminho da beleza através das obras de arte sacra, que acompanharam a oração, a liturgia, a vida das famílias e das comunidades cristãs.

Maravilhosas obras de arte arquitetônicas, pinturas, esculturas e miniaturas, obras musicais, literárias e teatrais, juntamente com outras obras de arte injustamente consideradas “menores”, constituem autênticos tesouros que nos fazem compreender, através da linguagem da beleza e dos símbolos, a profunda sintonia que existe entre a Fé e a arte, entre criatividade humana e obra de Deus, autor de qualquer beleza autêntica. 

Poderia a humanidade de hoje gozar de tão amplo patrimônio artístico se a comunidade cristã não tivesse encorajado e sustentado a criatividade de numerosos artistas propondo-lhes, como modelo e fonte de inspiração, a beleza de Cristo, esplendor do Pai? 

Para que, contudo, a beleza resplandeça no seu pleno esplendor, deve estar unida à bondade e à santidade de vida; ou seja, é necessário fazer resplandecer no mundo, através da santidade de seus filhos, o rosto luminoso de Deus bondoso, admirável e justo.

É quanto pede Jesus aos seus discípulos no Sermão da Montanha: “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu” (Mt 5, 16).

Para poder influir também na sociedade atual, o testemunho dos cristãos deve alimentar-se de beleza para se tornar eloquente transparência da beleza do amor de Deus.

Dirijo-me de modo particular a vós, queridos Acadêmicos e Artistas! É precisamente esta a vossa tarefa: alimentar o amor por tudo isto que é autêntica expressão do gênio humano, e reflexo da beleza divina. 

Na Carta aos Artistas tive oportunidade de realçar que de vossa colaboração “a Igreja espera uma renovada ‘epifania’ de beleza para o nosso tempo e respostas adequadas às exigências próprias da comunidade cristã”.1

Estai sempre conscientes desta vossa missão e que o Senhor vos ajude a cumpri-la de maneira eficaz. 

 

Discurso aos membros das Academias Pontifícias, 09/11/2004.

1 Carta aos artistas, n.10.