"Quando Eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a Mim" (Jo 12, 32). Essas palavras saídas dos lábios do Divino Mestre podem muito bem se aplicar à Catedral de Notre-Dame de Paris.
Desde que ela foi erguida, no período medieval, a altaneira construção nunca deixou de atrair a si peregrinos do mundo inteiro, desejosos de admirar sua grandeza e esplendor, além de venerar as preciosas relíquias para as quais serve de monumental escrínio.
Ante sua imponente fachada se detiveram, enlevadas, almas inocentes e generosas, sedentas de contemplar um sublime reflexo da glória de Deus nesta terra e que, sensíveis a tudo quanto diz respeito a essa mesma glória, ali choraram de emoção.
No decorrer dos séculos, ela assistiu ao vaivém de alegrias, tristezas, dramas e vitórias que compuseram a história da charmosa Paris.
E em todos os momentos continuou convidando a quantos dela se aproximavam, cativados por sua beleza, a não fixarem os olhos nas coisas passageiras desta vida, mas elevarem-se ao Céu, para onde apontava sua elegante agulha.
Quer na penumbra da noite, quer banhada pelos raios do sol, a nobre catedral se apresentava como uma genuína flor da civilização, permitindo aos homens de hoje conhecer e se encantar com aquela primavera da fé que a engendrou, e sonhar com os esplendores do Reino de Maria anunciado por tantos Santos e profetas.
Por tudo isso, os corações dos fiéis se consternaram ao ver o magnífico templo em chamas. Cientes, porém, da vitória definitiva de Cristo na Cruz, tal pesar não sobrepujou a esperança de contemplar em breve o surgimento de maravilhas ainda maiores.
As obras do Altíssimo nunca fracassam: quando Ele permite algum desastre, é porque fará nascer daí algo melhor. Não foi acaso que de sua Paixão e Morte sobreveio a Ressurreição!
Quiçá a maior das lições que a venerável catedral deu ao mundo enquanto as chamas a consumiam tenha sido a de atrair mais uma vez para si o olhar dos homens, fazendo-os se elevarem até a Cruz.
Nesse trono de dor e de glória, o Cordeiro Imolado aguarda a chegada de almas corajosas que se levantem para extinguir o funesto incêndio de pecado e relativismo que grassa na nossa sociedade…
Deus quer ser servido por filhos que, fortificados pelo infalível e ilimitado poder da graça divina, não hesitem em desafiar o fogo e as nuvens negras de fumaça que nos cercam, mostrando que, em meio ao desmoronamento geral, há um refúgio seguro.
Ele se encontra junto Àquela que Se manteve de pé no Calvário e que jamais abandonará a Santa Igreja!
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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