Não vou fazer uma conferência – iniciou Dom Odilo – mas apenas compartilhar com este auditório minhas reflexões sobre alguns pontos.

O Papa, centro da unidade da Igreja

Primeiramente, a visita da Presidência da CNBB a Roma, ao Santo Padre e a alguns organismos da Cúria.

Nossa visita a Roma – de Dom Geraldo Majella Agnelo, Presidente, Dom Antônio Celso de Queirós, Vice-Presidente, e minha, na qualidade de Secretário – tinha como finalidade, como é de praxe todos os anos, referir ao Santo Padre, aos seus colaboradores mais imediatos na Cúria Romana e aos diversos organismos da Santa Sé, algo sobre a última assembleia geral da CNBB, realizada em fins de abril, e também sobre a vida da Conferência. 

Na carta apostólica Pastores Gregis, o Papa explica mais uma vez a importância e o significado desse ir-e-vir dos Bispos a Roma, de como coexistem a Igreja particular – cada diocese confiada a um Bispo – e a Igreja toda, universal, representada pelo Papa.

Não são duas Igrejas diferentes, é uma única. Daí os Bispos estarem constantemente indo a Roma, como sinal concreto da sua relação com o Papa como centro e referência da unidade de toda a Igreja. 

Foi isso que fizemos como dirigentes da CNBB. O encontro com o Papa é sempre muito marcante. As condições de saúde não lhe permitem mais longas conversas, mas ele acompanha tudo, e está ao par do que se passa na Igreja do Brasil. 

Cardeal Ratzinger, serenidade a serviço da Igreja

Outro encontro importante foi com o Cardeal Ratzinger, da Congregação da Doutrina da Fé, um homem bastante sensível, muito cordial; por outro lado, um grande teólogo, um homem de Igreja que põe toda a sua característica de alemão a serviço da vida da Igreja.

Na sua fineza, ele ao mesmo tempo vai levando avante com serenidade um discurso bem claro e sem rodeios sobre as questões eclesiais. Isto é importante, é necessário, embora talvez para alguns seja chocante. 

Ele se mostrou particularmente interessado nas várias questões da Igreja no Brasil e gostou muito do projeto de evangelização da CNBB, “Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida”. 

O encontro com Jesus leva a aceitar a doutrina

Falou ele justamente sobre a importância de se procurar hoje impostar a evangelização a partir disso, com esse enfoque.

A evangelização não é antes de tudo um doutrinamento, mas sim “querigma” que leva a crer e conduz a uma experiência de encontro com Deus, experiência da fé, à alegria de crer.

Depois é que vem a busca do conhecimento teológico, do conhecimento doutrinal, o qual é importante, mas de fato vem como um segundo passo. 

Justamente da experiência com Cristo vem o desejo de conhecer mais. Depois do encontro aceito, de se ter deixado assumir por Jesus Cristo, aí vem a aceitação da doutrina.

Também a moral cristã não decorre de raciocínio simplesmente, mas da aceitação de Jesus Cristo. Da mesma forma, a nossa mística não é produzida a partir de um esforço simplesmente nosso; é antes de tudo um dom.

Ela decorre do fato de nos deixarmos encontrar por Deus, de nos abrirmos ao diálogo que Deus quer ter conosco. É, antes de tudo, aceitação do dom e da graça de Deus que vem ao nosso encontro. 

Lemos no Evangelho Jesus indo à casa dos amigos de Betânia, Marta, Maria e Lázaro.

Marta, mais que todos, procurou ser aquela que acolhia, etc. Maria, no entanto, se deixou hospedar por Jesus o qual, de hóspede, passa a ser como o dono da casa e dá as diretrizes do encontro. 

Há um comentário muito bonito de Santo Agostinho sobre esse trecho, no qual diz que Maria desde logo já descobriu a melhor parte: estar com Jesus e se deixar servir por Ele, e saborear o dom de estar com Ele.

E Marta, embora fizesse bem ao estar servindo e hospedando Jesus, ainda não estava sabendo que um dia ela também estaria sentada aos pés de Jesus, deixando-se servir por Ele. 

Fátima: onde está Maria, ali está Jesus

Em Portugal, tive dois belos momentos. Um foi na comunidade dos Arautos. Havia lá um bom número de jovens, e eles se interessaram por muitas coisas do Brasil. Mantivemos um bonito diálogo e celebrei várias vezes a Missa na capelinha.

Outro momento foi em Fátima. Celebrei numa capela dentro da basílica. Foi uma hora emocionante essa de estar em Fátima, lugar de onde se irradia tanta vida para o mundo todo. 

É sempre impressionante poder fazer de novo aquela experiência que está muito dentro da convicção católica, quer dizer, onde está Maria a Mãe de Jesus, ali está Jesus; e vice-versa: onde está o Filho também está a Mãe. 

A CNBB divulgou uma mensagem pastoral sobre a devoção a Nossa Senhora e sua presença na vida das comunidades católicas.

Nesse documento, deixamos claro que nossa referência a Maria nunca é como ao ponto final, mas é sempre Àquela que nos mostra o bendito fruto de seu ventre, conforme pedimos na Salve Rainha.

Nossa Senhora nos trouxe Jesus, ao mundo, não para ficar para Ela, mas para mostrá-lo ao mundo, para entregá-lo ao mundo. É a Mãe que entrega o Filho e, por outro lado, nos diz sempre: “Fazei tudo quanto Jesus vos disser”. 

Agradecendo em nome de todos, o Presidente Geral dos Arautos, João Clá Dias, pôs em relevo a clareza doutrinária e o espírito de síntese com que o conferencista abordou de forma acessível para jovens leigos elevados assuntos teológicos.

E concluiu: “Disse ele, no início, que não faria uma conferência. Concordo inteiramente com ele, porque de fato não foi uma conferência, mas sim uma arqui-conferência muito proveitosa para nossa formação!”