Pujante movimento de leigos católicos, a Legião de Maria exerce sua ação evangelizadora em vários países. No Brasil, marca expressiva presença em inumeráveis paróquias, há mais de cinco décadas.
Para designar suas divisões internas, a Legião de Maria usa palavras latinas, porque seu Fundador, Frank Duff, concebeu o movimento como um exército, à maneira das famosas legiões romanas.
Assim, escalonados de baixo para cima, divide-se ela em: Praesidium, Cúria, Comitium, Regia, Senatus. O órgão dirigente em cada país chama-se Consilium Legionis. E no píncaro de tudo está o Consilium Legionis Mariae, com sede em Dublin, Irlanda.
Nosso entrevistado, o legionário Nelson de Moraes, é presidente do Senatus de São Paulo, o qual engloba também as unidades do Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Arautos do Evangelho: Há quantos anos foi fundada a Legião de Maria? Como vê a evolução do movimento?
Nelson de Moraes: A Legião de Maria completou 83 anos no último dia 7 de setembro. No Brasil, o pioneirismo coube ao Rio de Janeiro, pelos idos de 52 ou 53.
Em São Paulo, oficializou-se em 1954, mas praticamente abrangia só o centro da cidade. Estamos comemorando agora o jubileu de ouro.
A Legião aqui, no início, foi um movimento menos aberto do que é hoje.
Atualmente, procurando seguir à risca o carisma próprio, os novos membros mostram-se mais dispostos a pôr em prática a finalidade e os princípios deixados pelo Fundador, com um apostolado de expansão intenso e sem limites.
AE: Pelas proporções do Brasil, o “Senatus” de São Paulo deve ser um dos maiores do mundo, ou não?
NM: É o maior da América Latina, tanto em extensão quanto em número de membros ativos e auxiliares. Em nosso País, é sem dúvida um dos mais estruturados.
Além desta Sede Central (perto da Catedral paulistana), dispõe de uma sede de atendimento localizada no bairro do Sumaré, e um vasto complexo de edifícios em Mogi das Cruzes, este em fase adiantada de construção.
Tudo é feito pelos próprios legionários, que são também os principais doadores e mantenedores da Instituição.
AE: Qual a diferença entre membros ativos e auxiliares?
NM: Os membros ativos dedicam um tempo fixo, estável e duradouro ao movimento. São por volta de 380 mil, no Brasil. Os auxiliares não participam das reuniões, mas dão respaldo espiritual às atividades de apostolado dos membros ativos. São quase três milhões.
AE: Qual é esse apostolado, em concreto?
NM: É muito variado. Hoje, a Legião está conseguindo atingir todas as camadas da sociedade, da mais pobre à mais rica, abrangendo todas as classes com o seu carisma.
Visitando os lares, o legionário percebe o problema lá existente e procura a solução. Conforme o caso, encaminha para o serviço social da paróquia as pessoas em situação de necessidade.
Orienta as pessoas não batizadas, ou não casadas na Igreja, a procurar o sacerdote para receber esses Sacramentos. Nosso apostolado é de porta em porta. Vamos bater na porta de cada lar, antecipando-nos muitas vezes aos prosélitos de inúmeras seitas!
Nas classes mais abastadas, às vezes temos problemas em chegar até aos habitantes dos prédios ou condomínios luxuosos, porque um ou outro zelador, vigia ou guarda impede.
Mas, com palavras amenas e ajuda da graça, conquistando sua amizade, conseguimos fazer assembleias e rezar o Rosário nesses prédios. A Legião baseia-se realmente na oração ao Espírito Santo e a Nossa Senhora.
Esta operação é feita em todos os cantos, e dela participa gente que apenas acaba de entrar em nosso Movimento. Nossa Legião juvenil é exemplo disso: de terço na mão, lá vão eles… É emocionante mesmo!
AE: Como é feito o recrutamento na juventude?
NM: Tornou-se realidade, no último mês de julho, o I Encontro Nacional da Juventude Legionária, tendo como tema Maria, queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida.
Na Casa de Encontros, em Mogi das Cruzes (SP), reuniram-se cerca de 200 jovens dos mais diversos estados brasileiros.
O encontro foi organizado pela Secretaria da Juventude Legionária, do Senatus de São Paulo, com o objetivo de ajudar os cristãos a se aproximar de Jesus, por meio de Maria Santíssima.
Foram apresentados diversos temas ligados ao Projeto Nacional de Evangelização. Contou com a presença de Dom Mário Teixeira Gurgel, Diretor Espiritual da Legião de Maria no Brasil, e do Pe. Ivan Roberto Danhoni, Diretor Espiritual do Senatus de São Paulo.
Os participantes estabeleceram uma meta ousada para 2005: montar os grupos legionários nas universidades. No meio universitário há uma dificuldade não pequena para o jovem católico professar sua Fé, enfrentando o respeito humano.
Estamos, entretanto, dispostos a vencer essa tendência, combater os vícios que lá imperam, como, por exemplo, a droga, a degradação moral, e a semear bem o Evangelho, para colher frutos em cada uma das regiões onde a Legião fincou seu vexillum (estandarte).
AE: O senhor, como se tornou um legionário?
NM: Eu não participava de qualquer movimento religioso e até relutava em entrar em qualquer um que fosse. De repente, aos 18 anos, sofri um acidente, recebi uma graça de Nossa Senhora e prometi dedicar-me mais às coisas da Igreja.
Florescia então um grupo de jovens, no qual me convidaram a tomar parte… Fui, vi e gostei! Gostei tanto que me apaixonei, a ponto de nunca mais o deixar. Nele estou há 22 anos, e faço de tudo para expandi-lo, dando palestras, proclamando meus testemunhos…
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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