Se é fato que Deus nos ama a todos, mais verdadeiro ainda é que ama e abençoa muito especialmente quem sabe dar com generosidade, partilhando os dons d’Ele recebidos. As Sagradas Escrituras não deixam dúvida a respeito: “Deus ama a quem dá com alegria” (II Cor 9, 7); “O generoso será abençoado” (Pr 22, 9).

 “Foi a Mim que o fizestes”

Da Divina Providência recebemos não apenas os dons espirituais, mas também os materiais, e estes devemos igualmente partilhar.

“Em verdade Eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos pequeninos, foi a Mim que o fizestes” (Mt 25, 40) – dirá Nosso Senhor a quem, nesta vida, tiver dado de comer, de beber ou de vestir a seu irmão necessitado. 

Com muito mais ênfase dirá o Divino Mestre a quem tiver sido fiel em oferecer o dízimo à sua Paróquia ou comunidade eclesial: “Foi a Mim que destes”. Pois o dever de contribuir para a manutenção da Casa de Deus tem naturalmente precedência sobre qualquer outro tipo de caridade cristã.

Com efeito, o dízimo é aplicado primordialmente no serviço do culto divino, ou seja, a digna apresentação dos edifícios e objetos destinados às funções litúrgicas, além das despesas de rotina para manter o edifício sagrado e os ministros de Deus.

Mas essa generosa contribuição propicia também às comunidades eclesiais os recursos para socorrer os irmãos menos favorecidos. Como filhos que buscam o conforto da casa paterna, numerosos carentes acorrem às paróquias buscando, além do conforto espiritual, um auxílio para aliviar suas necessidades materiais.

Um encargo de todos

Com a parábola do bom samaritano (Lc 10, 25-37), Cristo Nosso Senhor mostra-nos o dever de auxiliar o irmão. Esta caridade comporta antes de tudo, sem dúvida, o socorro espiritual e o zelo pela salvação das almas, mas não pode descurar a indispensável assistência material aos necessitados.

E uma das glórias da Santa Igreja é, precisamente, a de ter ensinado e praticado a caridade cristã ao longo de seus vinte séculos de existência. Muito se poderia dizer a respeito do heroísmo de inumeráveis padres e freiras nos hospitais, asilos, orfanatos e em tantas outras iniciativas nascidas de corações abnegados.

A Esposa de Cristo ufana-se dessa tradição e, segura de si, nela deseja permanecer em sua trajetória rumo à Pátria definitiva. 

Mas, tal tarefa não é exclusiva dos Bispos, sacerdotes e freiras. É também – em certo sentido, até de modo preponderante – de cada fiel individualmente considerado.

De fato, a atuação concreta de quem dedica a vida ao serviço de Deus, seja na obra de evangelização, seja na assistência aos irmãos necessitados, depende da liberalidade daqueles que lhe proporcionam os meios materiais para isso. Portanto, de quem, com coração aberto, oferece à Igreja o seu dízimo.

O maior beneficiário

Porém, é preciso salientar que o maior beneficiário do dízimo não é a Igreja, nem sequer nossos irmãos carentes, mas o próprio dizimista.

Pela razão muito simples de que o ato de dar nos aproxima de Deus e nos faz participar de sua dadivosidade infinita. E quando damos com alegria, somos por Ele amados com predileção.

Assim, leitor, quando você for oferecer o seu dízimo, compreenda e sinta, no fundo do coração, a divina alegria de dar!